da Redação DiárioZonaNorte ===

“Ai, dói muito!”. Uma picada de escorpião provoca uma dor terrível e pode até levar à morte. Todo cuidado é pouco. E vários casos aconteceram na cidade de São Paulo e no interior, nos últimos meses. Com o título “Venenosos, escorpiões se reproduzem com mais intensidade no Verão”, a Assessoria de Imprensa do laboratório multinacional Bayer distribuiu informações há duas semanas sobre uso de produtos no combate aos escorpiões. No mesmo release da Bayer, informa-se que “em 2018 foram registrados cerca de 16 acidentes por hora com escorpião no Brasil”. Segundo dados do Ministério da Saúde, os acidentes com este animal têm crescido e apenas em 2018 no total foram registrados 141,1 mil casos no Brasil.  Confundidos com insetos comuns, os escorpiões são, na verdade, aracnídeos e possuem um veneno que ao entrar no organismo humano, causam fortes dores, inflamações e podem até levar à morte. Mas o Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde informa em um de seus trabalhos de esclarecimentos ( * Manual de Controle de Escorpíões”, de 2009, item 2.8, pags. 36/37 )  que “o tratamento  químico é ineficaz”.

O risco de acidentes === Na sequência, o manual esclarece “o que também torna os escorpiões resistentes aos venenos é o fato de possuírem o hábito de permanecerem em longos períodos em abrigos naturais ou artificiais que impedem que o inseticida entre em contato com o escorpião”. E acrescenta que “a aplicação de produtos químicos de higienização doméstica compostos por formaldeídos, cresóis e paracloro-benzenos e de produtos utilizados como inseticidas, raticidas, mata-baratas ou repelentes do grupo dos piretróides e organofosforados não são indicados por causarem o desalojamento dos escorpiões para locais não expostos à ação desses produtos, aumentando o risco de acidentes”.

A aplicação de produtos químicos === No mesmo item, assinala que “até o presente momento não foi definida cientificamente a eficácia dos produtos químicos no controle escorpiônico em ambiente natural” Em áreas avaliadas como prioritárias, é importante lembrar que a aplicação de inseticidas para controle de outros agravos (dengue, malária, leishmaniose, chagas, etc.) poderá aumentar a probabilidade de acidente por escorpião devido ao efeito irritante desses produtos que provoca desalojamento, eliminação de fonte de alimento e predadores”.  E faz a advertência de que é necessário que a população desses locais seja devidamente conscientizada quanto às medidas de prevenção de acidentes, previamente à aplicação destes produtos. No final, recomenda que o agente de saúde não deve realizar nem recomendar ao proprietário do imóvel a aplicação de produtos químicos.

Venda controlada === Mas segundo a bióloga Maria Fernanda Zarzuela, coordenadora técnica do laboratório Bayer, “ é possível fazer o controle de pragas urbanas com a colocação de inseticidas líquidos, em pó ou até mesmo iscas a base de gel com ‘efeito dominó’, em que o produto é transferido entre baratas, além de outros produtos para formigas, moscas e ratos”. Segundo ela, especificamente para o escorpião também existe solução, contudo, é necessário um cuidado maior, pois as soluções de uso comum não são eficientes. Os produtos que fazem o combate são de venda controlada, portanto é necessário entrar em contato com empresas especializadas e equipes treinadas de desinsetização para aplicação do produto que elimina o escorpião. Quando identificada a presença desses animais, a equipe de zoonoses deve ser acionada e uma empresa de controle de pragas especializada deve ser chamada.

Os cuidados com os produtos === Diante do exposto, o “DiárioZonaNorte” solicitou um posicionamento da Bayer, que enviou nota onde esclarece que “as tecnologias no controle de pragas urbanas são devidamente registradas pelos órgãos regulatórios brasileiros”. O laboratório cita seu produto “Ficam VC” que “tem uma fórmula que controla a praga sem causar agitação, pois impede o ataque do animal no momento da mortalidade”. Na mesma nota, o laboratório informa sobre o “Temprid SC”, que “traz uma opção ao cliente na escolha de um outro princípio ativo como forma de ação diferente”. Mas adverte que esses produtos devem ser aplicados apenas por empresas especializadas e equipes treinadas em desinsetização. Neste caso, a venda é controlada e a população em geral não deve utilizá-los. Na embalagem consta “Venda restrita a instituições ou empresas especializadas” – “Proibida a Venda Livre” – “Cuidado Perigoso”, mesmo com essas advertências, esses produtos podem ser encontrados livremente em sites comerciais como Americanas.com, Mercado Livre, Wal Mart e outros de vendas na internet.

