por Aguinaldo Gabarrão (*) ===

Quando o jovem ator Félix Moati (Rindo à Toa – 2008; Banho de Vida – 2018) resolveu aos 28 anos debutar como diretor e roteirista, sabia muito bem o que desejava fazer: contar uma história simples, onde o afeto e a cumplicidade, delimitassem as relações complexas entre três pessoas: pai, um filho adulto e outro adolescente.

Em seu filme de estreia, o universo masculino é apresentado em suas fragilidades, mas igualmente nas possibilidades de ganhos quando o feminino ocupa o lugar de destaque e importância. E tudo isso, bem amarrado com uma trilha sonora moderna, que evita o tom denso, apesar do assunto.

Imagem idealizada === Para Ivan (Mathieu Capella), um menino de 13 anos, seu pai Joseph (Benoît Poelvoorde) e seu irmão mais velho Joachim (Vincent Lacoste) são o principal modelo de vida. Porém, o adolescente descobre que seu irmão não consegue desenvolver sua tese na faculdade e seu pai decide abandonar sua estável carreira de médico para se tornar escritor. A partir daí, o garoto começa a repensar se esses são exemplos que ele quer seguir.

Logo nas cenas iniciais o roteiro apresenta situações que paulatinamente desconstroem a imagem idealizada que o adolescente tem do pai e irmão mais velho: numa funerária, Ivan percebe o grau de perturbação do pai em lidar com a perda de um familiar. Depois, vê o genitor numa constrangedora leitura do que virá a ser seu primeiro livro.

Em outra sequencia, descobre que seu irmão Joachim, estudante de pós-graduação, não consegue desenvolver sua tese, limitando-se a relacionamentos amorosos inconsistentes. Ivan, então, perde suas referências, e vive entre uma crise mística em oposição às descobertas sexuais e amorosas da puberdade.

Crises  === É interessante também perceber a imaturidade do pai, interpretado pelo ator Benoît Poelvoorde. Ele esconde dos filhos o curso de escrita criativa que realiza para tornar-se escritor, preocupado com a repercussão negativa desta sua atitude. E, de certa maneira, esse comportamento se reproduz em Joachim, o irmão mais velho, que não consegue desenvolver sua tese psicanalítica e esconde esse fato do pai e irmão.

O roteiro ágil, de diálogos inteligentes e carregados de humor, não enfraquece o entendimento das crises do núcleo familiar e evidencia, principalmente, a dificuldade nas relações familiares. Pai e filhos não se permitem fazer confissões sobre seus sentimentos e dilemas.

E, neste cenário, a figura feminina, distante de qualquer estereótipo, apresenta-se com a força e maturidade necessárias para despertar o afeto entre os membros daquela família e conduzir a trama para um desfecho inteligente.

Assista ao trailer do filme:


FICHA TÉCNICA

OS DOIS FILHOS DE JOSEPH (Título original: Deux Fils)

– Distribuição: Pandora Filmes

Direção e Roteiro: Félix Moati / Colaboração no roteiro: Florence Seyvos / Direção de Fotografia: Yves Angelo / Trilha Sonora: Matthieu Sibony / Montagem: Simon Birman / Produção: Pierre Guyard / === Elenco: Vincent Lacoste, Benoít Poelvoorde, Mathieu Capella, Anaïs Demoustier, Noémie Lvovsky

Gênero: Comédia dramática  / Duração: 1 hora e 30 minutos / Idioma: francês / Cor: colorido / Classificação indicativa: 12 anos / País: França, Bélgica / Ano de Produção: 2018

Lançamento: 8 de agosto de 2019

SOBRE A PANDORA FILMES   ===  A Pandora é uma distribuidora de filmes independentes que há 30 anos busca ampliar os horizontes da distribuição de filmes no Brasil revelando nomes outrora desconhecidos no país, como Krzysztof Kieślowski, Theo Angelopoulos e Wong Kar-Wai, e relançando clássicos memoráveis em cópias restauradas, de diretores como Federico Fellini, Ingmar Bergman e Billy Wilder. Sempre acompanhando as novas tendências do cinema mundial, os lançamentos recentes incluem “The Square – A Arte da Discórdia”, de Ruben Östlund, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, e “O Apartamento”, de Asghar Farhadi, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Paralelamente aos filmes internacionais, a Pandora atua com o cinema brasileiro, lançando obras de diretores renomados e também de novos talentos, como Gustavo Steinberg, Ruy Guerra, Edgard Navarro, Sérgio Bianchi, Roberto Moreira, Beto Brant, Fernando Meirelles, Helena Ignez, Tata Amaral, Anna Muylaert, Petra Costa e Gabriela Amaral Almeida. Entre os próximos lançamentos, destacam-se “Greta”, de Armando Praça; “O Traidor”, de Marco Bellocchio, coprodução nacional, que concorre a Palma de Ouro em Cannes; e “O Caso Morel” de Suzana Amaral.   Em 2019, a distribuidora criou o projeto Caixa de Pandora que visa programar filmes premiados, escolhidos através de uma cuidadosa curadoria para serem exibidos em salas comerciais da rede Cinépolis, em 25 cidades do Brasil.

<<Com o apoio de informações/fonte: Sinny Assessoria e Comunicação >>

 


(*) Aguinaldo Gabarrão, ator. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações. Adora cinema. Atua também no segmento corporativo por meio de cursos, treinamentos e palestras com as técnicas do teatro.


Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte e nem de sua direção.


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