da Redação DiárioZonaNorte ===
Um novo e grande progresso nas negociações com a Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP) sobre a Cracolândia na Zona Norte, aconteceu nesta 4ª feira (07/11/2018). Quando tudo parecia mais difícil, junto ao protesto que foi realizado às 16h30 em frente ao prédio da PMSP, na calçada do velho e histórico Viaduto do Chá, uma nova esperança surgiu para o caminho certo nas negociações sobre o problema da transferência da Cracolândia. O que se parecia difícil, aconteceu com uma audiência com o Secretário Municipal de Relações Sociais, Milton Flávio Marques Lautenschläger, que aconteceu em uma das salas do subsolo do prédio Matarazzo, no centro da cidade. E ficou selado um acordo entre a PMSP e a Comissão de Representantes, com a condição que nada será feito ou alterado sobre o terreno na Avenida Cruzeiro do Sul, pretendido para transferência do serviço Atende da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social (SMADS), que ficará na dependência de aprovação dos moradores e demais interessados.
Protesto em frente à PMSP === Um pouco antes, às 15 horas, aconteceu a concentração do pessoal para o protesto em frente ao Teatro Municipal. Não houve uma grande adesão de moradores por ser um dia normal da semana, em horário de trabalho, e mais a instabilidade do tempo – com uma garoinha quase constante e, no final da tarde, a baixa temperatura.  Com as mesmas faixas da manifestação anterior, deslocou-se à frente ao prédio da Prefeitura: “Você sabia que o prefeito quer uma nova cracolândia”; “Repúdio à Cracolândia”; “Em breve, assaltos”, “Em breve, ponto de drogas” e outros. Através do megafone, mensagens dirigidas ao gabinete do prefeito Bruno Covas. O movimento constante  de pedestres no Viaduto do Chá criava muito curiosidade. Pessoas paravam e queriam saber o que acontecia, saindo espantadas com a notícia. Muita gente tirando fotos das faixas e dos manifestantes. O movimento de carros e ônibus em frente também criavam a curiosidade.
Todos na reunião === Por volta das 17 horas, o alegre e divertido chefe da Guarda Civil Metropolitana (CGM), Inspetor de Divisão Nunes, que havia feito o contato com os manifestantes, autorizou uma lista de cinco nomes com identificações para tentar um contato com o Secretário de Relações Sociais, Milton Flávio, que minutos após autorizou a entrada de todos que estavam na manifestação – naquele momento, 12 pessoas.  E em uma mesa no subsolo do prédio da Prefeitura, por volta das 18h15, o Secretário Milton Flávio inicialmente fez uma explanação do projeto Atende e as dificuldades no atendimento dos dependentes da Cracolândia, na Luz.  À frente do secretário estavam Alba Medardoni (presidente da Associação Amigos do Mirante) – que junto ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-Subseção Santana, Dr. Claudio Moreira do Nascimento,  convocou a reunião do movimento com moradores e empresários no Santuário Nossa Senhora da Salette  —  e a advogada Joana D´Arc, que é moradora há 30 anos na Ponte Pequena, e levou o movimento à frente na organização e abaixo-assinados – com o apoio do DiárioZonaNorte.
Os moradores participam === Diante da explanação do secretário, houve uma conversa sobre o que existe de providências de saúde pública e o que se pode fazer para melhorar. Falou das dificuldades na questão de drogas e seus dependentes. Há estudos para que haja mudanças na área, mas foi citado que há países na Europa que adotaram métodos de apoio às drogas em lugares fechados e até financiados. E o resultado positivo mostra a diminuição do uso e a permanência de drogados pelas cidades. Mas isto é realizado no âmbito daqueles governos e aqui nada se pode fazer neste sentido pelo lado municipal. O ponto forte da questão é que a PMSP garante, através do secretário Milton Flávio, que o terreno na Avenida Cruzeiro do Sul não terá, de imediato, a transferência do programa Atende e da Cracolândia. Tudo ficará sob critérios e decisões do PMSP com reuniões de representantes do movimento local. Foram escolhidos oito representantes para as reuniões, que tem início no próximo 14/11 (4ª feira), no prédio da Prefeitura. O Secretário Milton Flávio comprometeu-se de levar sugestões e ideias de melhorias na região, sempre em acordo com os moradores e entidades, em busca de melhor qualidade de vida a todos. Falou-se em melhoria na iluminação pública de todo o trecho da Avenida Cruzeiro do Sul e busca de parcerias para criação de pontos de apoio cultural e esportivo na região.
Os fatos na Retrospectiva === Desde que saiu a primeira notícia em 28 de setembro nas páginas da Folha de S.Paulo, com a repercussão na Rede Brasil Atual e DiárioZonaNorte, os moradores da Ponte Pequena/Canindé/Armênia e a Zona Norte ficaram preocupados com as consequências – clique: ver primeira reportagem aqui  e a segunda reportagem aqui . .  Vários protestos nas mídias sociais, grupos no WhatsApp e abaixo-assinados foram colocados em prática.  De imediato, a presidente da Associação Amigos do Mirante, Alba Medardoni, correu em socorro e articulou o assunto para sua reunião mensal no dia 25 de outubro (sempre a ultima 4ª.feira do mês), que levou mais de 400 pessoas – entre moradores de todas as regiões envolvidas, líderes regionais, entidades e muitos empresários/representantes de shoppings, escolas, faculdade, hotéis, bibliotecas e outros – lotando o salão do Santuário Nossa Senhora da Salette – ver reportagem aqui.   No mesmo dia, pela manhã, aconteceu um protesto nas ruas no entorno do terreno até a Av.Santos Dumont, com faixas, bandeiras e grito de guerra, reunindo cerca de 100 pessoas – ver reportagem aqui do SPTV 1ª edição da RedeGlobo fotos aqui . E no dia 05 de novembro, Comissão dos Representantes foram recebidos pelo jornalista e apresentador Pedro Nastri, do programa Metrópole em Foco da Rádio Trianon-AM 780, quando o problema foi exposto em debate por uma hora e meia – clique: veja reportagem aqui.
Advertências da chegada da Cracolândia === Neste começo de semana, a Avenida Cruzeiro do Sul e ruas próximas amanheceram com cartazes colados nas paredes e postes com advertências sobre a violência que pode acontecer no local com a transferência no terreno escolhido pela Prefeitura.  “ A Cracolândia vem para cá. E o que você tem a ver com isso?”. E no comunicado de quatro parágrafos (ver na foto) faz advertência aos moradores: “O gás lacrimogêneo entra nos apartamentos, as crianças ficam no meio das pedras e balas de borrachas”. E cita o que pode acontecer no centro da cidade, próximo ao terreno da Luz, “quem fica sofre com o aumento dos aluguéis” e “querem destruir os bairros do centro e transformar tudo em um monte de torres de luxo”. E, no final, coloca: “Vamos nos unir contra a violência e por um bairro melhor para todos!”.
Esse comunicado e um cartaz “Corra! A Polícia vem aí” e “As bombas na Cracolândia podem atingir a sua casa”, tem a assinatura de um movimento denominado “A Craco Resiste”, com página na internet desde 18/2/2016, com 17.248 seguidores. Na página, além de classificação de “organização comunitária”,  acrescentam que é “um coletivo antiprobicionista, abolicionista penal e, antes de tudo antimoralista”. O movimento reinvidica o nome Cracolândia, que a eles pertence desde 1990,  e se diz uma “ comunidade de pessoas que foram excluídas ou que de alguma forma optaram por estarem à margem da sociedade. Ali é o lugar de segurança destes que perambulam pela cidade, apelidado pelos frequentadores mais íntimos de Craco. Não se trata de um espaço físico, mas de um fluxo de pessoas unido por diversos fatores, sendo o crack ao mais conhecido, talvez o mais evidente, porém, nem de longe o único”. E citam todos os endereços nas mídias sociais. E finalizam: “ A Craco Resiste é um movimento contra a violência policial na Cracolândia. Estamos no território para resistir a todas as formas de agressão institucional contra usuários de drogas, moradores e frequentadores da região”.


