por Redação DiárioZonaNorte ===

Foi dramático! Uma situação inusitada que retorna à  Zona Norte — próximo da Av. Cruzeiro do Sul, em Santana — e, ao mesmo tempo, os moradores ficam na dependência da boa vontade das autoridades que nada informam a eles – e, por outro lado,  nem mesmo vão ao local para ver o que está acontecendo. Enquanto isto, as enchentes – agora misturadas com muito esgoto,  sujeira de bueiros entupidos, dos córregos e o consequente mau cheiro — estão voltando na região do Carandiru, ao lado dos prédios do Cingapura. Isto está acontecendo por causa de uma obra justamente dentro deste popular conjunto residencial, que está localizado na Avenida Zaki Narchi, em frente ao prédio do Novotel.

A culpa é da cratera === Com as fortes chuvas no dia 01 de dezembro de 2018, abriu-se uma cratera na parte interna entre os prédios Cingapura, que afundou e engoliu até um carro. Na mesma madrugada, houve as enchentes que assumiram as ruas no entorno. Segundo relatos, foi desastroso e houve uma grande correria com os moradores acionando a Subprefeitura Santana/Tucuruvi/Mandaqui, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e outros órgãos. Depois desse evento, houve vários dias, em que chuvas de 15 minutos, encheram as ruas de água misturada com esgoto.

Local do buraco/obras internamente entre prédios do Cingapura.

As “festas” param as obras === Com novas chuvas, perto do Natal e do final de ano, vários moradores novamente acionaram a Subprefeitura de Santana/ Tucuruvi/ Mandaqui, Sabesp e outros.  Como foi no período das “Festas”,  não houve retorno e nenhuma explicação sobre o que estava ocorrendo, tão pouco foram ao local para ver a situação. Apesar de ser obrigatório e por lei, nota-se que no local não há nenhuma placa da Prefeitura de São Paulo ou da Secretaria de Infraestrutura Urbana e de Obras (Siurb) informando sobre o local, com data e encerramento das obras, valor e nem o nome da empreiteira terceirizada – mesmo sendo em situação “emergencial”. Como é de praxe, a Prefeitura de São Paulo não dá satisfações aos moradores dos locais que sofrem as obras, através de comunicados no local ou na mídia.

Crianças brincam em água com esgoto, até chegaram a nadar. (11/01/2019)

A água represada ===“Somente essa semana, conseguimos a atenção e um posicionamento da situação”, declara a moradora da Rua Salvador Lombardi Neto, Vanessa Terlera.   Segundo técnicos da Siurb houve um desmoronamento sobre a galeria de água pluvial. A obra nem foi iniciada e já represaram a água da chuva. Foi constatado que estão usando uma bomba de baixa capacidade para escoar a água. Dessa forma, toda água de chuva que desce de Vila Guilherme e outros bairros acima, está represada, por isso em 10 a 15 minutos surgem as enchentes em cerca um metro de altura, em todos os quarteirões ao redor do Cingapura – afetando diretamente as ruas Antonio dos Santos Neto, Dom José Maurício, Guilherme Paraense, Dr. Genésio Pereira e Salvador Lombardi Neto. Depois das chuvas, crianças brincam na água com esgoto e os moradores convivem com o mau cheiro — foi achado no meio da enchente até cachorro morto.

Sem informações === Além do problema das enchentes, entrando com água invadindo várias residências, veio também o esgoto. “Não sabem explicar, porque a água que deveria ser somente de chuva, está com esgoto”, observa a moradora Vanessa. E depois das enchentes no local, ficaram o lodo e o cheiro insuportável. A moradora ainda diz que “não nos dão prazos para início e término de obras e tão pouco, como irão solucionar o nosso problema”. Segundo os moradores, a Subprefeitura de Santana/Tucuruvi/Mandaqui enviou um funcionário que “nada sabe e transfere o problema para a Siurb”. Uma moradora reclamou com ele, “como fizemos o pedido na Subprefeitura e vocês é que devem cobrar da Siurb e dar o retorno para nós”.

“Meu Deus! Até quando?” === O fato é que qualquer chuva de 15 minutos, a água com esgoto invade dentro das casas destes moradores, que em breve estarão recebendo as faturas do Imposto Predial e Territorial Único –IPTU (já provavelmente com um aumento de 3,5 por cento)  e não tem a quem reclamar. “Meu Deus! Nesta época, virou o tempo, ficamos na agonia. Se chover, vamos ter o problema de novo!. Até quando?”, encerra a moradora da Rua Salvador Lombardi Neto.

