da Redação DiárioZonaNorte

O tempo passa rápido e os problemas acumulam-se sem efetivas soluções dos anteriores. No ar, fica sempre o ambiente de alguma desculpa. É o que continua acontecendo no maior hospital público estadual da Zona Norte, o Conjunto Hospitalar do Mandaqui. Todos os finais de meses, os problemas retornam nas reuniões do Conselho Gestor, apesar dos esforços e vigilância 24 horas de seus conselheiros.  E novos problemas surgem como o local onde estão arquivados documentos do hospital, sem condições e sem segurança. E as desculpas acumulam-se.

Cadê a ficha do paciente? ====Outro caso preocupante. Segundo denúncias de pessoas ligadas diretamente ao hospital, o DiárioZonaNorte teve acesso às imagens impressionantes de salas de um prédio externo ao Conjunto Hospitalar do Mandaqui, que servem de arquivo de prontuários de óbitos, fichas de pacientes e de consultas. É um amontoado de envelopes com fichas médicas que se perdem pelo chão e velhas prateleiras já carcomidas até por cupins. Como sempre há uma desculpa, caso seja colocado que é “um arquivo-morto”, não se justifica dentro de um hospital estadual por razões óbvias. Ali prolifera muita sujeira, em condições para baratas e ratos – e outros insetos – a porta é com uma grade aberta. E pior ainda: não se registra o laudo do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (ACVB ) e nem mesmo existe um pequeno extintor de incêndio.  Na questão do ACVB, o Conselho Gestor informa que o Conjunto Hospitalar em todas as áreas não tem esse laudo do Corpo de Bombeiros, incluindo também o heliponto que, desde 2012, não pode receber o pouso de helicópteros já que faltam os laudos oficiais.

Até falta d´água === Uma semana não há enfermeiros suficientes para o atendimento; na outra semana, deficiência no atendimento com os médicos. Por outro lado, acumulam-se outras reclamações de mau atendimento aos usuários, que amanhecem e passam muitas horas no aguardo. Nesta semana, criou-se um novo problema interno da administração ao anunciar a falta d´água no Hospital do Mandaqui. O Pronto Socorro Infantil foi fechado na 2ª feira (08/10/2018) com previsão de reabertura ao meio dia do dia seguinte, quando haveria o término do conserto. Neste período,  não houve atendimento nem mesmo na ortopedia. Um hospital do porte do Mandaqui tem que ter esquemas de emergência, prioritários  e de segurança, até mesmo pedindo ajuda de outros órgãos ou diretamente da Sabesp.

Nem sobe, nem desce === Outro problema que vem desde o ano passado, é bem visível aos olhos de funcionários e pacientes: não há elevador funcionando. É uma reclamação atrás de outras nas reuniões do Conselho Gestor, mas a diretoria ouve, anota e dá desculpas. Mas o problema permanece e “se faz de conta” que as providências foram tomadas. Há relatos em quase todas as atas dos conselheiros e o caso faz parte das exigências de bom funcionamento em contratos com empresas prestadores de manutenção e serviço. E aí entra um detalhe: as peças tem que ser fornecidas pelo hospital, o que gera o problema de licitações para compra e demoras na burocracia dos pedidos. Um detalhe levantado na reunião: quando o elevador funciona, na precariedade, acaba transportando doentes e material de uso hospitalar, que pode ter contaminações.

Conselho Gestor à postos! === E, deste modo, o presidente da Executiva do Conselho Gestor do Conjunto Hospitalar do Mandaqui, Marco Antonio Nunes Cabral, vai acumulando problemas, cobranças e as desculpas. E o tempo passa e não se nota evolução nas providências.  Mais uma vez, Cabral abriu a reunião mensal no dia 26/09/2018 (sempre na última 4ª.feira do mês) com cerca de 40 pessoas presentes, entre conselheiros, representantes do hospital e de outras entidades. Mas sem a presença do novo diretor-geral do Hospital do Mandaqui — que está a dois meses no cargo –, Dr. Marcelo Barletta Soares Viterbo, que alegou ter sido chamado às pressas em uma reunião na Secretaria Estadual da Saúde. Desta forma, ele escalou como representante a Dra. Silmara Ziolli, acompanhada do Dr. Paulo Eduardo Ferraz  (Gerente do Pronto Socorro Infantil – PSI) e Dr. Eduardo de F. Pereira (Gerente do Pronto Socorro Adulto- PSA) – mais o Gerente Administrativo, Roberto Locher.