O que tem no mercado === A Bayer recomenda aviso aos técnicos da Zoonoses e a busca de profissionais certificados no mercado de desinsetização – inclusive o laboratório tem parceria com algumas empresas, que podem ser consultadas através deste site.  Na Zona Norte de São Paulo são indicadas três empresas cadastradas pelo laboratório: Vila Guilherme ( ProAtiva -(11) 2218-1629 | (11) 2218-0113 | (11)2218-2014 – www.proativapragas.com.br/ ), Limão ( Technic-  3965–6274 / 3857-8442-www.techniccontrol.com.br/contato.html ) e Freguesia do Ó  (Roma Controle de Pragas – 3999–0925 —www.romacontroledepragas.com.br/ ). O laboratório disponibiliza na internet as fichas técnicas, registros e orientações de uso dos produtos. Clique aqui para o Ficam VC  e  clique aqui para o Temprid. Mas empresas especializadas do setor indicaram outros produtos concorrentes no mercado no controle de escorpiões: Demand  (Laboratório Syngenta), Lankron (Laboratório Rogama), Bifentol (Laboratório Chemone), Demax (Laboratório Insetimax), Spurinon (Insetimax), Trimax (Insetimax) e Tenopa (Basf).

O “DiárioZonaNorte fez a consulta ao Ministério da Saúde, em Brasília, sobre a produção e comercialização destes produtos químicos. Segundo o órgão, o registro de produtos, chamados “desinfestantes”, é feito pela Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa). O termo ‘desinfestantes’, segundo o “Manual de Testes de Eficácia em Produtos Desinfestantes”, da Anvisa, deriva de produtos cuja venda é feita diretamente ao consumidor ou às empresas especializadas. Eles se destinam à aplicação em domicílios e suas áreas comuns, no interior de instalações, em edifícios públicos ou coletivo e seus ambientes, para o controle de insetos, roedores e outros vetores incômodos ou nocivos à saúde. Consultada, a Anvisa  informou “que existem produtos saneantes registrados para escorpiões que apresentaram comprovação de eficácia, conforme consta nos relatórios de eficácia apresentados no processo e no rótulo do produto. O teste de eficácia é realizado de acordo com a metodologia apresentada no “Manual de Testes de Eficácia de Produtos Desinfestantes”  — disponível aqui.  E acrescentou que em relação a quantidade de produtos registrados para combate a escorpiões, o sistema não permite uma busca de todos os produtos registrados por finalidade, mas qualquer produto poderá ser consultado no site de pesquisa aqui.

Os soros antiveneno disponíveis – O Ministério da Saúde informa que todos os estados brasileiros estão abastecidos com soros antiveneno. Os soros são enviados às Secretarias Estaduais de Saúde de todo o país, que são responsáveis pela distribuição às unidades de referência para o atendimento destes casos. A pasta orienta os gestores de saúde sobre a necessidade do cumprimento dos protocolos de prescrição; a ampla divulgação do uso racional dos soros e a alocação desses imunobiológicos de forma estratégica em áreas de maior risco de acidentes e óbitos. O uso de antiveneno específico (soro antiescorpiônico) é indicado em casos classificados clinicamente como moderados ou graves. Casos leves, que não necessitam a aplicação do antiveneno, correspondem a 87% do total de casos de escorpionismo.

Os cuidados especiais === As empresas especializadas no combate à pragas urbanas recomendam que o ambiente esteja preparado para facilitar as operações da desinsetização. Como lembra a Hard Control em seu site:  1) Guarde todos os utensílios pessoais, escovas de dente, sabonetes, escovas de cabelo e esponjas; 2)   Guarde todos os utensílios usados pelo bebê e pelo idoso, como mamadeiras, bicos e chupetas, fraldas e lenços umedecidos; 3)  Utensílios de cozinha devem estar protegidos, ou embalados em sacos plásticos; e 4) Utensílios pessoais ou de cozinha deveram ser retirados dos armários no processo de descupinização curativa. E precauções na faxina – que constam na página da Hard Control clique aqui.

A Zona Norte esclarece === Com a preocupação de prevenção, controle e orientações aos moradores da Zona Norte — com destaque às regiões do Jaçanã e Tremembé — a UVIS – Unidade de Vigilância em Saúde promove o evento sobre “Escorpiões” para  esclarecimentos. O local é o auditório do Centro Educacional Unificado – CEu Jaçanã, nesta 3ª feira (05/02/2019), a partir das 9 horas.

Os munícipes, bem como entidades públicas e privadas, podem fazer sua solicitação através do telefone 156 ou pelo portal da Prefeitura: https://sp156.prefeitura.sp.gov.br/portal/.

