da Redação DiárioZonaNorte ==

Como uma criança prestes a ser repreendida e entra na sala do mestre para receber o “pito”… um pé atrás e olhos por todos os lados…, o novo diretor geral do Conjunto Hospitalar do Mandaqui,  Dr. Marcelo Barletta Soares Viterbo entrou na sua primeira reunião do Conselho Gestor, na 4ª feira (29/08/2018).  No lugar da Dra. Magali Vicente Proença – no cargo por quase 10 anos e recentemente nomeada Superintendente da Autarquia Hospitalar Municipal-, após ter assumido efetivamente na 6ª feira (24/08/2018) – apesar do anúncio ter saído na 4ª feira (22/08/2018)-, ele sentou-se ao lado do presidente da mesa, Marco Antonio Nunes Cabral.

À sua frente estendia-se uma longa mesa apertando 25 pessoas entre conselheiros e convidados, somando-se os três médicos da diretoria (Dra. Katia Soraya Barbosa Knebel Dra. Silmara Ziolli) e o convidado Dr. Rogério Souza, fiscal da gestão da UTI,  que o acompanhavam – e na fileira de cadeiras da lateral mais 12 pessoas entre convidados e repórteres. Uma reunião mensal com muita gente, mas não tão superior aos sérios problemas que enfrenta o Hospital do Mandaqui.

Um susto e às escuras === Na última 4ª feira (29/08/2018), antes mesmo do início da reunião,   a sala Multiuso II do primeiro subsolo do prédio do Hospital do Mandaqui estava às escuras.  Um cartaz fixado na porta avisava:  “Interditada por motivos técnicos. Curto circuito na rede elétrica”. Cabral e conselheiros estavam preocupados como  aconteceria a reunião. E foi um vai-e-vem para buscar explicações e alternativas, quando um dos conselheiros (especializado em eletricidade e conhecedor dos meandros do hospital) descobriu no quadro de energia que exatamente o disjuntor da sala de reuniões estava “desligado”. E como em um passe mágica, virou-se a chave ao contrário e a energia reapareceu.

Registre-se em ata === Esse mal-estar foi registrado em ata por ter havido inclusive uma reação negativa por parte de uma das funcionárias, que reclamou aos berros no corredor, “vocês não podiam ter mexido ali”. Mas antes mesmo da reunião começar houve indícios de que algo estranho pairava no ar sobre se haveria o encontro. Segundo Cabral, a direção poderia ter sido informada da anomalia e  “avisaria o Conselho Gestor bem antes da reunião, já que somos uma reunião fixa e pública, do conhecimento de todos”. E determinou:  “Registre-se isto em ata!”. E ali sentado ao lado, quase imóvel, o Dr. Marcelo pode perceber que a reunião tomaria seu ritmo de acontecimentos negativos, além das esperadas reivindicações.  Em seguida, a Dra. Kátia agradeceu a colaboração que recebeu durante um mês que ficou como interina no posto da Dra. Magali, na direção geral, que é um lugar de “muita responsabilidade”, e agora passou o bastão em definitivo ao Dr. Marcelo.

Uma andorinha não faz o verão ===  Dr. Marcelo iniciou sua apresentação com o “fui designado e estou como diretor técnico”. Reconheceu os  vários problemas e afirmou que “estamos tentando priorizar e equacioná-los”. Acrescentou que as “portas estão abertas e tenham paciência que eu sou um só”. E acrescentou: “Não tem como uma andorinha fazer o verão!”. E foi direto ao assunto relatado pelo presidente do Conselho Gestor, “com a falta de energia na sala de reuniões”, declarando que discordava do que foi dito porque “vivemos em uma democracia”. Com isto, quis explicar que a falta de energia veio do dia anterior e não foi proposital. O diretor geral pediu diálogo e não ficar nos comentários, que os problemas precisam ser encaminhados e “por isso que estou aqui”.

