por Aguinaldo Gabarrão (*)

A turma 37 do Técnico em Teatro do Senac Santana apresenta em curtíssima temporada no mês de maio, o espetáculo Maria Peregrina, texto do premiado dramaturgo paulista Luis Alberto de Abreu.

Os doze atores vieram de regiões e cidades diferentes, e a Zona Norte está representada por quatro de seus integrantes.  O grupo recebeu a orientação geral de Janaina Meireles e Danilo Caputo, responsáveis também pela direção do espetáculo.

Mulher comum ou santa? ===  A personagem central realmente existiu. Morou nas décadas de 40 a 60 em São José dos Campos. Era também conhecida como “Nega do Saco”. Após a sua morte em 1964, o tempo, a memória e a imaginação populares deram a ela a ascendência religiosa, tornando-a uma “santa popular”. E, até hoje, seu túmulo recebe pedidos de graças e milagres.

A peça conta a trajetória mística de Maria Peregrina por meio de três histórias aparentemente distintas: “Tereza e Aventino”, “Tiodor” e “Às margens do Paraíba”.

O objetivo principal do dramaturgo foi resgatar a cultura popular do Vale do Paraíba, a partir dessa figura tão emblemática. Porém, historicamente pouco se sabia dela, o que permitiu ao dramaturgo Abreu construir um universo particular e lúdico, com poesia e humor.

“O que o tempo desfaz, a memória refaz” ===  A concepção do espetáculo foi colaborativa, ou seja, todos participaram do processo criativo a partir das pesquisas, exercícios e vivências. É perceptível a coerência dos elementos cenográficos, músicas do cancioneiro popular, figurinos e adereços com o fio condutor da história: a memória.

Fios de sisal formam ao fundo do palco um corredor, espécie de nicho, do qual as personagens emergem em momentos específicos ou ali se ocultam, como expectadores do tempo que a tudo desfaz.

Outra parte dessa composição de sisal possui fotos dos atores em momentos distintos de suas vidas. Elas pedem do teto, muito próximas da platéia, o que permite ao público percepções sobre esses tênues ligamentos da linha da vida e das suas lembranças.

 “Toda vez que eu dou um passo…” ===  A montagem faz parte da conclusão do curso profissionalizante de teatro e, em vários momentos, surpreende pela ousadia da proposta: estabelecer nichos de representação em todo o espaço disponível na sala e fora dela, além de estabelecer um diálogo permanente com o público. E, por sua vez, os atores fazem valer em seu trabalho a frase da música que cantam: “Toda vez que eu dou um passo, o mundo sai do lugar”.

Confira as boas surpresas desta encenação.

FICHA TÉCNICA

Texto: Luis Alberto de Abreu / Orientação Geral e Direção: Janaína Meireles e Danilo Caputo

Elenco:  (por ordem de entrada) Ayla Camilla, Ricardo Rosin, Lilia Salignac, Eduardo Rodrigues, Claudia Pool, KW, André Furkin, Lu Gz, Juciara Ap, Felipe Santos, Alan Silva e Stefherson Branco

Direção musical: Rafael Nascimento / Figurino, Maquiagem e Sonoplastia: o Coletivo / Iluminação: Janaina Meireles e Danilo Caputo / Arte:  Aylla Camilla / Programa de divulgação: Stefherson Branco / Técnica de Área: Patricia Freitas / Fotos: Patrícia Mota

Apoio: Senac


SERVIÇO

MARIA PEREGRINA

Senac Santana – Auditório

Rua Voluntários da Pátria, 3167, Alto de Santana, São Paulo, SP

Dias:  Últimos dias –  24 (5ª feira) e 28 de maio (2ª feira)

Horário: 20 horas – Classificação: Livre – Entrada: Gratuíta (*)

(*) Atenção: retirar ingressos com 1 hora de antecedência no Atendimento da Unidade.


(*) Aguinaldo Gabarrão, ator. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações. Adora cinema. Atua também no segmento corporativo por meio de cursos, treinamentos e palestras com as técnicas do teatro.


Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.

LimpaSP – estréia

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