Quem quiser aproveitar o feriado de 9 de julho (3ª feira), com as crianças e família, pode ter um passeio cultural em um ponto histórico da cidade, visitando gratuitamente a Casa da Moeda paulista.  Além de ser um novo e respeitável espaço cultural na região oeste de São Paulo – inaugurado em outubro passado -, o prédio da Casa Melhoramentos faz parte de um importante período da história de São Paulo. Ali foi a Casa da Moeda durante a Revolução Constitucionalista de 1932 e agora tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo-Conpresp.

O dinheiro paulista === Mal iniciado o movimento revolucionário, os paulistas precisaram emitir o seu próprio dinheiro para financiar o conflito. Como a Casa da Moeda do Brasil estava instalada no Rio de Janeiro, foi necessário estabelecer o decreto 5.585, de 14 de julho, apenas cinco dias depois da eclosão do movimento em caráter de urgência, para a produção da moeda própria de São Paulo.

Papel de Caieiras === Produzir materialmente esse dinheiro ficou a cargo da Companhia Melhoramentos. Chamados ao Palácio, os diretores da empresa receberam a missão: produzir em no máximo cinco dias, dinheiro em bom papel, bem impresso e com recursos que inviabilizassem falsificações. As duas toneladas de papel foram produzidas em Caieiras, onde a Melhoramentos já fabricava inúmeros tipos de papel e foram trazidas ainda úmidas, sob escolta de técnicos e soldados, para a gráfica localizada na Lapa.

O dinheiro falsificado === Com a mesma rapidez e cuidado, foi iniciada a impressão de cédulas nos valores de: 5, 10, 20, 50 e 100 mil réis, no tamanho de 4×2 polegadas com tinta rosa sobre fundo amarelo. No dia 20 de julho, o “dinheiro paulista” já estava em circulação. O dinheiro encomendado no dia 15, entrou em circulação no dia 20 e dez dias depois já se encontravam cédulas falsificadas. Um dos recursos paliativos para evitar a falsificação, foi colocar os técnicos de Caieiras envolvidos na fabricação do papel original, em pontos estratégicos da cidade. Hábeis para reconhecer a versão original, eram escoltados por policiais aos quais os portadores do dinheiro apresentavam as cédulas que desconfiassem: Verdadeiro! Falso! Bom! Falsificado! Eram ouvidos centenas de vezes ao dia. As cédulas falsas eram destruídas no ato.

A história no prédio === Na exposição Centro de Memória da Companhia Melhoramentos é possível encontrar as notas originais expostas e um pouco da história da companhia e da Cidade de São Paulo. Hoje, o espaço abriga os escritórios da Companhia Melhoramentos, Editora Melhoramentos e Melhoramentos Florestal. E ainda conta com áreas de convivência com salas destinadas à “coworking”, auditório para até 83 pessoas e dois amplos espaços de aproximadamente 870m² cada, disponíveis no térreo e no terceiro andar do prédio, designados à realização de eventos variados. Desde sua inauguração, em outubro de 2018, até o final de junho de 2019, o espaço abrigou também a exposição “Os Planetas do Ziraldo”.

Mais exposição === A exposição Melhoramentos 128 Anos é baseada no acervo histórico da Cia. Melhoramentos e apresenta aos visitantes um rico patrimônio documental e museológico. É possível observar mudas das principais árvores que servem como base para a produção das fibras de alto rendimento. Também são explorados os principais momentos da produção de papel no Brasil, além da história do edifício, construído em 1948 e tombado pelo patrimônio histórico de São Paulo, que abriga a Casa Melhoramentos. Estão também expostos móveis antigos que resgatam o ambiente de escritório da Cia. Melhoramentos na época, cédulas que foram impressas pela Editora durante a Revolução de 32 e ainda exemplares de matrizes de litogravura – técnica de gravura que envolve a criação de marcas (ou desenhos) sobre uma matriz (pedra calcária) com um lápis gorduroso – que davam origem aos livros.


Serviço

Exposição Melhoramentos 128 anos

  • 2ª a 6ª feira, das 9 às 18 horas.
  • Entrada sujeita à capacidade do evento.
  • Rua Tito, 479 – Vila Romana – Telefone: (11) 3874-0543 – SP

<< Com apoio de informações/fonte: Jô Ribes Comunicação/Caroline Canazart >>

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