da Redação DiárioZonaNorte
Castelo de areia em beira de praia, aonde destrói? …” É o que está acontecendo com o Conjunto Hospitalar do Mandaqui, que há anos está desprotegido esperando uma onda maior para se desmanchar. Os problemas se acumulam, as reclamações são constantes e a situação é visível, mas o governo estadual, a Secretaria Estadual da Saúde e a direção do hospital parecem ser míopes de uma realidade e retardam as soluções.
Na 3ª feira (09/10/2018), o DiárioZonaNorte estampou em sua primeira página e com chamada na fanpage: “NÃO SE ASSUSTE! SÃO DOCUMENTOS NO HOSPITAL DO MANDAQUI, QUE VAI PERDER UMA EMENDA DE R$7,8 MILHÕES, e fotos impressionantes com um local cheio de envelopes e papelada amontoada com registros médicos e até de óbitos – ver reportagem aqui. 
O “Agora” confirma === Diante disto, o repórter Bruno Coelho, do jornal “Agora” (Grupo Folha de S.Paulo) foi até o local para registrar na primeira página da edição desta 6ª feira (12/10/2018): “Papelada amontoada corre risco de incêndio – PRONTUÁRIO DE PACIENTE MOFA NO HOSPITAL DO MANDAQUI” – Na legenda da foto – Sala lotada com histórico de doentes, que poderiam agilizar atendimento; Secretaria do Estado da Saúde diz que não há risco”.
Já na página interna do jornal (A-8), a manchete: “Hospital do Mandaqui deixa prontuários amontoados” – Documentos estão em estantes e até no chão, em casa com teto de madeira e fios elétricos expostos. Uma foto com a legenda: “Prontuários de pacientes em prédio anexo ao Hospital do Mandaqui, na Zona Norte de São Paulo; local tem teto de madeira, umidade e fios expostos; Conselho Gestor da unidade diz que cobrou solução no ano passado”.

 

As desculpas === E, para variar e remediar, a velha desculpa sempre encaminhada pela Assessoria de Imprensa da Secretaria Estadual da Saúde, sem assinatura de um responsável: “NÃO HÁ RISCOS, DIZ SECRETARIA”: Segundo destaca o jornal, “A Secretaria de Estado da Saúde, da gestão Márcio França (PSB), negou em nota que haja fios expostos no arquivo médico do Hospital do Mandaqui”. Disse que a casa é desratizada trimestralmente. A Secretaria afirmou que não há riscos e que a unidade conta com brigadistas e equipamentos de incêndio. O governo disse que não há prejuízo no acesso aos documentos, “que são constantemente organizados”. Segundo a Secretaria, em 2019 deve começar a construção de um novo espaço para os documentos.

