“Mato” (de mata) refere-se a um terreno inculto onde crescem plantas agrestes. Averiguando o sentido histórico da palavra, podemos perceber que mata vem da ação de matar, tirar a vida de alguém ou algo, exterminar a existência do outro, de um ser vivo; ação de sair para os grandes campos para caçar e/ou lutar. Como por exemplo, os famosos capitães do mato que perseguiam os escravizados que fugiam das senzalas no Brasil. Já a palavra “cheio” contém tudo aquilo que é capaz, completo, repleto; algo em grande quantidade ou carregado. Se juntarmos as duas palavras teremos uma frase com duplo significado.

No nosso contexto, o mato está cheio de pessoas escravizadas e fugitivas que lutam pela sobrevivência. A fuga de pessoas que foram tiradas de suas terras para servir de mão de obra em países desconhecidos, cuja construção se deu em cima de um pensamento escravocrata e segregador pelo desenvolvimento do capitalismo; e como se deu no Brasil, o comércio do açúcar e do ouro no Nordeste e Sudeste. Uma narrativa localizada na região do Jabaquara, caminho para o mar na cidade de Santos.

A região contém a lendária casa do sítio da ressaca, construção bandeirista de 1719 que serviu como quilombo de passagem aos escravizados que fugiam pelas linhas férreas em direção aos quilombos do litoral, e posteriormente o mar. Foi em cima desses mitos que foi construída a dramaturgia do espetáculo, que discute as rotas, trânsitos e fuga na contemporaneidade, interseccionando a relação do corpo negro através das histórias dos atores criadores e as narrativas dos moradores sobre o mito de fuga dos escravizados no começo do século XVIII.

No palco === Livremente inspirado pelo mito popular dos escravizados que fugiam pelas linhas férreas em direção ao mar, passando pela Casa da Ressaca – quilombo de passagem do começo do século XIX – até chegar aos quilombos da cidade de Santos, no litoral sul de São Paulo. Gasta-Botas, Salgada e Ninguém de Oliveira Neta dividem o mesmo corpo-imagético, uma personagem vista de três perspectivas diferentes que caminha em busca de si e do lugar que ocupa. Elxs anseiam em chegar ao mar, mobilizados pela personagem Fogo, traduzido por Picita: mulher negra, não-ficcional, fato que a história pretende apagar


Ficha técnica:

Direção geral: Ivy Souza
Dramaturgia: Jhonny Salaberg
Elenco: Anderson Sales e Isamara Castilho


Mato Cheio

  • Local: Teatro Municipal de Santana Alfredo Mesquita – TAM (Teatro)
  • Endereço: Av. Santos Dumont, 1770 – Santana, SP – em frente ao Campo de Marte
  • Informações: 11 2221-3657 
    Período: até 17/11/2019 – sábados e domingos
    Faixa ou indicação etária: 12 anos
  • Horários: 21h00 (sábado) e 19h00 (domingo)
  • Duração: 90 min
  • Ingressos: R$ 30,00 (inteira)

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