por Aguinaldo Gabarrão (*)

Ambientado no arquipélago de Cabo Verde, com atores e figurantes nativos, o filme Djon África apresenta as diferentes expressões da fala e da cultura de um país colonizado por Portugal, e que se tornará o ponto de partida para reescrever a história de seu personagem principal, o jovem Miguel Moreira.

Nascido em Portugal e órfão de mãe, o rapaz deseja conhecer seu pai, de quem só sabe da existência pelos relatos da avó, que cuidou de Moreira desde a infância. Porém, essa viagem para Cabo Verde, também servirá para que ele possa conectar-se com suas raízes ancestrais.

Emigração e Identidade Cultural ===  Não é a primeira vez que os diretores Filipa Reis e João Miller Guerra, tratam de questões sobre a emigração e identidade cultural. Esses temas já estavam esboçados no primeiro filme da dupla, o documentário “Li Ké Terra” (disponível no Youtube), também assinado por Nuno Baptista, foi vencedor do Prêmio de Melhor Longa Metragem na Competição Portuguesa do DocLisboa 2010.

O filme Djon África, que teve sua estreia mundial em janeiro de 2018, ganhou o prêmio FIPRESCI – 36º Festival Cinematográfico Internacional del Uruguay e Menção Especial do Júri deste mesmo Festival.

A viagem ===  Miguel é português de nascimento, mas os diretores constroem a trama de maneira a ressaltar a sua incompatibilidade com a cultura do país. Logo no início, ele é apresentado cuidando do seu visual, estilo rastafári, uma forma de buscar sua identidade cultural.

Com o dinheiro ganho em pequenos trabalhos informais ele compra a passagem para ir até Cabo Verde e procurar seu pai, a partir das indicações mencionadas pela avó. E, durante o vôo, os diretores tocam em outra questão: num diálogo com uma cabo-verdense é explicitada a sua condição de estrangeiro na terra natal de seu pai, embora Djon se recuse a aceitar essa denominação.

A vida e a ficção === O roteiro de Pedro Pinho estabelece dois pontos distintos: a história ficcional do jovem Miguel em busca do sentimento de pertencer à outra coletividade; e também o registro documental da situação dos emigrantes, aqueles que saem do seu país de origem para viver em outra pátria.

A fotografia de Vasco Viana reforça a percepção documental, pois a câmera segue aquela cartilha de limitar-se no registro do que está acontecendo, sem que pareça intervir ou ditar a posição de atores e demais participantes.

Desencontros === A ausência de informações claras quanto à localização da cidade onde o pai mora e de suas conexões familiares, aumenta essa percepção de se estar deslocado, sem rumo.

Porém, na medida em que Djon se deixa envolver pela geografia daquele arquipélago e sua gente, finalmente chegará ao final de sua busca.

Assista ao trailer do filme:  

FICHA TÉCNICA

DJON ÁFRICA ===  Distribuição: Vitrine Filmes

Direção: Filipa Reis e João Miller Guerra / Roteiro: Pedro Pinho / Direção de Fotografia: Vasco Viana / Diretor de Arte: / Trilha Sonora: / Som: Ruben Santiago / Montagem: Eduardo Serrano, Ricardo Pretti / Produção: Terra treme Filmes, Desvia Filmes, Oll, Uma Pedra no Sapato

Elenco: Miguel Moreira, Isabel Cardoso, Bitori Nha Bibinha, Patricia Soso

Gênero: docudrama / Duração: 1 hora e 36 minutos / Cor: colorido

Classificação indicativa: 12 anos / País: Portugal, Brasil, Cabo Frio /  Produção: 2018


(*) Aguinaldo Gabarrão, ator. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações. Adora cinema. Atua também no segmento corporativo por meio de cursos, treinamentos e palestras com as técnicas do teatro.


Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte e nem de sua direção.


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