No dia 26 de abril de 1986 o mundo acompanhou com perplexidade as notícias de que uma explosão havia destruído o reator nuclear da usina de Chernobyl, próxima à cidade de Pripyat, na Ucrânia. Após o desastre, a região foi esvaziada e a população nunca mais pôde voltar, deixando suas casas, seus bens e, principalmente, suas histórias para trás. Essa é a tônica do espetáculo Chernobyl que está em cartaz até 22 de outubro (3ª feira), às 20 horas, no Espaço Beta do Sesc Consolação.

O texto, que está sendo encenado pela primeira vez, foi escrito em 2017 pela dramaturga francesa Florence Valéro, nascida no mesmo ano do acidente nuclear. “Profundamente agitada, saturada com informações sobre a catástrofe e suas precipitações, eu já não tinha gosto nenhum pelo naturalismo gélido e desejava recorrer à fábula para falar das raízes perdidas. Porque as vítimas de Chernobyl são exilados, gente forçada a deixar suas casas, sem jamais revê-las. Imaginei de partida os porta-vozes do conto, pesquisadores da zona de exclusão, convivendo com os vestígios radioativos. O que eles têm para nos dizer? Eles vão nos contar a história de que personagens?”, provoca a autora que deu vida à história.

Desde o início, o espectador é apresentado à boneca Antonia, protagonista-narradora da trama, cujos olhos de vidro cor esmeralda veem tudo ao redor. Antonia tem consciência do que está acontecendo, porém, assim como os demais personagens inseridos na catástrofe, sente-se impotente e incapaz de agir frente ao horror do que se anuncia. A boneca, do mais fundo de seu ventre, “deseja, sofre e grita”, enquanto acompanha a dor de “sua família” no exílio forçado, no desamparo pelas autoridades, na vida que ficou e nunca mais voltará.

As atrizes Carolina Haddad, Joana Dória, Manuela Afonso e Nicole Cordery revezam-se entre nove personagens que têm suas rotinas brutalmente alteradas pelo desastre nuclear. São pessoas comuns, famílias comuns, que poderiam ser descritas como vítimas de qualquer outro evento histórico de magnitude semelhante.

Extraindo beleza poética de um universo mergulhado no horror, Chernobyl reflete sobre as consequências da irrefreável sede humana por poder, lucro e supremacia, capaz de destruir pessoas, famílias, cidades e histórias.


Assista ao video com depoimentos/histórico da peça:


Ficha Técnica

Dramaturgia: Florence Valéro / Baseado:  “Vozes de Chernobyl”, do livro de Svetlana Aleksiévitch / Tradução: Carolina Haddad / Direção: Bruno Perillo / Elenco: Carolina Haddad, Joana Dória, Manuela Afonso e Nicole Cordery / Trilha Sonora e Operação de Som: Pedro Semeghini / Iluminação e Vídeo: Grissel Pinguillem / Cenário e Figurinos: Chris Aizner / Preparação Corporal: Marina Caron / Visagismo: Cristina Cavalcanti / Operação de Luz: Michelle Bezerra / Contrarregra: Júlia Temer / Assistente de Produção: Marcelo Leão / Estagiária de Direção: Madu Arakaki / Fotos de Chernobyl: Duca Mendes e Carol Thomé Fotos do espetáculo: Guy Pichard e Felipe Cohen / Produção: Anayan Moretto


Serviço

Chernobyl

  • Sesc Consolação
  • Endereço: Rua Doutor Vila Nova, 245, São Paulo – Informações: 3234 3000
  • Temporada: até 22 de outubro, 2ªs. e 3ªs. feiras, às 20 horas
    Local: Espaço Beta (3º andar)
  • Duração: 95 minutos
  • Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos
  • Ingresso: R$ 6,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados no Sesc e dependentes/Credencial Plena) | R$ 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor de escola pública com comprovante) | R$ 20,00 (inteira) 

<< Com apoio de informações/fonte: Assessoria de Imprensa | Sesc Consolação / Carlos Daniel Dereste >> === DiárioZonaNorte é o único veículo jornalístico que reconhece e dá crédito aos profissionais de Assessoria de Imprensa / Relações Públicas / Agências —que muito trabalham nos bastidores da notícia >>> ===

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