Sem lenço e sem documento === Quando se aguardava o primeiro assunto mais recente,  o Caso dos Crachás ( “Conselheiros não conseguem entrar no Conjunto Hospitalar do Mandaqui e são barrados nas catracas” – 25/09/2018 – clique aqui ), o presidente do Conselho Gestor, Marco Antonio Nunes Cabral, achou melhor não voltar ao assunto. Isto porque os crachás voltaram a funcionar nas catracas, com todos os conselheiros, depois de várias reclamações.  Mas ficou o registro do fato.

Informações inverídicas === Na sequência, Cabral informou que circulou notas  em grupos de WhatsApp, formados por funcionários do Hospital do Mandaqui, na tentativa para denegrir o trabalho do Conselho Gestor. Explicou que o Conselho Gestor não busca nada em prejuízo da diretoria,  médicos, enfermeiros ou funcionários, mas ao contrário, quer a melhoria das condições de trabalho para todos. Quando os problemas são mostrados tem a finalidade da busca de soluções. Os conselheiros são voluntários e sempre dispostos a ajudar. E  voltou a esclarecer que o Hospital do Mandaqui é “terciário” (especializado ou com especialidades, destinado a prestar assistência a clientes em outras áreas médicas além das básicas. É a atenção da saúde de terceiro nível, integrada pelos serviços ambulatoriais e hospitalares especializados de alta complexidade ). Desta forma, Cabral fez uma explanação e detalhamento a respeito do funcionamento e missão do Conselho Gestor. E a responsabilidade dos conselheiros de esclarecer e vigiar o bom andamento dentro do hospital, sem desmerecer ninguém. “Nosso trabalho é de forma propositiva, de ajudar. É buscar sempre as melhorias para o bem de todos”, acrescentou. E finalizou que a responsabilidade dos conselheiros é deixar claro que o Hospital do Mandaqui  não é no esquema de atendimento como acontece nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), mas deve-se preservar a imagem do lugar com atendimento a casos mais sérios. E fez críticas ao comportamento de alguns atendentes, que acabam criando situações negativas. Cabral repete situações passadas do Conselho Gestor que sempre colocou a importância de se trabalhar a informação e esclarecer os moradores, usuários e público.

Cadê o dinheiro? === Tudo surgiu em maio deste ano, quando a senadora Marta Suplicy visitou o Conjunto Hospitalar do Mandaqui (foto) e prometeu uma verba parlamentar para ajudar o hospital – veja a reportagem publicada aqui. E a promessa foi cumprida e o governo liberou R$7,8 milhões para aparelhos e reformas/obras. Mas até hoje não houve notícias sobre o andamento e liberação do dinheiro, nem pela direção do hospital e nem pela Secretaria Estadual da Saúde.  No dia 04 de outubro passado, o DiárioZonaNorte consultou assessores da senadora Marta Suplicy, em Brasília, que reafirmaram a preocupação na liberação da verba, mas que o assunto está em mãos do Ministério da Saúde. Estranharam que a direção do Hospital do Mandaqui não tenha  todas as informações via sistema (computadores), já que nada é transmitido verbalmente ou através do telefone. O jornal também encaminhou o assunto à Comunicação do Ministério da Saúde, que foi atendido diretamente pelo assessoria jornalística do gabinete do ministro Gilberto Occhi, através da seguinte mensagem: “ Sobre as propostas de aquisição de equipamento e material permanente para a unidade de Atenção Especializada em Saúde, de R$ 4 milhões; e de reforma da unidade de Atenção Especializada em Saúde, de R$ 3,7 milhões, no Conjunto Hospitalar do Mandaqui, em São Paulo,  o Ministério da Saúde informa que encontram-se em diligência, aguardando ajustes a serem realizados pela entidade hospitalar. Neste caso, não há como afirmar se de fato conseguirão efetivar as propostas ainda neste ano, pois depende da aprovação e do empenho dos recursos. Não é possível informar o prazo para finalização dos processos e nem como encaminhar nenhuma documentação, visto que as propostas ainda não estão aprovadas e vigentes”. Desta forma, conclui-se que a direção do Hospital do Mandaqui junto com a Secretaria Estadual da Saúde precisam agilizar a cobrança e as providências junto ao Ministério da Saúde, senão haverá a decepção da verba parlamentar “perder o efeito” e retornar aos cofres federais, sem resolver os graves problemas do hospital.

