Início Cotidiano Diego Maradona deixou “Dieguito” como lembrança nos traços de Maurício de Sousa

Diego Maradona deixou “Dieguito” como lembrança nos traços de Maurício de Sousa

Tempo de Leitura: 4 minutos

da Redação DiárioZonaNorte

Dieguito” nasceu há 40 anos nas mãos de um brasileiro, o desenhista e quadrinista Maurício de Sousa, 85 anos – o pai da Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão e toda sua grande turma de mais de 400 personagens. Mas o projeto não progrediu em suas “tirinhas” e nem foi estampado nas revistas infantis.

O personagem seria a criação em cima do jogador argentino Diego Armando Maradona — que morreu há poucos dias (25nov2020) –, ainda quando menino, baseado na mesma trajetória futebolística do personagem Pelezinho, de Edson Arantes do Nascimento, o nosso Pelé – que foi concebido em 1976 e fez sucesso nas tirinhas na “Folha de S. Paulo” e nas revistas – como mais tarde foram criados “Ronaldinho Gaúcho” (2005) e Neymar (2013). Ainda teve o projeto “Ronaldo, o Fenômeno” que também ficou parado na gaveta, com acontecimentos quase parecidos.

A ideia do projeto “Dieguito” surgiu do próprio jogador argentino, que entrou em contato com o Maurício de Sousa. “Ele queria o personagem na mesma sequência das estorinhas e amiguinhos do Pelezinho”, lembra o quadrinista. Uma dos pedidos de Maradona era de usar o nome “Dieguito” e não “Maradoninha”.

Não deu outra com a produção a todo vapor dos desenhos do Dieguito, com a lembrança de amiguinhos, cachorrinhos e outros personagens, nos estúdios de São Paulo. Surgira a “Turma do Dieguito”, com amiguinhos desde a infância do jogador argentino:  Coloradito, Sylvia, Morena, El Negro, Vaquita, Choco, Rosita, Peluza, Bombolito, Chena,  Flaquito, entre outros. E não podia faltar o amigo “Pelezinho”.

Depois de alguns meses, com todos os esboços, croquis, layouts e ilustrações, mais roteiros das primeiras “estorinhas”,  foram embarcados com Maurício de Sousa com destino a Buenos Aires. Era época da Copa do Mundo e Maradona estava na concentração, fora da capital argentina, e como não podia deixar ser inacessível.

Depois de desembaraçar os caminhos burocráticos, finalmente aconteceu o encontro entre Maurício de Sousa e o jogador Maradona, lá mesmo, em um canto reservado da concentração. Foram momentos importantes de uma longa conversa, troca de ideias, várias sugestões e lembranças de fatos e historinhas, que foi tudo aprovado pelo jogador.

Mas ficaram para depois os acertos para o lançamento do personagem “Dieguito” e outras questões da comercialização, enquanto a equipe da Maurício de Sousa Produções se debruçava em cima das ideias, estórias, personagens e as várias fases do projeto do novo integrante importado da “Turma da Mônica”. No planejamento, o lançamento seria realizado na Argentina, Espanha e Itália, deixando para depois a chegada às bancas brasileiras.

Neste intervalo, aconteceu a Copa do Mundo e, logo em seguida, o passe de Maradona foi negociado com o Barcelona, na Espanha. Foi ai que surgiu um problema inesperado, pois o clube espanhol não autorizou a veiculação do “Dieguito”, já que declarou por seus direitos de imagem em cima do jogador argentino.

O projeto estava inviabilizado. Depois surgiram uma série de fatos envolvendo o jogador, além de novas negociações com outros clubes europeus. Mais uma vez, com vários desencontros, o projeto deu uma parada e ficou no aguardo de uma nova oportunidade. E até hoje nada mais foi realizado, mesmo com o retorno de Maratona à Argentina.

Com a morte do ídolo argentino, o país comovido, trouxe muitas recordações ao quadrinista e amigo Maurício de Sousa. Com o intuíto de homenagear Maradona foi tirar do arquivo os desenhos de “Dieguito” —  cujo todo o projeto original ficou sob a guarda agora da família e dos filhos do jogador –– e mostrar o carinho e o respeito convivido com ele.

Nos seus estúdios, toda a Turma da Mônica está triste, com a perda do novo “amiguinho” e nas lembranças de seu criador: “Maradona veio para alegrar a todos com seu futebol. E é isso que vai ficar para sempre marcado nas mentes e corações de seus fãs. Eu, vou guardar para sempre as boas lembranças da época em que nos encontramos para o projeto de lançar seu personagem infantil, Dieguito, que infelizmente não teve continuidade. Mas sua história está escrita nas páginas das maiores glórias do futebol mundial”, relembra emocionado o quadrinista Maurício de Sousa.

Quem sabe o projeto ressurgirá em momento de recordações e de preservação da imagem do grande ídolo do futebol argentino e mundial. “Dieguito”, que poderá  novamente entrar em campo para as partidas de um linda história de sucesso junto às crianças e diante de milhares de fãs pelo mundo, batendo uma  bola com o amiguinho “Pelezinho”!


<<Com apoio de informações/fonte: JAL Comunicação/José Alberto Lovetro e WAY Comunicações/Bete Nicastro >>