Como agir caso de picada === A orientação básica é procurar rapidamente atendimento médico (UBS, AMA, Pronto Socorro ou Hospital) de preferência nas primeiras três horas, além de:

  • Lavar o local com água e sabão;
  • Não usar garrote, não cortar ou perfurar ao redor da lesão e não colocar folhas, pó de café, etc;
  • Compressa morna (compressas frias pioram a dor);
  • Retirar sapato, anel, pulseira ou fitas que funcione como torniquete;
  • Deixar o paciente deitado, hidratado, calmo, imóvel e com o local da picada elevado;
  • Procurar atendimento médico, no local mais próximo, o mais rápido possível;
  • Se possível levar animal para identificação 

Os cuidados com animais ===  Veterinários chamam atenção para cuidados com animais soltos em quintais e locais de aparição de escorpiões. Alertam também para os passeios com cães pelas ruas, que podem ser picados em locais de mato, objetos nas calçadas ou até mesmo de construção. O acompanhante do cão deve ter a maior vigilância durante os passeios. Dependendo do tipo de escorpião e da quantidade de veneno, pode matar o cão ou gato. Segundo especialistas, há casos que é possível visualizar o ferrão que ficará na pele do cão ou gato. Caso contrário, o dono do animal deve prestar atenção nas reações do animal. O sintomas diretos: tremores, espasmos musculares, arritmias cardíacas, convulsões. É normal que o local atingido comece a inchar e mudar de cor, ficando vermelho, por exemplo.  Na dúvida, levá-lo imediatamente à uma Clínica Veterinária.

Para quem quer saber mais === O Ministério da Saúde preparou dois manuais de orientações sobre o assunto em profundo trabalho de pesquisas em 70 páginas. O “Manual de Controle de Escorpiões” (editado em 2009)  está em PDF e pode ser acessado através do link aqui. E um segundo volume de 112 páginas (2001 com revisão atualizada),  a Vigilância Epidemológica do Ministério da Saúde classificou os animais peçonhentos (incluindo os escorpiões em um dos capítulos) com o título “Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos ” – que pode ser acessado no link aqui. Teve o importante apoio da Coordenação de Vigilância das Doenças Transmitidas por Vetores e Antropozoonoses, do Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi) e da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA).  Neste volume informações importantes sobre serpentes, aranhas, abelhas, vespas, formigas. lagartas e mariposas – entre outros – com seus efeitos, venenos, reações na saúde e cuidados médicos.

 


As emergências  === Em caso de acidente, procurar imediatamente à unidade de saúde mais próxima — hospital, Pronto Socorro, UBS-Unidade Básica de Saúde e AMA, que poderão dar encaminhamento e/ou orientações. Pode-se solicitar orientações no Centro de Controle de Zoonoses, que está localizada em Santana ( Rua Santa Eulália, 86 – ao lado do Campo de Marte) pelo telefone  11-3397.8900.    A referência no município de São Paulo no atendimento de acidentes com animais peçonhentos é o Hospital Vital Brasil/Instituto Butantã localizado na Av. Vital Brasil, 1500, no Butantã, fone (11) 2627.9528 / 9529 / 9530 e 3723.6969 – E-mail: hospital@butantan.gov.br

Assistência médica gratuita –  Orientação telefônica 24 horas por dia === Hospital Vital Brazil (HVB), especializado no atendimento a pacientes picados por animais peçonhentos, iniciou suas atividades em novembro de 1945. Com uma experiência acumulada de mais de seis décadas dedicadas ao atendimento, ao ensino e à pesquisa, atestada pelos seus mais de 100 mil prontuários, é reconhecido como uma das mais importantes referências na área de envenenamentos por animais peçonhentos. Funcionando ininterruptamente, 24 horas por dia, 7 dias por semana, o HVB mantém um serviço de pronto-atendimento e dispõe de 10 leitos para observação ou internação. Está situado dentro do Instituto Butantan, ao lado do heliponto.​    << Com apoio de informações/fonte: Secretaria Municipal de Saúde / Secom-PMSP / Ministério da Saúde>>


Sobre a Bayer ==  É uma empresa global com competências em Ciências da Vida nas áreas de agricultura e cuidados com a saúde humana e animal. Seus produtos e serviços são desenvolvidos para beneficiar as pessoas e melhorar sua qualidade de vida. Além disso, a companhia objetiva criar valor por meio da inovação. A Bayer é comprometida com os princípios do desenvolvimento sustentável e com suas responsabilidades sociais e éticas como uma empresa cidadã. Em 2017, o Grupo empregou cerca de 99 mil pessoas e obteve vendas de € 35 bilhões. Os investimentos totalizaram € 2.4 bilhões e as despesas com Pesquisa & Desenvolvimento somaram € 4.5 bilhões. Para mais informações, acesse www.bayer.com.br. << Com apoio de informações: Weber Shandwick Assessoria de Comunicação>>


Reveja as reportagens do DiárioZonaNorte:

  • Escorpiões: uma picada pode matar! Os cuidados para não ter surpresas. == 13/01/2019 == clique aqui.
  • A invasão de “escorpiões” preocupa a população de toda a cidade. Saiba mais == 19/01/2019 == clique aqui.

 

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