por Aguinaldo Gabarrão (*)

Os acontecimentos sobre o impeachment de Dilma Rousseff ainda estão longe de receberem a análise distanciada e imparcial que permitam o completo entendimento dos fatos que culminaram com a sua deposição.

À parte discussões acaloradas, à favor ou contra, é inegável que um movimento orquestrado nos meios políticos foi decisivo para que esse processo vingasse, mas os atores, principais e secundários dessa peça de teatro mal escrita, bem como suas razões, ganham destaque no documentário “Excelentíssimos”.

O passado bate à porta ===  O documentário registra os fatos, personagens e articulações por trás da maior crise política do país desde a redemocratização. Gravado dentro do Congresso ao longo dos meses em que corria o impeachment, o filme retrata quem, como e porque se derruba uma presidente.

O diretor e roteirista Douglas Duarte dividiu o documentário em capítulos, de maneira a centrar em cada bloco, os principais elementos que constroem a teia de articulações políticas logo após a reeleição da presidente, com o claro objetivo de impedir o término do seu mandato, segundo a visão dos produtores.

Os protagonistas === Ao rever cenas de programas políticos veiculados na TV e sequencias dos bastidores do Congresso Nacional, percebe-se por conta da boa edição, um fio invisível que une estes eventos com um objetivo comum: a tomada do poder.

Políticos pouco conhecidos assumem o protagonismo nas intrincadas negociações. Um deles, Carlos Marun, é entrevistado pela equipe do documentário e, entre sorrisos, deixa claro que sua preocupação é conseguir votos à favor do impeachment, pouco se importando com a condução feita pelo presidente da casa, o deputado Eduardo Cunha, na ocasião, réu por corrupção e lavagem de dinheiro.

História recente === Um dos méritos deste documentário é capturar para a posteridade e apresentar sob um novo enfoque as bizarrices de alguns parlamentares, a falta de decoro de outros e o desrespeito ao parlamento, como o gesto infeliz do deputado Wladimir Costa, que ao votar à favor do impedimento de Dilma, solta um rojão de confetes.

O deboche do parlamentar, associado à trilha sonora, intensifica o sentimento de escárnio por parte de alguns políticos e, de absoluta impotência, por parte daqueles que não conseguem enxergar nesse Congresso, um espelho representativo da sociedade brasileira.

Embora o documentário apresente os argumentos de que houve um golpe – e este aspecto não é objeto desta crítica -, o diretor Douglas Duarte insiste em repetir sequencias inteiras do julgamento político de Dilma na Câmara dos Deputados, sem que isso acrescente uma análise renovada dos protagonistas deste triste episódio de nossa história recente.

Assista ao trailer do filme:

FICHA TÉCNICA

EXCELENTÍSSIMOS –  Distribuição: Vitrine Filmes

Direção e Roteiro: Douglas Duarte / Trilha Sonora: Ricardo Cutz e Douglas Duarte / Produção: Douglas Duarte e Julia Murat / Produtora: Esquina Filmes

Gênero: Documentário / Duração: 2 horas e 32 minutos / Cor: colorido

Classificação indicativa: livre / País: Brasil / Ano de Produção: 2018

Lançamento: 22 de novembro de 2018



(*) Aguinaldo Gabarrão, ator. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações. Adora cinema. Atua também no segmento corporativo por meio de cursos, treinamentos e palestras com as técnicas do teatro.


Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.


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1 COMENTÁRIO

  1. Mais uma excelente análise ceítica de Gabarrão. Dessta vez, com isenção e imparcialidade sobre o triste acontecimento no cenário político brasileiro. Parabéns!

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