Choveu no molhado === Com este posicionamento, o DiárioZonaNorte encaminhou a nota acima do Ministério da Saúde para a Assessoria de Comunicação da Secretaria Estadual da Saúde,  lembrando que o assunto já teve a liberação de verba do presidente Michel Temer e do Ministro Gilberto Occhi, da Saúde. O e-mail foi encaminhado às 11h30 desta 3ª feira (09/10/2018), solicitando resposta segura e com detalhes de documentos por parte da Secretaria Estadual da Saúde e da direção do Conjunto Hospitalar do Mandaqui. Por último, a preocupação do Conselho Gestor da possibilidade da perda da “verba parlamentar” e retornar sem efeito ao Tesouro Nacional, já que estamos inclusive em final de mandato.  Depois de três pedidos de prorrogações (15h00, 16h00 e 17h00), somente às 18h38 – ou seja, sete horas depois do pedido –, a Assessoria de Comunicação da Secretaria Estadual da Saúde envia uma resposta superficial e que não responde o que se pede. Nesta resposta evasiva nada foi acrescentado:  “A Secretaria de Estado da Saúde informa que o projeto de emenda parlamentar está em fase final de elaboração. A verba será destinada para aquisição de equipamentos e investimento em reforma estrutural, com a finalidade de aprimorar as condições assistenciais já ofertadas à população”.

Mão de obra ociosa === O Dr. Sérgio Makabe, responsável pelo Ensino de Medicina e Pesquisa do Conjunto Hospitalar do Mandaqui com os estágios de estudantes na área de Medicina,  foi o convidado especial para esclarecer o convênio da Universidade 9 de Julho – UniNove, que acontece desde 2014.  Por uma mera coincidência, o Dr. Makabe é também o coordenador do Curso de Medicina da UniNove. No Mandaqui está desde 2007. Com exibição de telas pelo data-show, o médico explicou que o objetivo é a contratualização de profissionais, mas nada aconteceu até hoje, neste sentido. Com esse convênio, o Hospital do Mandaqui tornou-se um Hospital de Ensino e não um Hospital Escola. Ele quis mostrar os benefícios do convênio, que tem residências médicas com bolsas pagas, bolsas de estudo a funcionários, pós graduação de médicos pelo Mandaqui, capacitação de funcionário na área de gestão hospitalar e vagas nas Etecs, instituições privadas e filantrópicas como a Frei Galvão – entre outros itens.  Explicou que a residência é de especialistas e não generalistas, com médicos concursados.  Segundo ele, os alunos trazem material de uso (como luvas, máscaras, etc) que é entregue no almoxarifado do hospital. O Dr. Makabe foi indagado sobre a participação destes alunos em serviços internos do hospital, já que nota-se que não há um aproveitamento efetivo deles.

O duplo emprego === Outro assunto que ficou para ser  esclarecido foi a contraposição de horários  e funções da médica Dra. Zeni, que trabalha em dois empregos com horários próximos, no Ambulatório do Hospital do Mandaqui (estadual) e outro na Unidade Básica de Saúde (UBS) na Casa Verde (municipal). A médica presente na reunião confirmou, mas disse que os horários não são conflitantes e que consegue cumprir as duas atribuições.  A Dra. Zeni foi questionada sobre os cargos cumulativos  que prejudicam o desempenho no Mandaqui, já que tem havido graves problemas no ambulatório do hospital.  Esse assunto foi encaminhando ao Ministério Público e aguarda-se o retorno. A médica inclusive assume posicionamento no Ambulatório como se fosse da diretoria, conforme foi exposto por conselheiros. E deu a informação que as obras do telhado do Ambulatório não estão em andamento e “que não tem placa indicativa” deste serviço. (N.R.: o jornal foi ao local e encontrou a placa indicando a reforma do telhado em frente ao Ambulatório, com valor de R$1.425.054,16 com início da obra em 04/09/2018 no prazo de 110 dias, sob a responsabilidade da Ney Costa Engenharia – a bem da verdade, não foi notado trabalhadores no local).

O fim da reunião === Outros assuntos entraram em pauta: implantação de um estacionamento em melhores condições; o caso do corredor seguro para os idosos do Conselho de Referência do Idoso (CRI) para aulas de ginástica; podas de árvores irregulares; a posse do terreno onde está o Clube Pinheiral, que pode ser usado pelo hospital; o referenciamento do hospital; entre outros que serão revistos na próxima reunião do Conselho Gestor, marcada para 31 de outubro (sempre na última 4ª feira do mês), pontualmente às 9 horas, no subsolo do Hospital do Mandaqui. A presença de muitos moradores, usuários e representantes de entidades é de grande importância para o encaminhamento dos assunto e melhoria dos serviços do Conjunto Hospitalar do Mandaqui.


Leia mais:  “Os problemas continuam no Hospital do Mandaqui e o novo diretor-geral ficou sabendo um pouco mais”.  (02/09/2018) – Clique aqui para ler. E pesquise mais como Hospital do Mandaqui.


 

 

 

 

 

 

 

 

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