por Aguinaldo Gabarrão (*)

O universo da música sertaneja sob o ponto de vista de um cantor jovem e cansado de repetir-se com clichês, é uma das apostas do cineasta Gui Pereira para o seu primeiro filme de longa metragem.

Sua segunda aposta está na escolha do cantor e compositor Gabriel Sater, filho do igualmente cantor e compositor Almir Sater, para interpretar o protagonista da história. Em ambas as escolhas, Pereira revela ousadia, o que não garante no conjunto da obra um resultado consistente.

A procura de sentido ===  O cantor Lucca (Gabriel Sater) faz imenso sucesso com o público jovem. Seu repertório é escolhido por Iolanda (Françoise Forton), empresária com olhar absolutamente comercial. Saturado por não poder fazer suas próprias escolhas artísticas, ele resolve voltar para o interior e resgatar a sua autenticidade como compositor. Reencontra o pai (Jackson Antunes), antigo desafeto e uma amiga da infância que poderá abrir novas possibilidades para suas composições.

A ideia original tem componentes muito interessantes: um artista jovem, consciente que sua produção musical não atende a seus anseios artísticos, apesar do sucesso e, ainda, perseguido por um drama pessoal com o irmão e seu pai. Porém, a inconsistência do roteiro, previsível na apresentação dessas tramas e excessivamente voltado para preencher o filme com canções de alguns ícones do sertanejo, acaba por enfraquecer a história.

Massificação cultural ===  Embora o roteiro apresente, mas não aprofunde a questão do empobrecimento cultural, ficam evidentes algumas alfinetadas à indústria fonográfica do entretenimento, onde a qualidade não é a preocupação central.

Por sua vez, o cantor Lucca ao isolar-se em sua cidade natal, representa a tentativa de se reconectar às suas raízes e, para tanto, precisa mergulhar para dentro de si, escutar o seu impulso criador e motivador.

Menos é mais ===  A produção, cuidadosa na ambientação do set e eficiente na escolha das locações, não encontra seu correspondente na trilha sonora que invade sequencias inteiras onde o silêncio ampliaria a carga dramática e sustentaria a cena.

O elenco conduzido por Gui Pereira corresponde com interpretações honestas, na medida exata do texto que receberam. O jovem Gabriel Sater e Jackson Antunes (filho e pai na trama) reservam os melhores momentos, com destaque para Antunes, veterano que sem fazer caras e bocas, traz à flor da pele, a dimensão contraditória do sentimento de amor e vingança, movidos pela pior dor que um pai pode sofrer.

Assista ao trailer do filme:

FICHA TÉCNICA

CORAÇÃO DE COWBOY ==  Distribuição: O2 Play

Direção: Gui Pereira / Roteiro: Gui Pereira, Lara Horton e Jonathan London / Direção de Fotografia: Martin Moody / Diretor de Arte: Beto Mainieri / Trilha Sonora: Lucas Lima / Som direto e Edição de Som: Breno Furtado / Montagem: Gui Pereira / Produção: Aline Lima, Gui Pereira, Lucca Bertollini, Priscila Vitelli / Produtora Executiva: Gisa Pereira

Elenco: Gabriel Sater, Jackson Antunes, Thaila Ayala, Thaís Pacholek, Guile Branco, Françoise Forton, Enrico Lima, Giulia Nassa, Henrique Filgueiras, Maurício Manieri

Participações especiais: Rio Negro e Solimões, Marcos e Belucci, Família Lima, Rick Sollo, Allison Lima, Chitãozinho e Xororó

Gênero: Drama, Musical / Duração: 1 hora e 54 minutos / Cor: colorido

Classificação indicativa: 12 anos / País: Brasil / Ano de Produção: 2018

Lançamento: 27 de setembro de 2018


(*) Aguinaldo Gabarrão, ator. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações. Adora cinema. Atua também no segmento corporativo por meio de cursos, treinamentos e palestras com as técnicas do teatro.


Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.


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