Mais busca na saúde pública === E foi além “A Crise da Saúde. Vamos tentar salvar a saúde!”, é o que todos queremos, reconhecendo que o Sistema SUS é o maior do mundo. E disse que a atual situação política, social e econômica do país “causou um grande número de usuários, que antes tinham planos de saúde e buscaram a saúde pública, por problemas econômicos” – e com isto um aumento na demanda nos atendimentos. Ele reconhece que faltam  médicos, mas que está se tentando equacionar o problema, mas “isto não vai ser feito da noite para o dia”. E finalizou que está “com vontade de trabalhar com ajuda de todos”. E definiu que com a colaboração de todos haverá “diminuição de macas no Pronto Socorro, que é o principal problema na mídia que acontece aqui”.

Os culpados por tudo === O presidente do Conselho Gestor, Marco Antonio Nunes Cabral, explicou o posicionamento das reuniões, que são mensais e já previamente programadas, sendo do conhecimento da diretoria do Hospital do Mandaqui. Definiu que o que acontece é reflexo da situação e da falta de comunicação mais efetiva. “Se houve um problema, que nos avisasse com antecedência. Como aconteceu de outras vezes, adiaríamos a reunião”, rebateu. E explicou que não há nenhuma restrição a ninguém e ao hospital, ainda informou que ele (o presidente do Conselho) está há quinze anos como voluntário nos problemas do Mandaqui. E foi duro: “O seu coordenador e o seu Secretário da Saúde tentam a todo momento fazer com que esse Conselho Gestor passe por mentiroso – e isto nós não somos!” e informou que não está cobrando o novo diretor-geral, mas deixaria registrado, com o objetivo de dialogar e tentar resolver os problemas juntos.  “Seu coordenador  e seu Secretário da Saúde são irresponsáveis por não ver os problemas daqui”, acrescentou.  

Um problema atrás do outro === E, a partir deste ponto, o presidente do Conselho Gestor relacionou alguns problemas. A troca da empresa de limpeza de um dia para o outro, sem saber o que fazer a nova empresa entra com apenas nove funcionários para cuidar de um complexo hospitalar. Deu problemas em todos os setores, da UTI até a portaria. Causando um caos total. Com isto, demonstra o descaso com a saúde e voltou a culpar o Coordenador e o Secretário da Saúde. “Um coordenador que fez um monte de lambança dentro deste hospital, mandou gente retirar maca do corredor e mandou gente para casa sem condições que morreu”, lembrou Cabral. Por outro lado, temos aqui déficit de cirurgiões, médicos e funcionários indo embora, um Pronto Socorro lotado e outros problemas. Esse hospital está pedindo socorro há muito tempo!”, concluiu. Neste ponto, o Dr. Marcelo interrompeu, demonstrando querer abandonar a reunião para seus compromissos, mas pediu para o presidente do Conselho Gestor ser mais direto e resumido. E Cabral continuou responsabilizando o Coordenador e o Secretário da Saúde. “Estou direto aqui no Hospital e ouço o chefe do Plantão informando que não tem condições de atender mais ninguém”, continua o presidente do Conselho Gestor.

As denúncias === E mais adiante foi relatado o problema da Unidade de Terapia Intensiva – UTI,  antes administrada pela Organização Social de Saúde – OSS, a SPDM, e agora está com a Santa Casa de Birigui. O Dr. Marcelo quis detalhes técnicos e afirmou que o Conselho Gestor não recebe as informações. “Precisa falar de maneira científica para afirmar”, disse ele. O que foi rebatido pelo presidente do Conselho Gestor: “Aqui dentro deste hospital tem os filtros para o bem e os filtros para o mal”, afirmou.

O caso da UTI === A conselheira Maria Christina Ielo Belo lembrou que o Conselho Gestor recebe as denúncias e os profissionais do hospital tem por obrigação  ir atrás para verificar o fato. “Nós não somos técnicos, nós somos usuários e somos responsáveis por aquilo que estamos fazendo”, concluiu ela. E foi dado a palavra ao fiscal da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Rogério de Souza, que explicou como são os procedimentos e o que está acontecendo. E confirmou que os indicadores da Santa Casa de Birigui estão  abaixo da empresa anterior, “o pessoal é novo, está começando agora, a empresa é pequena, não tem estrutura e não é como a SPDM, mas é receptiva”, declarou ele.  A Dra. Silmara Ziolli admitiu a necessidade de filtrar as  informações para que elas não sejam manipuladas por outros interesses, “vocês sabem que há as pessoas que são extremamente construtivas e há pessoas que estão sempre buscando coisas ruins e negativas. E temos que averiguar as informações”.

