da Redação DiárioZonaNorte ===

O Conjunto Hospitalar do Mandaqui, na Zona Norte, com  seus 80 anos de fundação, poderia ser a base de um roteiro de telenovela ou filme. Tem muita história para contar e um enredo para desenrolar, ainda mais agora neste imbróglio de situações desagradáveis que estão em capítulos diários. Não faltarão os canastrões e até o povo sofrido em bancos de espera, por horas! De outro lado, as fofocas e as mentiras maquiadas de chefes e outros políticos. E a situação aumenta a cada dia que passa, ainda mais com a saúde de pessoas. E como disse uma senhora no banco de espera: “Não adianta esconder as verdades porque naturalmente elas aparecerão mais adiante, como está acontecendo”.

Responsáveis na Comissão de Saúde da Alesp === Há poucas semanas (05/02/2019), o diretor técnico do hospital, Dr. Marcelo Barletta Soares Viterbo (reveja a reportagem aqui ), esteve na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), presidida pelo deputado Edmir Chedid (DEM), e  foi um depoimento pouco esclarecedor da situação do hospital, classificando como “pontuais” os problemas na unidade e evitou assumir compromissos.

Já duas semanas após (19/02/2019), o Secretário Estadual da Saúde, Dr. José Henrique Germann Ferreira,  foi convidado para fazer um balanço das realizações naquela pasta, mesmo tendo assumido há pouco tempo – em janeiro. Mas falou-se pouco do Hospital do Mandaqui e não houve abertura para a fala de representantes na plateia – inclusive do Conselho Gestor, que foi abruptamente dissolvido –  ( reveja a reportagem aqui ).

Cadê o plano emergencial? === O  deputado da Comissão de Saúde,  Edmir Chedid, cobrou um plano de ação emergencial da Secretaria de Saúde do Estado para resolver a grave crise do hospital.  Ele tomou conhecimento que desde 2017, a unidade é alvo de denúncias por falta de médicos, equipamentos sucateados e superlotação (com pacientes internados em macas nos corredores). Junto com o pedido ratificando as urgentes providências, o deputado encaminhou ao Secretário da Saúde, Dr. José Henrique Germann Ferreira, um relatório com informações veiculadas na Imprensa (ver também a relação de reportagens no final desta reportagem), documentos e atas do Conselho Gestor do Hospital Mandaqui – que está paralisado desde dezembro de 2018. “Considerando a relevância do caso e a insuficiência de esclarecimentos até aqui, queremos saber qual é o plano da secretaria para resolver os problemas apontados”, disse o deputado.

“A situação é grave. Não dá mais para esperar”, completou o parlamentar. Além dos problemas diretamente relacionados ao atendimento, há outros. Infiltrações no prédio, manutenção precária de elevadores e aparelhos de ar-condicionado e até falta de higiene (inclusive, com presença de ratos) são alguns deles.

Conselho Gestor, “a voz do povo” ===  O Conselho Gestor foi criado em 1996 e passou por várias fases, sempre com os conselheiros como voluntários. São pessoas normais, com seus compromissos profissionais e familiares, que se dedicam a uma causa social. No caso do Hospital do Mandaqui, esses voluntários estavam em rondas em vários períodos – até de madrugada, feriados e finais de semana. A questão maior são os serviços precários e falta de condições de trabalho, nada contra médicos, enfermeiros e funcionários. “O nosso objetivo sempre foi buscar o melhor para os usuários, chamando a atenção da direção o que estava dando errado para os acertos”, conta o presidente do Conselho Gestor, Marco Antonio Nunes Cabral. E acrescenta que não havia diálogo aberto e providências reais da direção do hospital, além da falta de interesse da Secretaria Estadual da Saúde. “Nas gestões anteriores e na atual não tivemos a oportunidade de uma reunião com o Secretário – e nem com seus subordinados diretos”, acrescenta Cabral. E finaliza que não houve transparência nos contratos de prestação de serviços, que apesar da insistência dos conselheiros, não eram abertos. No caso da dissolução do Conselho Gestor, Cabral disse que ficaram surpreendidos, “de uma hora para outra, sem a oportunidade de uma reunião”.

Os olhos alheios podem enxergar longe === Mas tudo está mostrando onde está a razão, quais são os caminhos e como ser melhor opção para a população. Nesta 3ª feira (27/02/2019), os telespectadores do telejornal matinal  Bom Dia São Paulo da Tv Globo foram surpreendidos com mais uma notícia da situação do Hospital do Mandaqui. Uma senhora de 76 anos ficou mais de 10 horas à espera de atendimento. No salão de espera lotado de gente, muitos casos semelhantes. No corredores do hospital, mais de 15 macas com pacientes. E para piorar a situação: o hospital ficou sem energia elétrica e o gerador não funcionou. Após a reportagem, o Secretário Estadual da Saúde, Dr. José Henrique Germann Ferreira, foi entrevistado por telefone, ao vivo, e deu as desculpas corriqueiras. O apresentador Rodrigo Bocardi até comentou: “que seria melhor que o Secretário morasse no hospital” para não deixar os problemas acontecerem. (Assista na íntegra da primeira  reportagem do Bom Dia São Paulo de 26/02/2019 – clique aqui e da segunda reportagem do Bom Dia São Paulo de 27/02/2019 clique aqui. Entrevistas do Secretário Estadual da Saúde e do diretor do Hospital do Mandaqui )

A Justiça deve decidir === Enquanto a situação tomou outros rumos, o presidente do Conselho Gestor do Conjunto Hospitalar do Mandaqui, Marco Antonio Nunes Cabral, abriu um Boletim de Ocorrência  (B.O.) no Distrito Policial do Mandaqui.  Em seguida, procurou a Justiça do Estado de São Paulo para esclarecer se é realmente legal o ato administrativo expedido e consumado pelo diretor do hospital, Dr. Marcelo Barletta Soares Viterbo. Ainda mais ter ido em sentido contrário às normas legais e democráticas, com o encerramento arbitrário do Conselho Gestor, não seguindo às orientações do Conselho Nacional de Saúde, órgão consultivo do Sistema Único de Saúde (SUS), e aos princípios de democratização e humanização da saúde, como prescritos na Lei do SUS.

