por Aguinaldo Gabarrão (*) 

=== A nova empreitada do ator e diretor franco-israelense Yvan Attal (Nova York, Eu Te Amo e Viveram Felizes Para Sempre) é a comédia dramática O Orgulho. Ele prefere denominar seu filme de “dramélia”, e justifica: “é um filme que provoca risos, principalmente graças ao seu diálogo, mas também levanta algumas questões… Além disso, é, simultaneamente, político e social, mas também alegre e espirituoso”.

Isso é o que ele vende, mas não é, necessariamente, o que vemos na telona. A  jovem francesa Neila Salah (Camélia Jordana), de origem árabe, sonha em ser advogada. Desde o primeiro dia de aula na renomada Faculdade de Direito de Paris, ela se depara com Pierre Mazard (Daniel Auteuil), professor conhecido por sua má conduta que, para se redimir, torna-se mentor da jovem num concurso. Porém, ambos precisam enfrentar seus preconceitos.

O Mentor e seu aprendiz ===  Logo nos primeiros minutos da história fica estabelecido o embate entre a aluna esforçada versus o intolerante professor. Essa situação igualmente antecipa o que de fato já foi exaustivamente explorado no cinema: aquele que domina a técnica se torna o mentor daquele que almeja subir ao pódio.

A partir daí, por mais peripécias que surjam, sabe-se como essa história irá terminar. Se isso, por si só, não determina o insucesso de um filme, por outro lado exige de quem escreve o roteiro, criar surpresas que mantenham o interesse do público na história, o que, infelizmente, não acontece.

Preconceito escancarado === Os roteiristas acertam a mão ao escolherem o foco da história nessa nova geração de franceses, filhos de imigrantes que vieram para a França, foram criados na cultura francesa, mas cultivam tradições dos países de onde seus parentes vieram. É oportuno apresentar o embate da jovem com as ideias conservadoras e nacionalistas de extrema direita, personificadas na figura do professor Mazard.

Porém, a forma como a história é conduzida, entre uma comédia sem risos e um drama de conflito raso, torna difícil saber, exatamente, a quem se quer dar a voz nessa “dramélia” – neologismo criado pelo diretor.

Apesar da inconsistente história, a atriz Camélia Jordana ganhou o César de Melhor Atriz Revelação 2018 e teve como parceiro o veterano ator Daniel Auteuil, reconhecido como um dos melhores atores franceses.

Assista ao trailer do filme:

FICHA TÉCNICA

O ORGULHO – (Título original: Le Brio) –  Distribuição: Pandora Filmes

Direção: Yvan Attal / Roteiro: Victor Saint-Macary, Yaël Langmann, Noé Debre e Yvan Attal / Direção de Fotografia: Rémy Chevrin / Trilha Sonora: Michael Brook / Montagem: Célia Lafitedupont / Produção: Dimitri Rassam e Benjamin Elalouf ///  Elenco: Camélia Jordana, Daniel Auteuil, Yasin Houicha, Nozha Khouadra, Nicolas Vaude e Jean-Baptiste Lafarge

Gênero: Comédia dramática / Duração: 1 hora e 35 minutos / Cor: colorido

Classificação indicativa: 12 anos / País: França e Bélgica / Ano de Produção: 2017

Lançamento: 19 de Julho de 2018 (Brasil)


(*) Aguinaldo Gabarrão, ator. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações. Adora cinema. Atua também no segmento corporativo por meio de cursos, treinamentos e palestras com as técnicas do teatro.


Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.

ObraFácil

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, entre com seu comentário
Por favor, entre com seu nome agora