da Redação DiárioZonaNorte

Tudo tem seu tempo. Nem é diferente nos transportes públicos, que também receberam o efeito dos anos e se modernizaram. Assim foi desde o primeiro carro puxado por cavalos, nos anos 40, que se transformaram nos primeiros ônibus. Esses vieram do exterior para suprir a falta de produção nacional.  Na história, os “track-track” nos trilhos pelas ruas tortuosas da cidade com os bondes. E assim foi indo até o desenvolvimento das primeiras carroçarias brasileiras fabricadas em cima dos chassi de caminhões, ainda com o motor dentro do ônibus. Um barulho que não deixava muita conversa rolar e um calor de esquentar qualquer ser humano. Quem mais sofria eram os motoristas, pois o motor ficava ao lado deles – que ainda não tinham direito a insalubridade.

Os apertos == Os passageiros se acotovelavam dentro e se dependuravam nas portas, correndo sérios riscos. Nos pontos de ônibus – como na Praça da Sé ou no Vale do Anhangabaú – as filas eram imensas. Era um sacrifício enorme antes, durante e depois de cada viagem de ônibus. Nesta época, nem mesmo havia respeito aos direitos humanos, com a preferência às mulheres, as grávidas e os idosos. Não havia distinção e cada um sentava onde queria. Claro que havia os mais educados que ofereciam os seus lugares. << Para melhor ilustrar, assista o vídeo produzido por Jean Mazon e dirigido por João Doria (pai do atual prefeito) com o título “A Luta por Transportes em SP”, de  1952 – clique no link:  https://www.youtube.com/watch?v=shQSWIumUU8 >>

A evolução== Essas reminiscências marcam os tempos de nossos pais e avós, principalmente, os que mais sofreram a evolução dos tempos. Mas essa evolução, mais lenta naquela época,  trouxe a modernidade nos ônibus e os “chiques da época”, que todo mundo queria ter o privilégio de “ser o primeiro” na inauguração de uma viagem. Do nariz na frente, passou para o motor dentro – ao lado do motorista – e até chegar nos motores na parte traseira dos ônibus. Até a entrada do ônibus, pela porta traseira, e a descida pela frente, hoje foram invertidas. E o restante ia mudando conforme a evolução, como as janelas que se tornaram maiores e mais escamoteáveis. Tudo evolui.

Os busólogos == Foi nesta época de transição – década de 70 –  que surgiram os amantes dos ônibus, conhecidos como “busólogos”, que dissecam os modelos com um grande conhecimento. É mais que um hobby, uma paixão. E esses amantes do transportes foram favorecidos pela maior concentração em quantidade e variedade de modelos de ônibus urbanos, em São Paulo. Calcula-se mais de 20 mil ônibus rodando na região nos mais variados modelos – até os modernos bi-articulados com quase 30 metros de comprimento. E para dar mais apetite aos busólogos, o Terminal Rodoviário do Tietê (o 2º maior do mundo) desfila uma variedade de modelos. Ainda na prática da busologia, o modesto e não menos importante Museu dos Transportes da CMTC localizado na Av.Cruzeiro do Sul, no Canindé.

O moderno == E lembrar que a evolução dos transportes foi mais ligeira em outros países. É só imaginar que o  primeiro metrô do mundo foi o de Londres, há 150 anos, ainda movido a vapor enchendo as estações de fumaça. Enquanto aqui em São Paulo, o metrô teve a sua primeira linha em funcionamento em 14 de setembro de 1974 – ou seja, há 43 anos. E continua em atrasos em sua expansão pela cidade – o que contribui para os problemas do transporte urbano, no geral. O metrô tem a sua importância por forçar a evolução dos transportes coletivos e urbanos, que buscou a modernização dos ônibus em vários países.

Agora os ônibus são muito mais confortáveis, com vários serviços internos: ar condicionado, wi-fi, pontos de carregamento de celulares, iluminação em led, controle de velocidade e até imagens de televisão. As carroçarias se modernizaram, a mecânica tem novos conceitos e novos motores são apresentados com mais desenvoltura. O único lado ruim de toda a história é o trânsito da cidade, que cresceu com seus problemas, apesar dos “corredores de ônibus” no  desafogo de alguns itinerários.

O evento== É desta maneira que chega à sua 12ª edição a BusBrasil Fest uma exposição de ônibus antigos e novos, com entrada franca, que acontece no próximo domingo (25/11/2018), das 10 às 18 horas, na Praça Charles Miller, em frente ao Estádio Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu). Lado a lado, vários ônibus contando suas histórias e mostrando os investimentos e a importância na preservação do transporte público. O evento oferece a oportunidade de acompanhar de perto a evolução do transporte a partir da análise das tecnologias desenvolvidas no design, na mecânica, no conforto e na segurança nas últimas décadas. No evento, espaço especial para crianças e uma área de alimentação com food-trucks com diversas culinárias.

O ver e o sentir == Segundo os organizadores, “o objetivo é que, a partir da aquisição destes conhecimentos, o usuário comece a olhar de maneira diferente para o veículo, para que ele aprenda a valorizar, a respeitar, a zelar por aquilo que faz parte de sua vida cotidiana, de maneira direta ou indireta”. O artesão e motorista, de 38 anos, que também é busólogo e um dos organizadores, Juverci Mello das Neves, complementa: “Sabe-se que a admiração por ônibus não é ainda algo tão comum como a que se dá com carros antigos, aviões, caminhões, Fórmula 1 — ainda que com a expansão da Internet ela tenha se evidenciado muito em relação a 2001.  No entanto, há um público significativo que não só aprecia o ônibus como é capaz de descrever detalhes de sua composição (carroceria, modelo, ano, chassi, linhas, pinturas de época), especificidades que passam despercebidas do usuário comum”.  E durante a exposição, o estande da SP Trans  terá painéis para fotos, os visitantes tem direito a entrar nos ônibus, ver os detalhes e ter informações técnicas e operacionais dos modelos, através de monitores.

