da Redação DiárioZonaNorte ===

A Portuguesa de Desportos deverá alugar  parte da área do clube, no bairro do Canindé — região central da cidade de São Paulo –,  para uma  nova  “Feira da Madrugada”. O proponente do negócio é o desconhecido grupo Upsurg Finance, que formalizou uma proposta no valor mensal de R$ 750  mil junto ao presidente  do clube Alexandre Barros.

Um milhão no cash == O acordo só não foi anunciado oficialmente, mas conforme fontes de dentro da Portuguesa de Desportos, a Upsurg Finance  já teria antecipado ao clube o valor de R$ 1 milhão através de um depósito bancário feito pela Trevo Administradora de Estacionamentos  e o dinheiro já  teria sido usado para pagar contas atrasadas de luz, água e parte do acordo trabalhista no valor de R$ 55 milhões, que levou o Canindé à leilão e envolve  cinco ex-atletas representados pela advogada Gislaine Nunes.  Hoje, a Portuguesa de Desportos deve mais de R$ 354 milhões.  Veja a matéria publicada pelo DiárioZonaNorte  aqui.

A  proposta enviada pela Upsurg Finance é dividida em duas etapas. A primeira é a locação da área para a “Feira da Madrugada” com duração de 36 meses, com opção de renovação.  Já a segunda etapa, inclui a participação da Upsurg Finance na construção de uma nova arena para a Portuguesa de Desportos,  pavilhões para eventos e um hotel.

A Upsurg Finance já iniciou a captação de comerciantes interessados para a locação dos boxes,  com a divulgação de um “spot”  (áudio) que mistura mensagens religiosas com a oportunidade de um recomeço em um novo lugar, veiculada  por meio de um carro de som que circula nas ruas do Brás e a distribuição de folhetos, orientando os interessados na locação dos espaços.  De acordo com a proposta enviada pela Upsurg Finance  para a Portuguesa de Desportos,  o valor de locação pago pelos comerciantes para cada box será de R$ 500,00 mensais.

A área que deverá abrigar a “Feira da Madrugada”  fica no  chamado “areião” na parte de trás do clube, indo até a Rua Azurita e é uma área cedida pela Prefeitura de São Paulo, em regime de comodato ao clube. Por esta razão, os membros do Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) se posicionaram contra o negócio.  Alí,  serão construídos  boxes para aproximadamente 2.000 comerciantes que ficaram de fora da ”Nova Feira da Madrugada”, que ocupava o Pátio do Pari – um  antigo pátio de estacionamento da Rede Ferroviária Federal (RFFSA).

A área do Pari  pertence  à União e  foi cedida à Prefeitura de São Paulo em 2002. Em 2005, a Prefeitura  construiu  um  galpão de 137 mil  m²  para abrigar cerca de 4.000 comerciantes que antes ficavam nas ruas da região da 25 de março entre às 03h e 10h da manhã.  Em  2015,  a Prefeitura de  São Paulo  realizou um chamamento público para reurbanizar a área e seu entorno, criando  o Circuito de Compras de São Paulo.

A proposta vencedora  foi a do consórcio Circuito de Compras São Paulo SPE (formado por Mais Invest S/A, de Minas Gerais,   Fundo Talismã e a RFM Participações),  que tem planos de reurbanizar a área, construir um hotel, um shopping e salas comerciais,  estacionamentos e áreas de alimentação. O contrato tem validade de 35 anos  e o  valor de R$ 1,5 bilhão. Também estão previstos investimentos de R$ 500 milhões por parte do consórcio. A parcela anual de compensação, a ser paga pela concessionária, é de aproximadamente R$ 5 milhões.

No acordo com a Prefeitura, os feirantes seriam deslocados para uma área anexa provisória  chamada de  Galpão Amarelo,  para que o consórcio pudesse dar inicio ao projeto de reurbanização. O Amarelão, como a área é conhecida, tem  pouco mais de 2.263 vagas – divididas em 1,8 mil boxes de 3 metros quadrados cada, distribuídos em dois andares interligados por escadas e rampas de acesso  e mais 463 boxes em uma tenda anexa ao Galpão.

Alguns comerciantes que ocupavam a área antes do chamamento público, continuaram no local sem pagar a locação para o Consórcio Circuito das Compras São Paulo SPE.  O imbróglio  entre os permissionários e o consórcio foi fruto de uma CPI presidida pelo vereador Adilson Amadeu  na Câmara Municipal de São Paulo, em junho de  2017

No dia 08 de abril, a Prefeitura de São Paulo recebeu a autorização para a reintegração de posse do local e demoliu o galpão.  Para voltar, terão que acertar os débitos e assinar um  contrato com a concessionária.  Mais de 2.700 comerciantes já formalizaram o acordo com a empresa.  Cerca de 2 mil comerciantes ficaram de fora do acordo e devem ser justamente estes  que ocuparão o espaço da Portuguesa de Desportos.

No dia 14 de abril, o juiz federal Victorio Giuzio Neto, anulou o contrato  de cessão do terreno entre a Prefeitura e a União, tirando do município o direito de fazer uso da área do Pátio Pari e licitá-la, como fez.  Na sentença, o juiz  destacou que o município ignorava as “irregularidades, inclusive na realização de obras” no terreno da feira. Além disso, afirmou que a cidade “nunca demonstrou disposição” em realizar essas regularizações e que houve “desvio de finalidade” no uso do terreno.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que, quando for notificada,  “vai  recorrer da decisão”. A decisão não deve ter efeitos imediatos. O consórcio Circuito de Compras afirma que continuará organizando a feirinha.

LimpaSP – estréia

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, entre com seu comentário
Por favor, entre com seu nome agora