Uma iniciativa diferente e divertida marcou o dia dos alunos da Escola Municipal de Educação Infantil Nelson Mandela, localizada no bairro do Limão (Zona Norte em São Paulo): um período inteiro dedicado a aprender um pouco mais sobre Nelson Mandela através de atividades artísticas. A ação faz parte das celebrações do centenário de Mandela e foi promovida pelo South African Tourism, escritório que representa o turismo da África do Sul no Brasil, como uma forma de homenagear a escola paulistana que, por sua vez, celebra em seu nome o líder sul-africano.

Escola muda o nome === A escola foi fundada em 1955 com o nome de Guia Lopes, mas em 2014, ano em que Mandela morreu, adotou oficialmente o nome de Nelson Mandela. A ideia, inicialmente bastante transgressora já que escolas públicas raramente mudam de nome, partiu do pai de um aluno que se sentiu tocado ao aprender mais profundamente a história de Mandela, que estava sendo contada como parte do currículo escolar numa iniciativa de divulgar a jornada de um líder negro e mundialmente reconhecido – boa parte dos alunos da escola é negra.

A direção da escola, que leva em consideração a representatividade e alegremente faz uso da lei 10639 (que estabelece diretrizes e bases para a educação nacional ressaltando a importância do ensino da cultura negra), achou a ideia interessante e começou a se mexer. Fez um abaixo assinado, que reuniu 20 mil nomes, foi atrás de políticos que pudessem colaborar com a iniciativa e, depois de um ano, conseguiu autorização para mudar o nome.

O dia de Nelson Mandela === Hoje são 203 alunos matriculados em horário integral e em 2018, quando Nelson Mandela faria 100 anos, o escritório de turismo da África do Sul promoveu na escola um dia especial para que os alunos homenageassem o ex-presidente através de intervenções culturais. Entre as atividades, foi realizada uma oficina de pintura com o grafiteiro Diego Mouro, que recentemente participou da criação de um mural em homenagem a Nelson Mandela no Elevado Presidente João Goulart (antigo Elevado Costa e Silva conhecido como Minhocão) de São Paulo. As crianças puderam deixar suas marcas nos muros da escola em pinturas de inspiração africana.

Além disso, também puderam brincar com argila e colorir imagens de Nelson Mandela, usando giz de cera que abrangia tons de pele variados. Durante as brincadeiras, surgiram conversas sobre a história e legado de Nelson Mandela, que as crianças conhecem tão bem e até chamam de “vovô Mandela”.

Homenagem nos muros  === Intervenções artísticas como a executada na semana passada (22/11/2018) não são raras na escola, e começaram a existir em 2011, quando uma pichação nazista foi feita durante a madrugada em um dos muros. Na época a direção da escola decidiu responder ajudando os alunos a pintarem o rosto de Nelson Mandela. “A intenção é fazer com que os alunos usem nossos muros para comunicar ideias e resistências” diz Cibele Racy, diretora da escola.

Hoje as crianças sabem que pintar os muros é um ato de resistência e se sentem inspiradas por Mandela. “As crianças se apropriam da figura de Nelson Mandela e passam a associá-lo a conceitos fundamentais como justiça, igualdade e liberdade”, diz  ela. E acrescenta que “estudar a vida de Nelson Mandela foi fundamental para que as crianças ganhassem auto-estima. Não contamos apenas a história do Apartheid, mas a história de como Mandela foi de um líder guerrilheiro a um líder pacificador”. Segundo a diretora da escola, eles entendem tudo perfeitamente, até porque vivem num mundo racista. Quando veem a casa em que Mandela nasceu e passou a infância imediatamente fazem associações com as casas em que moram, e a identificação está concluída.

Não se trata apenas de educar, se trata também de internalizar poderes como auto-estima e dignidade. Mandela foi capaz de mudar concepções profundas na escola, e hoje as crianças falam, com bastante desenvoltura, sobre temas como justiça, liberdade e igualdade.

Existe uma fila grande de pais querendo matricular seus filhos. São, segundo Racy, pais negros e já empoderados que querem dar aos filhos uma educação de qualidade e gratuita, como deveria ser direito de todos. E bons professores não param de chegar justamente por causa do projeto humanitário da escola. “Isso enche a gente de orgulho”, diz Racy, antes de emendar: “Mas também de muita responsabilidade”.

Centenário de Nelson Mandela no Brasil: A ação na escola foi organizada pelo South African Tourism, escritório do turismo da África do Sul no Brasil, como parte das celebrações do centenário de Mandela. Outros projetos realizados ao longo do ano foram: “Mulheres brilhantes seguindo os passos de Mandela”, viagem para a África do Sul na qual Camila Pitanga, Djamila Ribeiro e Nátaly Neri, acompanhadas da cineasta Carol Rocha e da jornalista Milly Lacombe, visitaram lugares ligados à história de Mandela. A exposição Mandela e sua terra natal, que ficou em cartaz de 25 de Setembro a 31 de Outubro no Mirante 9 de Julho. A exibição de quatro filmes atrelados à história do líder na 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. A realização de um grande mural com a imagem de Mandela no Minhocão, integrando o ícone à paisagem de São Paulo. E, por fim, o oferecimento de um seminário sobre o legado de Mandela e Direitos Humanos. << Com apoio de informações/fonte: Tico Comunicações/South African Tourism >>


Inauguração loja

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