Tutankáton, com sua aparente distância e indiferença para as atribulações de nossos dias, seja pela forma elevada do texto, seja pela temática histórica, seja ainda pela ambientação num Egito de há mais de três mil anos, é um texto oportuno para os tempos em que vivemos, de intolerância, de incompreensões, de extremos.

Com texto de Otávio Frias Filho (*) e direção de Mika Lins, a peça estimula a reflexão acerca dos horrores da verdade única, dos pavores da imposição de cima para baixo, de dogmas e de ideologias. Sob a aparência primeira de que nada acontece, tudo acontece: trata-se quase de um libelo pela liberdade de pensamento, de culto, de vida.

A supremacia do Deus único, Áton, sobre um Egito historicamente politeísta, encontra-se nesta peça em seus últimos momentos. Ao personagem título, vítima de uma conjunção de tragédias e a quem não é mais dada outra escolha, cabe extinguir a obrigatoriedade de adoração ao deus único e restituir o culto pagão a vários deuses, devolvendo assim a paz ao povo egípcio.

Tutankáton, que passará para a história com o nome de Tutankamon, aquele que restituiu a soberania do deus Amon e seu panteão de tantos outros deuses.

“O texto de Otávio Frias Filho fala de um determinado momento da história em que o tempo parece enclausurado. Trata-se de quando o povo, num Egito pós-revolução de Aton, clama pela volta do antigo culto aos deuses, e Tutankáton se encontra no meio da anti-revolução”, explica a diretora.

Segundo o autor, “a revolução de Aton não se tratava apenas de uma reforma religiosa; parece que se pretendeu uma modificação global e profunda que alcançaria as relações sociais, os costumes e a arte. Consta que o governo de Akenaton, ao menos numa determinada fase, buscou apoio na classe popular e até mesmo recrutou funcionários nela. Apesar da repressão governamental, que na certa foi violenta e indiscriminada, aparentemente a doutrina do rei era pacifista em política externa e estimulava a liberdade intelectual. Uma cidade foi erguida, em local não consagrado até então a nenhuma divindade, a fim de sediar a capital do país. Para lá se deslocaram artesãos da nova ordem com a tarefa de criar os padrões da arte revolucionária”, explica Frias Filho.

“Foi esse Egito que Tutankáton, aquele que viria a ser a múmia mais famosa da história, herdou. Nosso espetáculo se passa exatamente nesse momento, quando o povo insatisfeito insurge. Proponho servir ao texto de Otávio e radicalizar a percepção de ”tempo parado” da civilização egípcia. Visualmente, a baixa densidade demográfica do deserto colocará personagens e cenas fisicamente distantes umas das outras. A firmeza dos diálogos e a ironia do texto ficarão como primeiro plano da encenação”, completa Mika.


FICHA TÉCNICA

  • Texto: Otávio Frias Filho (*)
  • Direção: Mika Lins
  • Elenco: Samuel de Assis, Augusto Pompeo, Rogério Brito, Daniel Infantini,  Monalisa Silva e Reynaldo Machado.
  • Atriz Convidada: Bete Coelho
  • Musica Original: Marcelo Pellegrini
  • Assistente de direção: Daniel Mazzarolo
  • Produtor executivo: Fernando Azevedo
  • Assessoria de Imprensa: Morente Forte
  • Direção de Produção: Dani Angelotti
  • Idealização e Produção: Cubo Produções e Cia Instável
  • Realização SESC

(*) Otavio Frias de Oliveira Filho ( 07/06/1957 – 21/08/2018 – 61 anos) foi jornalista, escritor e teatrólogo;  diretor de redação do jornal Folha de S.Paulo e diretor editorial do Grupo Folha, fundado por seu pai, Octávio Frias de Oliveira. Formou-se em Direito e  completou cursos de pós-graduação em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo – USP.


Serviço

TUTANKÁTON

  • SESC AVENIDA PAULISTA (64 lugares)
  • Avenida Paulista, 119 –  Informações: 3170.0800
  • Bilheteria:3ª a sábado, das 10h às 22h. Domingos e feriados, das 10h às 19h.
  •                5ª a sábado às 21h | Domingos às 18h
  • ** Sessão extra dia 28 de agosto, quarta, às 21h**
  • Estreia dia 09 de agosto de 2019 –  Curta Temporada: até 01 de setembro
  • Duração: 90 minutos ==  Recomendação: 14 anos
  • Ingressos: R$ 40 (inteira)  R$ 20 (meia-entrada: estudante, servidor de escola pública, +60 anos, aposentado e pessoa com deficiência) — R$ 12 (credencial plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes) — Ingressos à venda nas bilheterias em toda rede Sesc SP

 

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