Um tour pela cidade === Estão programadas três viagens gratuitas no estilo “city-tour” — os ingressos devem ser retirados no local, no dia do evento, com antecedência — com 35 pessoas em cada ônibus. Neste roteiro, quatro ônibus (às 12h00, 14h00 e 16h00) com veículos da Sambaíba, Tupi Transportes e Alfa Rodobus, que farão passagens pelo Museu dos Transportes Públicos (Av. Cruzeiro do Sul – Canindé), onde estão ônibus e bondes antigos.  O museu fica na Zona Norte no bairro do Canindé e tem um acervo de cerca de 1.500 fotos e 1.500 livros, além de móveis, objetos e documentos sobre a evolução do transporte urbano, como uniformes, passes, catracas, miniaturas. Contém bonde puxado a cavalo, veículos da CET, Trólebus, o Fofão, Ônibus Executivo da CMTC – entre outros.

As participações == Serão mais de 70 ônibus e cerca de 50 empresas e de colecionadores particulares. Serão representantes de empresas urbanas, metropolitanas, de fretamento e rodoviárias, até de cobertura nacional. No local, estarão expostos ônibus do serviço normal e comum (Básico, Básico BRT e Padron) e de serviço seletivo, trólebus com bateria (circula no Corredor ABD) e o modelo Airport Bus Service. Já a  Empresa Metropolitana de Transporte Urbano (EMTU) estará presente por meio das concessionárias e permissionárias, expondo modelos que fizeram e fazem parte do dia a dia da população paulista. A SPTrans e outras empresas do país também participarão do evento.

A história == Como toda boa história é longa e cheia de dificuldades e detalhes, desde seu início. Mas aqui vamos resumí-la. O evento começou modestamente há 16 anos (2001) da reunião de amigos e apaixonados por ônibus, que já demonstravam um pouco de “busólogos”.  Alguns meses após, viria a primeira exposição na garagem do Expresso Redenção Transportes e Turismo (hoje não existe mais e no lugar está o Condomínio Residencial Veneza), na Vila Guilherme (Zona Norte/Nordeste), em 15 de dezembro daquele ano. Somente nove ônibus foram expostos e 50 pessoas estiveram no local.  Dois anos após, a segunda edição cresceu com 23 ônibus e um público de 500 pessoas, no mesmo local. No ano seguinte, a 3ª edição especial somente com 15 modelos antigos tornando-se a primeira exposição da América Latina com esses veículos. Houve até a presença de uma Jardineira Ford T de 1929 da Viação Caprioli.

A exposição ficava cada vez mais interessante e na 4ª edição, em 2004, já reunia mais de dois mil visitantes, com muitas novidades dos expositores com  32 ônibus. Tinha mais atrativos, até passeios em “city tour”. No mesmo ritmo de sucesso, uma nova exposição de 35 ônibus antigos aconteceu em 2005. Não houve a continuidade em 2006, já que a garagem do Expresso Redenção foi vendida. E, a convite, em 2007 a 6ª exposição foi fazer sucesso em Campinas, com 34 ônibus, vários expositores e um público de mais de mil pessoas.. No ano seguinte, foi a vez de Jundiaí com 11 ônibus e público acima de mil pessoas. Mas depois a praça em Campinas entrou em reforma por anos e a exposição não podem mais ser realizada – ficando interrompida por cinco anos. Até que em 2016 o Movimento de Defesa do Trólebus dá apoio à exposição e o retorno é programado para dezembro  na Praça Charles Miller, mas teve que ser adiado para 29 de janeiro de 2017 por causa do acidente aéreo com a Chapecoense e o uso do Pacaembu para jogos. Com essa mudança, houve a perda de participações caindo de 65 para 49 ônibus, mas houve uma grande repercussão com público superior a 10 mil pessoas. Há uma grande expectativa para 12ª edição,  deste ano, com um grande público e mais atrativos.

O retorno === Com tudo isto, ainda fica uma marcante declaração de um dos organizadores, o Juverci de Melo das Neves: “Uma exposição não é uma tarefa fácil de ser realizar, existem suas dificuldades e limitações, mesmo porque é uma exposição sem fins lucrativos, é difícil obter patrocinadores. Convencer uma empresa a disponibilizar um ônibus de forma gratuita para expor se torna um dos maiores desafios”. Mas, logo em seguida, justificou:”O mais importante é  a satisfação de receber o público, mostrar o que existe, sua evolução, e criar um vínculo de amor aos transportes. Marcar a história com as nossas participações”.


Orientações/Serviço

12ª BusBrasilFest – 25/11/2018 – Domingo – 10 às 18 horas

Praça Charles Miller – em frente ao Estádio do Pacaembu

Entrada Franca

(*) O local da exposição (Praça Charles Miller) será totalmente bloqueada para o evento. Não haverá local para estacionamento gratuito de carros particulares. Há os estacionamentos particulares próximo ao Estádio do Pacaembu.

Institucional Trevo

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