Em busca de soluções === O presidente do Conselho Gestor lembrou a  falta do pagamento de salários aos funcionários e somente os médicos receberam, além da saída de funcionários do hospital. A explicação é que os funcionários estavam em treinamento e não se saíram bem tecnicamente, por isso a dispensa. E quanto aos pagamentos, foi observada a defasagem de dias por causa do calendário mensal e alterações na data prevista. E as empresas maiores – como a anterior SPDM – tem um fundo de reserva para suprir essas defasagens de calendário – o que não aconteceu com a Santa Casa de Birigui, que é menor.

Vagas e dinheiro da emenda parlamentar === O presidente do Conselho Gestor lembrou também dos pedidos das relações dos médicos com seus cargos de comando e confiança, e também de funcionários em ativa e os afastados,  que ainda não foram enviadas. Foi citado m concurso público recentemente aberto para novos funcionários e médicos, que não pode ser realizado agora por causa do momento eleitoral – portanto deve ser colocado em prática no começo do próximo ano.  No segmento, foi lembrando que a senador Marta Suplicy destinou uma verba parlamentar de R$7,8 milhões para o Hospital do Mandaqui (4 milhões em equipamentos e 3,8 milhões em obras) e que até o momento nada foi informado dos trâmites na Secretaria Estadual da Saúde. Segundo a Dra. Kátia, “os documentos já saíram da Secretaria da Saúde e já foram encaminhados ao Ministério da Saúde, que dará o parecer final e a liberação dos recursos”.

(Nota da Redação: a Secretaria Estadual da Saúde junto com a direção do Hospital do Mandaqui teria que relacionar os itens para utilização da verba – no valor para equipamentos e no de obras – para proceder o encaminhamento ao Ministério da Saúde. Esse documento não foi encaminhado para conhecimento do Conselho Gestor. E o DiárioZonaNorte entrou em contato, na 6ª feira (31/08/2018) e confirmou com a Assessoria da senadora, em Brasília, que o Ministério da Saúde está com a documentação em análise.

Dois empregos ao mesmo tempo === O presidente do Conselho Gestor, com todo cuidado e com documento em mãos – “com a preocupação de não ser leviano” — , fez uma séria  denúncia contra uma  médica que estaria exercendo duas funções no mesmo horário. No Estado, especificamente no Hospital do Mandaqui como médica pediatra e respondendo como diretora do ambulatório;  e outra no município, como supervisora administrativa.   Cabral questiona  como é possível a pessoa trabalhar no mesmo horário em lugares diferentes. E lembrou que o Ambulatório coleciona há muito tempo vários problemas. A médica foi convidada a comparecer à reunião e não deu nenhuma satisfação, segundo Cabral.

Elevador e heliponto == Em seguida, o assunto foi o velho problema dos elevadores – que não funcionam e precisam de manutenção e o heliponto instalado no hospital, que não está funcionando e precisa de manutenção – ele foi inaugurado em 2012 com uma verba de R$10 milhões, com pouco uso e fechado às aeronaves de emergência. Ainda foi lembrado o problema do estacionamento, desde 2009 – em péssimo estado, de terra, com o agravante das raízes das árvores – que até o momento não teve uma solução de parqueamento.  E também o corte e poda de árvores  centenárias dentro do terreno – logo na entrada do hospital houve o corte recente de uma delas.

A Dra. Kátia informou na hora que “está tudo ok”, dentro da legislação e com autorizações da Prefeitura e da Secretaria do Verde. Uma conselheira lembrou do espaço muito grande que pertence ao Hospital do Mandaqui, que está sendo usado em comodato pelo Esporte Clube Pinheiral, onde poderia existir um Centro de Traumatologia. Foi lembrado também a função do hospital escola que acolhe alunos da Uninove e outra instituição – a Frei Galvão -,  mas que não se vê a contrapartida – e será um dos assuntos na próxima reunião.