O pedido de Mandado de Segurança, com 138 páginas, teve de início negado o pedido liminar pela complexidade da matéria. Citado o hospital, o  diretor Dr. Marcelo Barletta Soares Viterbo,  limitou-se a responder à Justiça Paulista que não era competente para tal. A Procuradoria Geral do Estado,  limitou a se habilitar nos autos até o momento, enquanto isso, o Ministério Público Estadual (MP-SP), órgão Constitucional para defesa de direitos coletivos e difusos, perdeu o prazo e não se manifestou.

Com essas circunstâncias resta ao Judiciário apenas um passo para a primeira instância terminar a situação: a sentença. É a decisão terminativa de um processo judicial. Em média, no Fórum Estadual de Fazenda Pública, onde tramita a medida judicial, podemos aguardar para as próximas semanas ter o fim desta situação.

Um pequeno perfil do hospital === O Conjunto Hospitalar do Mandaqui é um dos poucos ainda administrados diretamente pela Secretaria de Saúde do Estado – a maior parte da rede foi transferida a Organizações Sociais de Saúde (OSS)  Ele oferece atendimentos nas áreas de clínica médica, pediatria, urgência e emergência, ambulatório de especialidades e diagnóstico.  Atualmente, é denominado Conjunto Hospitalar do Mandaqui e “referência para politraumatizados na zona norte de São Paulo”. A unidade realiza mensalmente 13 mil atendimentos no pronto-socorro e cerca de 1.000 internações. São 355 leitos de internação e 40 leitos de UTI.


Fique por dentro === Reveja algumas das várias reportagens sobre a crise no Hospital do Mandaqui, com assuntos levantados durante as reuniões do Conselho Gestor e de usuários/leitores, que foram publicadas pelo DiárioZonaNorte — clique nos títulos para leitura:

  1. Secretário Estadual da Saúde faz balanço e fica sabendo do Caso do Hospital do Mandaqui e do Conselho Gestor – 20/02/2019 
  2. O Caso do Hospital do Mandaqui chega à Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa. E o fim do Conselho Gestor. – 07/02/2019 
  3. No rádio: o caos no Hospital do Mandaqui e a diretoria foi convocado na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa – 03/02/2019 
  4. Hospital do Mandaqui fica á deriva. Diretoria fecha o “Conselho Gestor” – 21/12/2018
  5. Os problemas são aparentes, mas a Secretaria da Saúde diz que “tudo está normal” no Hospital do Mandaqui – 12/10/18
  6. Não se assuste! São documentos arquivados no Hospital do Mandaqui, que vai perder a emenda de R$7,8 milhões – 09/10/18
  7. Os problemas continuam no Hospital do Mandaqui e o novo diretor-geral ficou sabendo umpouco mais = 02/09/18
  8. No compasso de espera, Hospital do Mandaqui enxerga uma “luz no fim do túnel” – 27/07/18 
  9. Passam-se os anos e os problemas continuam no Hospital do Mandaqui – 07/06/18
  10. Com poucos médicos, o Hospital do Mandaqui enfrenta mais dificuldades – 10/05/18
  11. Ajuda ao Hospital do Mandaqui. Nas ruas do bairro, um protesto em busca de soluções – 29/03/18
  12. Virou o jogo. Governo manda Hospital do Mandaqui contratar mais de 100 profissionais – 27/03/18
  13. Hospital do Mandaqui opera com PS fechado e a beira do caos  25/03/18
  14. Promessas e emendas parlamentares na Zona Norte. Inclui o Hospital do Mandaqui == 12/05/18
  15. Hospital do Mandaqui receberá R$7,8 milhões de ajuda. E crise chega no Ministério Público Estadual. 28/06/18
  16. No Hospital do Mandaqui, a situação ainda é crítica. Secretário da Saúde finalmente visita o local.  03/07/18
  17. Associação dos Amigos do Mirante Jardim São Paulo discute a situação do Hospital do Mandaqui 08/09/18
  18. Hospital do Mandaqui continua com mais problemas. Falta diálogo franco e aberto – 04/11/18

 

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Fui operada na data do dia 05 de abril 2019 e acordei na sala pós operatório e pensei que estava no inferno. Enfermeiras cavalas que conforme os pacientes iam acordando das cirurgias elas já iam gritando que a cirurgia tinha acabado e para não encher o saco delas. Eu acordei com dor terrível pois tinha passado por uma cirurgia de mais de 5 horas no tórax e seios e fiquei tão assustada com com tamanha falta de respeito e maldade com os pacientes que fiquei por horas calada sem falar nada e esperando sair daquele inferno. Mesmo sendo uma cirurgia delicada o médico me deixou de alta para o mesmo dia, pois não tinha leito e tive que me trocar sozinha e quase caí da maca. Vi pacientes serem ameaçados de serem intubados e outros que pediam pelo amor de Deus para fazer xixi por horas e acabavam fazendo nas maca e eram xingados. Uma sena de inferno e que jamais vou esquecer. Assim que sai desse inferno fui medicada em casa para dores e jamais pretendo operar nesse hospital para não passar horas de terror que passei.

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