Quando falamos sobre sofrimento emocional e psíquico acessamos o mundo subjetivo do ser e essa questão é amplamente impactada pela forma como cada um se relaciona com o mundo, suas crenças, valores e sua visão de mundo. O ser humano por si só e de uma forma inata tem uma capacidade de se organizar frente aos fenômenos que ocorrem ao longo de sua vida, mas em alguns casos, independente da ordem e dimensão desses fenômenos ocorre a presença de sofrimento emocional e mental através de sintomas, segundo o psicólogo Gilmar Rodrigues, entre eles: Mudança no padrão de comportamento; Alteração de humor; Alteração no padrão de sono e alimentar; Isolamento social; Perda ou ganho de peso; Perda de interesse em atividades que eram frequentes; Baixa autoestima.

Os números === Dentre as principais doenças relacionadas à saúde mental e emocional estão: depressão, ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo, síndrome do pânico, esquizofrenia, estresse pós-traumático e síndrome de burnout, luto, fobia e medo. Segundo os dados da OMS em 2017, a depressão foi considerada a principal causa, atingindo mais de 300 milhões de pessoas no planeta; a ansiedade e depressão atingem um a cada 5 adolescentes de acordo com dados do segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) da UNIFESP, entre os adultos o número chega a 39%. O relatório aponta que a cada 20 brasileiros um já tentou tirar a própria vida, o que representa cerca de 10 milhões de pessoas. No Brasil, de acordo com o DATASUS e o IBGE, os suicídios cresceram 95% em uma década.

Os desafios === Levando-se em conta que alguns desses sintomas são considerados “comuns”, muitas pessoas não têm a capacidade de identificar que isso se trata de sofrimento emocional e mental, situação essa que pode ao longo da vida tornar mais grave sua saúde mental, implicando em grandes prejuízos em sua condição existencial no todo. Ainda segundo o psicólogo, o desafio de aceitar ou não procurar um profissional de saúde mental, também envolvem várias questões. “Um dele é o tabu, pois quem procura um profissional de saúde mental ainda hoje e visto como “anormal”, a falta de informação e conhecimento sobre o real trabalho do Psicólogo, outro é a dificuldade para entender e aceitar que sofrimento emocional e psíquico são reais e causam grande impacto na vida das pessoas e um trabalho de conscientização, sensibilização e divulgação sobre o tema ajudaria a sociedade num todo a aproximar-se dessa questão que é de extrema relevância”, destaca.
“Janeiro branco” (*) foi criado para propor essa reflexão nas pessoas: o quanto elas conhecem sobre si próprias e suas emoções. É uma época de contribuir para o desenvolvimento e disseminação do conceito de psicoeducação entre as pessoas e as instituições, favorecendo o desenvolvimento de políticas públicas relativas ao universo da Saúde Mental em todo o país e no mundo.
As razões === Para Juliana Guedes, psicóloga do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer – IBCC (*) – Unidade do Jaçanã, a nossa sociedade é produtora de sofrimento psíquico e encontra relevantes dificuldades para compreender e estabelecer importantes críticas e reflexões nos meios sociais e familiares sobre o estabelecimento das relações e a produção desse sofrimento. “Estamos imersos em uma sociedade em que o sucesso, o dinheiro, o corpo estão colocados como ideias, em que o sujeito precisa ser perfeito em todos os aspectos de sua vida, para que então seja digno do olhar e da admiração do outro. Vivemos em tempos de ideias, de sujeitos perfeitos, que não podem carregar em si e não suportam a própria falta e a falta do outro. Encontramos sujeitos que não estão apropriados de seus desejos, mas vivenciam o desejo que é do outro, o desejo que lhe é imposto. Com isso, esse sujeito vai cada vez mais se distanciando de si, produzindo então, grande sofrimento psíquico. Esses são algumas das fontes dos adoecimentos, como a ansiedade, a depressão os chamados transtornos de pânico e alimentares, insônias, nos revelando sintomas da vida de um sujeito em conflito consigo, com seus desejos e com as necessidades sociais impostas”, detalha a psicóloga.
Estar atento a si mesmo é extremamente importante para que se possa reconhecer quando algo não vai bem, quando há um momento de maior fragilidade emocional, segundo Juliana. “Reconhecer quando essas mudanças em seu dia a dia e sua rotina acontecem é uma forma importante de reconhecer o próprio sofrimento e o quanto esse sofrimento atravessa a sua vida, e estar minimamente disposto a olhar para esse momento é um dos caminhos para começar a compreender a necessidade do cuidado e da procura de um profissional”, acrescenta. É preciso estar disposto ao cuidado e possibilidade de mudança, além de também ser necessário se despojar de seus próprios preconceitos diante do psicólogo. A construção de críticas e reflexões nos ajudam a olhar para a produção de sofrimento com novas perspectivas.
(*) Sobre Janeiro Branco ===  A maior Campanha do mundo em prol da construção de uma cultura da Saúde Mental na humanidade nasceu no Brasil e conquistou o apoio de Conselhos Regionais de Psicologia do país.  O Projeto Janeiro Branco faz do mês de janeiro um marco temporal estratégico para que todas as pessoas reflitam, debatam e planejem ações em prol da saúde mental e da felicidade em suas vias. Incentive na participação de todos!
(*) Sobre o IBCC ===  O Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC) é um hospital especializado no diagnóstico e tratamento do câncer. Com atenção especial ao paciente, desde sua chegada ao hospital até o momento de sua alta, o IBCC é reconhecido pelo tratamento humanizado, característica marcante de suas equipes médicas e de enfermagem e dos demais profissionais que atuam no hospital. << Com apoio de informações/fonte: Ass.Comunicação do IBCC >>
CenterNorte Institucional Maio2019

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, entre com seu comentário
Por favor, entre com seu nome agora