Direito de explicações === O DiárioZonaNorte conseguiu localizar a Engª Juliana (sobrenome não informado), da empresa terceirizada Consbem Construções,  responsável pelas obras. Ela não quis dar informações, alegando que não é autorizada, e pediu para entrar em contato com a Siurb. Antes, a Redação encaminhou o assunto ao plantão de sábado (12/01/2019 – 15hs42) à Secretaria Especial de Comunicação (Secom) com referências à Siurb e à Secretaria das Subprefeituras – na região a de Santana/Tucuruvi/Mandaqui — , para o retorno e explicações até o fechamento desta reportagem, com tempo suficiente de 02hs15. Somente às 19h49, a Redação recebeu resposta da Secretaria Especial de Comunicação (Secom) que, dentro da ética jornalística — e por uma deferência especial quanto ao prazo predeterminado (18hs) — reabrimos a matéria e acrescentamos abaixo as explicações na íntegra:

”  A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras executa obras emergenciais no condomínio e informa que estas intervenções não têm relação com os episódios de alagamento. Os trabalhos da SIURB não incluem qualquer interrupção no Córrego Carajás, e a intervenção na rede de esgoto é realizada pela Sabesp.

Já a Subprefeitura Santana/Tucuruvi vai inspecionar as vias e córrego citados pela reportagem e, se necessário, vai intensificar a limpeza, que já é feita rotineiramente.

A administração regional possui uma equipe de zeladoria dos córregos que atua diariamente na área. O Córrego Carajás, por exemplo, recebeu trabalho de limpeza mecanizada em três ocasiões no ano passado. Também em 2018 foi realizada a limpeza de 94.317 m³ de córregos, zeladoria de 44.469 bueiros e a reforma de outros 400 equipamentos do tipo. Além disso, 4.050 metros de galerias foram inspecionadas, sendo que 990 metros foram reformadas.

É importante frisar que a contribuição da população é fundamental para manter as ações de zeladoria e diminuir os riscos de enchentes na cidade. O descarte irregular de entulho em vias públicas é passível de multa no valor de até R$ 15.520, conforme estabelece a Lei de Limpeza Urbana, nº 13.478/02, além de ser considerado crime ambiental. O Município disponibiliza a Central SP156 (telefone, aplicativo e site https://sp156.prefeitura.sp.gov.br), além de praças de atendimento das subprefeituras para denúncias de descarte irregular e informações sobre manejo correto. Assinado: Secretaria Especial de Comunicação – Secom / Prefeitura de São Paulo”.


Nota da Redação: As fotos utilizadas na reportagem e no álbum abaixo foram produzidas uma hora e meia após a enchente maior, em dias alternados. Há videos não reproduzidos aqui.


Adendo == Em 22 de agosto de 2016 — ainda na gestão anterior, do prefeito Fernando Haddad –,  já houve um problema semelhante com outra cratera, que afundou a quadra de esportes no meio dos prédios do Cingapura. Descobriu-se que a obra de canalização foi construída há 25 anos no governo da Luiza Erundina (gestão na Prefeitura de 1989 a 1993), com pré-moldados e uma estrutura metálica conhecida como ARMCO (nome da empresa que patenteou o modelo), que com o tempo acabou oxidando e fez o terreno desabar, mais erosão e abrindo o enorme buraco. Na sequência da canalização do córrego, já no governo de Paulo Maluf (gestão 1993 a 1997) foram construídos os prédios do Projeto Cingapura, pioneiro na cidade de São Paulo.  As obras foram realizadas, mas os técnicos da Siurb, na época, resolveram não mexer na parte anterior ao problema. Segundo moradores que tiveram acesso às informações de engeheiros, é justamente o trecho agora que deu problema, ainda com a mesma estrutura metálica da ARMCO. Leia aqui mais detalhes na reportagem de 2016 e veja  a reportagem do SPTV  1ª edição == mais as fotos das obras.


Novo fato === Enchentes com esgoto não é exclusividade da Zona Norte, no mesmo dia outra região teve o mesmo tipo de problema. A Prefeitura de São Paulo teve problema com várias ruas de Itaim Paulista  (Zona Leste) na divisa com Guarulhos. O local foi mostrado pelo repórter César Galvão,  em imagens aéreas do GloboCop no SPTV 1ª edição, deste sábado (12/01/2019). Assista no final (50min07seg)do telejornal – aqui.


 


 

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