Considerada uma das principais causas de mortalidade infantil em países subdesenvolvidos, o sarampo é uma doença infectocontagiosa e causada pelo vírus Morbillivirus. Em 2016, o Brasil recebeu um certificado de eliminação da circulação do vírus pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), resultado da vacinação principalmente de crianças.

A “volta” da doença ao país ocorreu pela importação do vírus, uma vez que o genótipo que circula atualmente no Brasil é o mesmo da Venezuela – país em estado de surto de sarampo desde 2017. O Ministério da Saúde contabilizou, do inicio do ano até o dia 10/12, 10.262 casos no Brasil. Dois estados do país enfrentam surtos até então: o Amazonas, com 9.779 ocorrências confirmadas, e Roraima, com 349 casos. Sobre mortes, já foram contabilizados seis no estado do Amazonas, quatro em Roraima e dois no Pará.

Os sintomas === Altamente contagiosa, a doença apresenta alguns sintomas em sua fase inicial, como febre, tosse persistente, conjuntivite, coriza e fotofobia. Mais tarde, entre o segundo e o quarto dias, manifestam-se manchas vermelhas – que não coçam – pelo corpo, e a pessoa contagiada apresenta sinais de prostração (debilidade física, fraqueza). Além disso, pode causar otite (infecção nos ouvidos), pneumonia, diarreia e convulsões.

O sarampo pode enganar com remissão, ou seja, alívio em alguns de seus sintomas, como diminuição da febre, escurecimento das manchas avermelhadas e até mesmo uma descamação fina da pele. A enfermidade não apresenta causas específicas, a não ser a susceptibilidade de pessoas não vacinadas, o que se agrava pela diminuição de cobertura vacinal nos últimos anos.

A transmissão não necessita de vetores, ou seja, ocorre de pessoa a pessoa por meio de secreções mucosas (como saliva), expelidas pelo enfermo ao tossir, respirar ou falar. De acordo com Luis Fernando Correia, médico e comentarista de saúde na rádio CBN Brasil, a diminuição de cobertura vacinal pode ser decorrente de alguns fatores, como a dificuldade ao acesso da vacina por falta temporária no mercado nacional e internacional, a distribuição irregular da antiviral realizada por algumas prefeituras e a réplica praticada por alguns brasileiros de campanhas internacionais contra vacinas – que divulgam informações não embasadas cientificamente.

Como se proteger === A Vacina Tríplice Viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola – doenças virais e de fácil contágio, que surgem com mais frequência em crianças. Assim, de acordo com a rotina do Programa Nacional de Imunizações (PNI), a primeira dose dessa vacina ocorre, segundo recomendações médicas, aos doze meses do bebê, e a segunda dose ocorre aos quinze meses. No entanto indivíduos até 29 anos de idade podem se vacinar também em duas doses (com intervalo mínimo de trinta dias), e cidadãos de 30 a 49 anos em apenas uma dose.

 A antiviral pode ser encontrada em Unidades Básicas de Saúde (UBS). A gestantes, idosos (acima de 50 anos), pessoas com comprometimento de imunidade por doença ou medicação ou indivíduos com histórico de anafilaxia após a primeira aplicação da dose ou reação a algum componente não se recomenda a vacinação.

Menos vírus === O médico e comentarista Luis Fernando Correia ressaltou a importância da imunização da maior parte da população, uma vez que, quanto maior a parcela de pessoas imunizadas, menor a circulação do vírus na sociedade. “Dizemos que a cobertura ideal da vacinação é de 95% da população, para conseguir proteger não só quem foi vacinado, mas também as pessoas que não podem tomar a vacina – seja por questões de saúde ou de idade”. O médico acrescentou que, ao não se proteger, a pessoa está tomando uma decisão que afeta a sociedade como um todo. << Com apoio de informações/fonte: Isabella Tuma/Imprensa-Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo-Alesp >>

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