Programa Atende ===   As unidades emergenciais de atendimento (ATENDE) fazem parte do projeto Redenção. O local é destinado ao acolhimento e atendimento de dependentes químicos, e são disponibilizados serviços de higiene pessoal, alimentação e ressocialização para os beneficiários. Atualmente são cinco unidades que oferecem atividades desenvolvidas ao longo do dia e serviços disponibilizados para higiene pessoal. Todos equipamentos seguem a mesma infraestrutura e modelo de atendimento.

A estrutura, com espaços de descanso, banheiros e refeitório, oferece serviços como cortes de cabelos, oficinas socioeducativas e encaminhamento para regularização dos documentos. O espaço faz parte das ações do projeto Redenção, cujo objetivo é resgatar e dar oportunidade de tratamento aos dependentes químicos. Desde a inauguração da primeira unidade em junho de 2017 até julho de 2018, os equipamentos do ATENDE já registraram juntos cerca de um milhão de atendimentos entre banhos, refeições, pernoites, oficinas e cortes de cabelo. As abordagens são feitas na região de forma individual, baseadas na criação de vínculo com os agentes especializados, com disponibilização de transporte para deslocar os usuários até uma das unidades do ATENDE.

Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social – SMADS – são cinco pontos de Atende em São Paulo, até o momento:

  • Atende 01 –  Rua dos Gusmões, 44 – Santa Ifigênia === 400 vagas
  • Atende 02 –  Rua Helvétia, 57 – Centro – 300 vagas
  • Atende 03 –  Rua General Rondon, 50 – Campos Elísios – 400 vagas
  • Atende 04 –  Avenida Vereador José Diniz x Avenida Roberto Marinho – 134 vagas
  • Atende 05 – Avenida Doutor Gastão Vidigal, 1946 – Vila Leopoldina – 158 vagas

Total: 1.492 vagas


 

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