Macas nos corredores  e sem médicos === Além da ampla reportagem, o jornal “Agora” abre um espaço paralelo para informar com o título “PRONTO SOCORRO TEM MACAS EM CORREDORES”, com um outro velho problema. Diz a nota: “Além da organização dos prontuários, o Hospital do Mandaqui tem outros problemas. Ontem (5ª.feira), o Pronto Socorro da unidade tinha 15 pacientes em macas nos corredores”.
E finaliza: “Em ata de reunião do dia 26/09/2018, o Conselho Gestor também apontou falta de médicos ortopedistas para corresponder a toda demanda de pacientes, além de déficit de plantonistas, técnicos e enfermeiros. Segundo o Conselho Gestor, o atendimento à população gera esforços extra de funcionários.
O peso da responsabilidade === Os problemas são recorrentes e repetitivos há anos através do Conselho Gestor, que não são levados à solução de imediato pelas direções que estiveram (e estão) à frente do Hospital do Mandaqui – que se oferece para atendimento a uma população de 3 milhões de habitantes na Zona Norte, sem contar os municípios limítrofes da região – como Mairiporã, Caieiras, Juquery, Serra da Cantareira, Arujá… e até parte de Guarulhos. A última reforma e investimento no Hospital do Mandaqui ocorreu em 2012, quando inclusive foi implantado um “heliporto” para facilitar com maior rapidez os atendimentos de emergência – que até hoje não funcionou com um aporte de 10 milhões de reais, tem rachaduras sem receber os alvarás de funcionamento pelos órgãos.
Os voluntários da Saúde === O Conselho Gestor é apolítico formado por voluntários, que nada recebem e nada querem, buscando o bom atendimento aos usuários sem distinção e melhores condições de trabalho para os profissionais médicos e da enfermagem. Os conselheiros são pró-ativos nas 24 horas, todos os dias e nos finais de semana, com revezamentos nas fiscalizações pela manhã, tarde e noite – até de madrugada. E nunca receberam em reuniões mensais (sempre na última 4ª feira do mês nas dependências do hospital) representantes diretos da Secretaria Estadual da Saúde ou mesmo representante do Secretário da Saúde – a presença é sempre da direção do hospital, que promete mas não chega às soluções — e, às vezes, até sem devolutivas — mesmo as negativas.
O adeus à emenda parlamentar === Quando os assuntos extrapolam e chegam à Secretaria Estadual da Saúde, as respostas são sempre evasivas e demoradas – como as da Assessoria de Comunicação da Secretaria. Assim aconteceu com a resposta sobre a emenda parlamentar de R$7,8 milhões do Senado Federal, que pode ser cancelada por causa do não cumprimento do prazo, até o final do ano, mesmo porque haverá troca da nova gestão. Mesmo com a resposta em uma nota do Ministério da Saúde, em desmentido,  a Secretaria Estadual da Saúde repete o óbvio e informa “que o projeto de emenda parlamentar está em fase final de elaboração”.  Mas não mostra e não cita documentos que comprovem a realidade e o processo — já que houve a solicitação.
Falando às paredes === Na 5ª feira (11/10/2018), às 18hs01, a redação do DiárioZonaNorte recebeu uma nota via e-mail, sem assinatura do Secretário Estadual da Saúde ou de um de seus assessores, sem a logomarca da secretaria ou do Governo de São Paulo, que tenta desmentir a reportagem. Mas, ao mesmo tempo, em alguns pontos se contradiz nas informações e não apresenta documentos. Nem mesmo informa que buscará soluções. Há tempo, o Conselho Gestor do Hospital do Mandaqui , através de seu presidente Marco Antonio Nunes Cabrasl, solicita uma reunião com a direção do hospital e com o Secretário da Saúde, seus coordenadores  e assessores – e outros envolvidos como o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp),  Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo  (Cremesp), Conselho Regional de Enfermagem (Coren), Sindicato dos Trabalhadores e outros de interesse —  em cima de fatos e documentos. Mas, até o momento, não houve nenhum sinalização para que esse finalidade.
Acredite se quiser === Eis a nota encaminhada pela Assessoria de Imprensa da Secretaria Estadual da Saúde: “Em resposta a matéria “Não se assuste! São documentos arquivados no Hospital do Mandaqui, que vai perder a emenda de R$7,8 milhões.”, publicada em 9 de outubro de pelo Diário da Zona Norte, o Conjunto Hospitalar Mandaqui esclarece que as acusações são inverídicas.
As fotos exibidas na matéria não correspondem a atual situação do Arquivo Médico e não há qualquer prejuízo no acesso aos documentos de pacientes. Um novo espaço está sendo planejado para aprimorar as condições de armazenagem, e a perspectiva é que as obras comecem no primeiro semestre de 2019.
O hospital conta com estrutura necessária para atuação em eventual incêndio, e paralelamente dá andamento às medidas para obtenção do AVCB,
Também não procede que falta água na unidade, . Para garantir a segurança dos usuários, foi providenciado breve reparo no pronto-socorro infantil em virtude de vazamento de água e infiltração no teto, causado pelas chuvas. Não houve qualquer prejuízo à assistência.
O hospital conta com Ouvidoria para esclarecer dúvidas, receber reclamações, sugestões e elogios. O setor funciona  de segunda a sexta, das 8h às 17h.
Com relação à emenda parlamentar, todos os trâmites foram feitos e enviados ao Ministério da Saúde para análise e liberação do recurso.
Não há “mão de obra ociosa”. O quadro profissional atua conforme as escalas de trabalho, de forma a garantir a assistência. A unidade é um Hospital de Ensino e conta ainda com residência médica estágios. Possui acordo de cooperação técnica com a Universidade Nove de Julho (Uninove), que contribui para capacitações de profissionais, incremento de tecnologias, custeio de bolsas de residências, cursos técnicos, de graduação e pós-graduação.
Quanto a poda das árvores, a avaliação foi realizada por um engenheiro ambiental da Prefeitura do Município de São Paulo, órgão responsável por esse tipo de serviço, que já foi executado”.
Fim da nota, sem nenhuma palavra ou saudação, nem mesmo assinatura da Secretaria Estadual da Saúde ou da Assessoria de Imprensa.
O tempo dirá === O DiárioZonaNorte registrou o assunto e deixa as conclusões aos nossos leitores, usuários do Hospital do Mandaqui e ao Conselho Gestor. Comparecemos em todas as reuniões e já publicamos mais de 10 reportagens e notas sobre os problemas do hospital, sem ter retorno efetivo de soluções. O único objetivo do jornal é informar com retorno de soluções para o bem de todos.
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CN Institucional

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