O que ficou e o que repercutiu === Depois de mais de uma hora, o novo diretor-geral do Hospital do Mandaqui, Dr. Marcelo Barletta Soares Viterbo, aprontou-se para deixar o recinto. “Agradeço a acolhida. Espero construir uma nova história e um novo trabalho com vocês”.  E retirou-se rapidamente antes que outros problemas viessem à tona pelos conselheiros.

E a reunião continuou === E o presidente do Conselho Gestor, Marco Antonio Nunes Cabral, deu segmento à reunião. Ele fez uma breve avaliação da participação do novo diretor geral do Hospital do Mandaqui, onde foram colocados todos os problemas que agora estão relatados na Imprensa, com maior frequência e quase diariamente, e outras manifestações. Lembrou também da participação no programa radiofônico “Metrópole em Foco” da Rádio Trianon,  apresentado pelos jornalistas Pedro Nastri e Duda Jr., que aconteceu na semana anterior e onde o Hospital do Mandaqui foi o tema principal por uma hora e meia.

Na continuidade da reunião, ainda houve vários comentários sobre a situação do Mandaqui que chegou a ter 60 macas pelos corredores, falta de oxigênio, troca de empresas de limpeza e o lixo hospitalar dentro da instituição.  E lembrou: “a função do conselho não é criticar, mas ajudar alertando sobre os problemas, já que a falta de comunicação interna do hospital é terrível”. E concluiu: “Hoje fizemos um panorama do que acontece aqui no Mandaqui, entendemos que o Dr. Marcelo está entrando e se inteirando do que acontece, mas a responsabilidade maior é do Coordenador e do Secretário da Saúde que vem realmente sucateando o local. É um descaso com esse hospital”.  E reunião ainda prosseguiu com comentários e outros assuntos por mais de 40 minutos. E está confirmada a  data para a próxima reunião em 26 de setembro (sempre na última 4ª. feira do mês)  – que é muito importante a participação de muitos usuários, moradores da Zona Norte e representantes de entidades. Como diz o presidente do Conselho Gestor: “O Hospital do Mandaqui é nosso. E as feridas doem em nós!”.

Hospital do Mandaqui repercute === Marco Antonio Nunes Cabral, presidente do Conselho Gestor do Hospital do Mandaqui, foi convidado pela presidente do “Amigos do Mirante” (Associação Amigos do Mirante do Jardim São Paulo), Alba Medardoni – que comparece sempre nas reuniões no Mandaqui –, e esteve no encontro na reunião da entidade, no dia seguinte (30/08). Ele relatou todos esses problemas em resumo por mais de uma hora para uma plateia de cerca de 60 pessoas – que ficaram de colaborar comparecendo nas próximas reuniões do Conselho Gestor.

Perfil do novo diretor geral do Hospital do Mandaqui == Dr. Marcelo Barletta Soares Viterbo === Possui graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina de Marília (1998). Pós Graduação em Gliomas de Baixo Grau do Sistema Nervoso Central -Mestrado concluido em março de 2009. Até recentemente chefe da Neurocirurgia do Hospital Metropolitano-Lapa. Foi chefe da neuro-oncologia do Hospital Heliópolis de janeiro de 2006 até março de 2012 – Unidade de Gestão Assistencial 1, neurocirurgião da Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul e chefe da Neurologia e Neurocirurgia do Serviço Municipal de São Caetano do Sul desde 2003 até fevereiro de 2017, pessoa jurídica em vários hospitais privados , pessoa jurídica do HOSPITAL SÃO LUIZ unidade Anália Franco há 11 anos. Chefe e coordenado do serviço de Neurocirurgia do Hospital Leforte Unidade Morumbi de dezembro de 2014 até agosto de 2017 e funcionário municipal da Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Neurocirurgia, atuando principalmente nas seguintes áreas: Tumores do Sistema Nervoso Central, Patologias da Coluna, Vascular e Trauma. Possui experiência coordenando e gerenciando Serviços de Neurocirurgia tanto em Hospitais Públicos como privados.

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