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Janelas abertas e os cuidados com os morcegos dentro das residências

Tão urbanos quanto um paulistano, morcegos incomodam em dias de calor”, é o título da matéria de Emilio Sant´Anna publicada na Folha de S.Paulo deste domingo (04out2020), na página B-4 do Cotidiano. E a matéria vai logo avisando no subtítulo: “Recomendação é nunca entrar em contato com o animal, que pode transmitir raiva para humanos”.

O repórter relata casos de invasões de morcegos próximos do centro da cidade, em seu habitat nas árvores de praças.  Lembramos que os  morcegos tem um papel importante no meio ambiente e a espécie é cercada de mitos.

Os cuidados na Zona Norte-Nordeste

Nestes casos, a região da Zona Norte-Nordeste, pelo menos, pode relacionar parques como os da Vila Guilherme-Trote, Parque da Juventude,  Lions e Sena no Tremembé, ou Faria Lima no Parque Novo Mundo, entre outros,  e nada mais do que o Horto Florestal. Ou até como aviso aos moradores da Serra da Cantareira e Mairiporã.

Os outros nomes e locais podem ser facilmente lembrados e relacionados acima. Sem contar as inúmeras praças com suas árvores, ou até em avenidas. Devemos pensar que os morcegos vivem em seus direitos e locais da natureza, pois os humanos invadiram seus espaços. E o que nos resta é conviver com eles e ter os cuidados necessários.

As janelas e portas abertas

É isto que a matéria da Folha de S. Paulo mostra por causa da chegada da Primavera e do forte calor que enfrentamos, no momento. Com isto, os moradores deixam as janelas e portas de residências e apartamentos, totalmente abertas e escancaradas para os morcegos buscarem refúgio – até com as baratas voadoras, entre outros insetos.

O repórter lembra que ”na capital paulista, além de 11 milhões de habitantes, há nada menos de 43 espécies de morcegos plenamente adaptadas à vida urbana”. Prossegue para informar que apenas duas delas são hematófagas – que se alimentam de sangue – e o dos humanos não é a sua preferência. “As demais 41 espécies comem frutas e pequenos insetos no cardápio diário”, prossegue.

Os perigos de contaminação

E explica que, no entanto, podem transmitir a raiva para humanos e outros animais. E as fezes dos morcegos, com os fungos se inalados em ambientes fechados,  transmite a histoplasmose, que pode causar inflamação nos pulmões e outros órgãos, até levando à morte.

O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) faz um trabalho de prevenção coletando morcegos nos parques da cidade para testar se tem raiva ou não. Ouvido na matéria da Folha, um técnico responsável da CCZ informou que, desde 1983, a cidade não registra nenhum caso em humanos ou animais. <Saiba mais sobre a CCZ clique aqui>>

Os casos registrados

E, para ilustrar, a matéria informa que neste ano, de janeiro a setembro, foram 98 casos; no ano passado, registrou-se 175 casos. E a recomendação é de “nunca encoste em um morcego, vivo ou morto” e se for mordido por um deles – nunca fazer procedimentos caseiros –, procurar imediatamente um posto médico para ser avaliado por um médico e receber a vacina contra a raiva.

Se o animal entrar dentro da residência e estiver no chão, pode-se tentar prendê-lo com um balde ou objeto semelhante, mas sem tocá-lo. Não sendo possível, deixe o ambiente. E ligue para o serviço da Prefeitura, no telefone 156, e peça ajuda. A Zoonoses tem 30 especialistas nesta área e atendem 24 horas por dia.

As recomendações e os cuidados

E no final da matéria da Folha de S.Paulo, há as recomendações sobre o que fazer caso um morcego entre em sua casa:

  • Ligue para 156 da Prefeitura de São Paulo;
  • Não manipule nenhum tipo de morcego, vivo ou morto;
  • A captura deve ser realizada por profissionais especializados e legalmente autorizados;
  • Não utilize produtos químicos para desalojá-los;
  • Caso alguma pessoa tenha algum contato com morcegos, deverá procurar, com urgência, orientação médica;
  • Caso uma animal entre em contato com morcegos, procure um médico veterinário ou o Centro de Controle de Zoonoses.
Uma espécie incompreendida

Vários mitos e histórias fizeram dos morcegos uma espécie incompreendida ao redor do mundo. Isso faz com que muitas das vantagens que esses animais proporcionam ao meio ambiente sejam desconhecidas.

Esses voadores, únicos em seu tipo, são fundamentais para um bom desenvolvimento do meio ambiente, pois como polinizadores, dispersores de sementes e controladores de pragas, mantêm a biodiversidade dos ecossistemas que habitam em equilíbrio.

São registradas mais de 1.300 espécies no mundo, representando 20% das variedades de mamíferos do planeta.

Os morcegos têm uma grande importância ecológica devido ao seu impacto positivo na natureza.

– Estes animais são essenciais na manutenção e regeneração de florestas. Seu “guan”, (deriva do quíchua “wánu”, “fertilizante”) serve como fertilizante em grandes quantidades. Isso faz com que seja uma alternativa natural e orgânica para o cultivo agrícola.
– Quando comemos uma fruta tropical, não podemos imaginar que poderia ter sido um morcego que agiu como um polinizador ou dispersou a semente que fez a árvore crescer.
– Também devemos agradecer outras ações, como a eliminação de mosquitos que se tornam portadores de várias doenças.

O morcego elimina insetos e pragas que consomem as culturas.

O principal perigo que as populações de morcegos enfrentam é o ataque direto do ser humano. Infelizmente, em muitas ocasiões é absurdamente incitado, seja por causa de sua aparência particular, seus hábitos noturnos ou toda a série de mitos incomuns que os cercam.

 

A realidade é que, apesar de serem considerados “vampiros”, ou seja, consumidores de sangue, apenas 3 espécies são hematófagos.

Já que se alimentam de sangue bovino, principalmente vacas. A ingestão de sangue desses morcegos é mínima, o que desmistifica o fato de que eles afetam a indústria pecuária.

No entanto, eles também enfrentam outras ameaças devido a vários fatores, entre os quais:

– A Síndrome do Nariz Branco é uma doença que já matou mais de um milhão de morcegos em menos de quatro anos.
– Os pesticidas.
– A destruição do seu habitat.

Para os especialistas, é imperativo cuidar dessa espécie e quebrar muitos mitos e mentiras sobre eles. Visto que, algumas pessoas têm repulsa. Além disso, grande parte da população não conhece o papel benéfico que desempenha.

Sobre o  CCZ 

Mais orientações e medidas preventivas sobre morcegos do Centro de Controle de Zoonoses – clique aqui

Contatos importantes:

DIVISÃO DE VIGILÂNCIA DE  ZOONOSES

  • Endereço: Rua Santa Eulália, 86, Santana
  • Localização: Próximo metrô Carandiru e Campo de Marte
  • Email: zoonoses@prefeitura.sp.gov.br  (nos dias úteis)
  • Portal 156sp156.prefeitura.sp.gov.br
  • Telefone: 156 (escolher opção 2 — depois opção 3)
  • PLANTÃO 24 horas – Atendimento presencial das 7h às 19h e telefônico das 19h às 7h (noturno) –     Telefones: (11) 3397-8913 e 3397-8957

<<Com apoio de informações/fontes: Folha de S.Paulo, National National Geographic  e Prefeitura de São Paulo-Centro de Controle de Zoonoses>>