por Aguinaldo Gabarrão (*)

Final da Copa do Mundo de 2018: Portugal perde o pênalti e a Suécia torna-se campeã da competição. O responsável pelo erro catastrófico é o jogador Diamantino. A partir daí sua vida vira de cabeça pra baixo, seu pai morre e ele abandona o futebol.

Em busca de um novo sentido para a vida, o ex-jogador português deseja adotar um refugiado para viver com ele e suas irmãs gêmeas, dois demônios que exploram a ingenuidade do atleta e desviam sua fortuna para paraísos fiscais.

“Peixe-palhaço” ===  Se o objetivo dos diretores Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt era fazer crítica social e política com viés de humor nonsense ou esculachado, o tiro erra o alvo. O roteiro escrito pela dupla tem como personagem central o jogador Diamantino (Carloto Cotta), uma espécie de “alma boa”, um ser inocente, mas que na verdade é um completo alienado. Aliás, será que ser bom, pode ser o sintoma para a alienação?

A semelhança do ator com o jogador de futebol Cristiano Ronaldo é escancarada e a forma como a imprensa lida com sua maior estrela, também é algo que revela o humor corrosivo do roteiro sobre as celebridades do esporte e suas excentricidades. Mas, os roteiristas não se decidem em escolher o que, afinal, querem contar e atacar na história.

Tiros para todos os lados ===  Outro alvo dos diretores é a extrema direita neofacista. Formada por um grupo de fanáticos, eles tem um plano de reproduzir geneticamente diversos clones do jogador Diamantino para recuperar a glória de Portugal. Fica claríssimo o discurso insano e sedutor dessa ala política.

E, de quebra, introduzem o problema dos refugiados, a partir da “percepção” de Diamantino, que condoído ao ver um barco de refugiados, resolve adotar um menino para lhe dar todo o seu amor. E, em ambas as questões, se o humor corrosivo poderia ser uma bofetada, neste caso, beira à superficialidade pelo tom over da produção.

Boa sacada ===  Ao criar um universo irreal, com tramas fantásticas, e interpretações propositalmente exageradas dos atores, ao nível da caricatura mais grotesca, os diretores conseguem, de certa maneira, transmitir a ideia de que toda e qualquer forma de dominação social e política nos leva a conformismos, alienação e embotamento da nossa percepção de realidade.

Mas, boa parte da história é um esboço de boas ideias e, ao contrário do efeito devastador, que todo humor ácido pode provocar, “Diamantino” é um filme extravagante e sem foco.

Assista ao trailer do filme:

FICHA TÉCNICA

DIAMANTINO =  Distribuição: Vitrine Filmes

Direção e Roteiro: Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt / Direção de Fotografia: Charles Ackley Anderson / Direção de Arte: Bruno Duarte e Cypress Cook / Montagem: Raphaëlle Martin-Holger / Música Original: Ulysse Klotz & Adriana Holtz / Edição de Som: Daniel Turini e Fernando Henna / Produção: Daniel van Hoogstraten, Justin Taurand e Maria João Mayer / Coprodução: Maria & Mayer, Les Films du Belier e Syndrome Films

Elenco: Carloto Cotta, Cleo Tavares, Anabela Moreira, Margarida Moreira, Joana Barrios, Maria Leite – Gênero: Comédia / Duração: 1 hora e 32 minutos / Idioma: português / Cor: colorido – Classificação indicativa: não informada / País: Portugal, França, Brasil / Ano de Produção: 2018


(*) Aguinaldo Gabarrão, ator. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações. Adora cinema. Atua também no segmento corporativo por meio de cursos, treinamentos e palestras com as técnicas do teatro.


Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.


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