por Aguinaldo Gabarrão (*)

Quem não conheceu Pablo Escobar, não perdeu muita coisa. Traficante, assassino, terrorista e possuidor de outros tantos qualificativos nada respeitáveis, ele espirrou sangue pela Colômbia nos anos 80 até início dos 90, quando foi morto.

Seu lema singelo era “dinheiro ou chumbo”. Ou as pessoas aceitavam serem corrompidas por seus dólares do narcotráfico ou ele, simplesmente, mandava executá-las. Essa figura já foi motivo de documentários, filmes e séries de TV, entre outras,  Narcos, da Netflix, com Wagner Moura no papel do bandidão.

A amante abre o jogo === Baseado no livro “Amando Pablo, Odiando Escobar” da apresentadora colombiana Virginia Vallejo, o filme procura retratar com fidelidade, os principais momentos da vida de Escobar, relacionando-os ao estado de degeneração em que se encontravam as instituições colombianas, particularmente, a classe política e a própria polícia.

O filme mostra a ascensão e queda do maior traficante de drogas do planeta, Pablo Escobar (Javier Bardem), seu relacionamento tumultuado com a jornalista mais famosa da Colômbia, Virginia Vallejo (Penélope Cruz), e a influência do Rei da Cocaína na vida do povo colombiano.

Relações perigosas ===  O roteiro explora a biografia de Escobar nos aspectos de sua estreita relação perniciosa com socialites, artistas, políticos e funcionários do governo colombiano. O traficante é a bola da vez e, pouco importa de onde vem a sua riqueza, que ultrapassa os 30 bilhões de dólares.

A trama particulariza o romance entre ele e sua amante Virginia Vallejo, que, igualmente, não se preocupa com as origens da fortuna de Pablo e, de certa forma, reforça também a maneira condescendente com que a imprensa no início tratava o contraventor.

Pobreza e criminalidade === Contada sob o ponto de vista da amante, a história não se perde entre lençóis e, sem fazer discurso barato, revela os terríveis mecanismos de arregimentação de jovens pobres para o exército do tráfico.

A mensagem é clara: onde o Estado está ausente, o crime organizado se apresenta para atender as demandas populares mais elementares e, assim, conquistar a confiança da comunidade e sua cumplicidade no crime.

O papel certo, no momento adequado ===  O ator Javier Bardem recusou o papel do traficante até encontrar no roteiro e direção de Fernando León de Aranoa as possibilidades que fugissem ao estereótipo de bandido sanguinário. E, segundo o ator, não se tratava de querer humanizar o monstro, mas demonstrar seus traços de humanidade junto à sua família e amante, esta última, talvez sua única confidente.

A composição de Bardem, um ator primoroso, consegue exatamente esse efeito paradoxal: ser carismático sem glamourizar Escobar. E Penélope Cruz interpreta Vallejo numa linha tênue entre o charme e o ridículo da jornalista.

O filme Escobar – a traição choca menos pela violência das cenas e, mais pela percepção de que instituições do Estado colombiano foram responsáveis por fortalecer o monstro, mas depois não souberam o que fazer com ele.

 Assista ao trailer do filme:

FICHA TÉCNICA

ESCOBAR – A TRAIÇÃO (Título original: Loving Pablo)  – Distribuição: Califórnia Filmes

Direção: Fernando León de Aranoa / Roteiro: Fernando León de Aranoa e Virginia Vallejo / Direção de Fotografia: Alex Catalán / Direção de Arte: Iñigo Navarro / Trilha Sonora: Juan Federico Jusid / Montagem: Nacho Ruiz Capillas / Produção: Aleksander Kenanov, Dean Nichols, Ed Cathell III, Javier Bardem, Kalina Kottas, Miguel Menéndez de Zubillaga /// Elenco:  Javier Bardem, Penélope Cruz, Peter Sarsgaard, Julieth Restrepo, Óscar Jaenada

Gênero: Drama / Duração: 2 horas e 3 minutos / Cor: colorido

Classificação indicativa: 16 anos / País: Espanha e Bulgária / Ano de Produção: 2017

Lançamento: 23 de agosto de 2018 (Brasil)



(*) Aguinaldo Gabarrão, ator. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações. Adora cinema. Atua também no segmento corporativo por meio de cursos, treinamentos e palestras com as técnicas do teatro.


Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.



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