A peça parte de um caso verídico, uma controversa investigação de um caso ocorrido em Milão, em 1969, e tem como pano de fundo os ataques a bomba que feriram e mataram dezenas de pessoas nas cidades de Milão e Roma. O mote é o suposto suicídio de um anarquista acusado pelos atentados que teria se jogado da janela do prédio da polícia durante o interrogatório. O caso ficou nebuloso com as diversas versões e incoerências nos depoimentos dos policiais envolvidos, porém ninguém foi condenado por falta de provas.

Um ano após o episódio na história da Itália, Dario Fo estreou sua peça ficcional, uma comédia, que coloca dentro da delegacia naquele dia a figura de um louco revelando práticas de torturas física e psicológica nos interrogatórios policiais. Na dramaturgia, o louco é acusado de falsidade ideológica, por se passar por outras pessoas, porém se revela mais esperto que o delegado e, ali mesmo, engana a todos fingindo ser um juiz.

O que teria acontecido realmente naquele dia? O anarquista se jogou ou fora jogado do quarto andar? A polícia afirma que o anarquista teria se jogado pela janela do quarto andar, a imprensa e a população acreditam que ele tenha sido jogado. O louco brincando com o que é ou não é real vai desmontando o poder e revelando a verdade ao assumir várias identidades como médico cirurgião, psiquiatra, bispo, engenheiro naval, entre outras, além de juiz. Os espectadores se tornam aliados tanto do ator quanto do personagem e ao serem convidados a participar trazem à tona flashes do momento político atual do país para ajudá-lo na reconstituição do suposto crime.

Morte Acidental de Um Anarquista é a peça mais conhecida e premiada de Dario Fo. Montada no mundo inteiro, recentemente, em Londres, foi encenada com referências ao caso Jean Charles (brasileiro que ficou conhecido após ser confundido e assassinado erroneamente pela Scotland Yard no Metrô de Londres). No Brasil, já foi montada com Antonio Fagundes e Sérgio Britto como protagonistas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Nesta montagem, há 4 anos em cartaz, com direção de Hugo Coelho, o público é saudado pelo elenco no hall do teatro e convidado a entrar na sala de espetáculo. Já no palco o elenco conta rapidamente o que aconteceu na vida real e explica o porquê de montar o espetáculo, seguindo a estratégia que Dario Fo utilizava em suas apresentações visando uma aproximação e reconhecimento do público. Em seguida, os espectadores são convidados a tirar dúvidas a respeito do caso e, só depois de todos estarem prontos, o espetáculo começa.


Ficha técnica

Texto: Dario Fo / Tradução: Roberta Barni / Direção: Hugo Coelho / Elenco: Marcelo Laham, Henrique Stroeter, Claudinei Brandão, Alexandre Bamba, Maira Chasseraux e Rodrigo Bella Dona / Sons ao vivo: Demian Pinto / Cenário: Marco Lima / Figurino: Fause Haten / Iluminação: Hugo Coelho / Assistente de Direção: Maira Chasseraux / Assessoria de Imprensa: Morente Forte / Projeto Gráfico: Denise Bacellar / Foto de Estúdio: Heloísa Bortz / Fotos de Cena: Erik Almeida / Filmagens e Edições para Web: Tropico Filmes / Realização: RMR Produção Artística Ltda e 10ª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro para a cidade de São Paulo – Secretaria Municipal de Cultura.


Serviço

MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA

  • Local: Teatro Alfredo Mesquita (198 lugares)
  • Endereço: Avenida Santos Dumont, 1770 – em frente ao Campo de Marte
  • Transporte: Metrô Santana e Carandiru
  • Estacionamento: no local e gratuito
  • Informações: 2221.3657
  • Espetáculos:  6ª feira, sábado às 21h | Domingos às 19h
  • Temporada: até 01 de maarço de 2020
  • Gênero: comérdia – Duração: 90 minutos – Classificação indicativa: 10 anos
  • Ingressos: Gratuitos / Distribuição será realizada uma hora antes da apresentação
  • Obs.: *Não haverá apresentação nos dias 21, 22 e 23 de fevereiro*

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LimpaSP – estréia

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