da Redação DiárioZonaNorte ===

A Frente Parlamentar de Apoio  a Aviação Civil da Câmara Federal realizou audiência pública onde  discutiu a  desativação do Aeroporto  Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo (SP). A reunião atendeu a requerimento do  deputado  federal Coronel Márcio Tadeu Anhaia de Lemos (Coronel Tadeu  – PSL-SP) e mais do que discutir a desativação do aeroporto, evidenciou o papel do Campo de Marte como aeroporto metropolitano, cuja a principal característica é ser o elo de ligação entre a cidade de São Paulo e mais de mil cidades brasileiras.

O encontro aconteceu na 6ª. feira (24/10/2019) e foi a primeira audiência publica da Frente Parlamentar. O local escolhido foi o hangar a Helimarte Táxi Aéreo,  no Aeroporto Campo de Marte.

“Esse aeroporto é de grande importância para a aviação brasileira, ali estão instaladas empresas de aviação, manutenção aeronáutica, escolas e aeroclube, alem de ser base estratégica para operações dos grupamentos aéreos das policias militar, civil e do corpo de bombeiros”, afirmou o Coronel Tadeu.

Quem estava presente === A frente parlamentar contou com importantes representantes do setor, como o Tenente Brigadeiro do Ar André Luiz Fonseca e Silva (diretor de Operações e Serviços Técnicos da Infraero); Tenente Brigadeiro do Ar Paulo João Cury  (comandante do Comando Geral de Apoio – COMGAP 4);  Brigadeiro do Ar Frederico Alberto Marcondes Felipe (comandante do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos – CENIPA); Brigadeiro do Ar Ary Rodrigues Bertolino (chefe do Departamento de Controle do Espaço Aéreo – DECEA); Reinaldo Theocharis Papaiordanou (presidente da Sociedade de Melhores Amigos da Aeronáutica – SOMAERO); Jorge Bitar (sócio fundador da Helimarte e presidente da Associação Brasileira de Empresas de Taxi Aéreo e de Manutenção – ABTAER);  Comandante Domingos Afonso (diretor executivo da Associação Brasileira de Empresas de Taxi Aéreo e de Manutenção – ABTAER); Aroldo Novak (Superintendente da Infraero Campo de Marte); Paulo Martins (presidente da Associação dos Concessionários do Campo de Marte –  ACECAM) e Flavio Pires (presidente da Associação Brasileira da Aviação Geral -ABAG).

O senador Major Olímpio (PSL SP) esteve presente no local para manifestar seu apoio,  tendo que sair para um outro compromisso.

A plateia === Cerca de 130 pessoas acompanharam a reunião, entre moradores da região, profissionais da aviação como pilotos, mecânicos, concessionários de hangares e dirigentes de associações e Imprensa especializada.

Uma longa batalha judicial  ===   Há exatos 80 anos, o município de São Paulo tenta retomar a área do Campo de Marte, na esfera jurídica. O ofício de n. 270, datado de 05/08/1939, do então prefeito Prestes Maia, apelava para o Interventor Adhemar de Barros, junto ao Ministério da Guerra a devolução do Campo de Marte ao Município de São Paulo. De lá para cá, vários prefeitos tentaram, em vão. Enquanto isso, a Aeronáutica ampliou sua atuação na área.

Um parque de R$ 250 milhões ===   O então prefeito eleito João Doria Júnior (PSDB),  anunciou em outubro de 2016, que tinha planos para criar um parque municipal na área onde está o Campo de Marte e  que após viabilizar a gestão do equipamento, pretendia  repassá-lo a iniciativa privada.

Em agosto de 2017, João Doria e o então presidente da República Michel Temer oficializaram um acordo para o início da transferência de parte da área do Campo de Marte para a administração municipal.

Preste atenção…. parte da área, não a área toda, como o ofício n. 270 de Prestes Maia reivindicava.

Na ocasião, o Ministério da Defesa ressaltou que as construções que existem atualmente na área de uso público, como o Hospital da Aeronáutica, Parque de Material Aeronáutico e Aeroporto Campo de Marte  não entrariam no acordo e permaneceriam em funcionamento normal, inclusive os empreendimentos privados instalados na área administrada pela Infraero.

Sai Temer, entra Bolsonaro === Em outubro de 2017, o então prefeito João Doria Jr. apresentou o projeto do Parque Campo de Marte e afirmou que as obras teriam inicio após a publicação dos Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) – o que deveria acontecer em janeiro de 2018 – e  ainda da aprovação da Câmara Municipal e a publicação da licitação.  Estimava-se que até 2019 o parque seria entregue a população, com um custo de 250 milhões de reais. Ocupando uma área de 400 mil² ,  teria um  conceito de parque temático  com um museu integrado, que permitiria sua utilização como expansão da área de exposição, além de maximizar os usos de entretenimento e lazer públicos.

Doria quer desativar Campo de Marte === Em janeiro de 2019, o já governador João Doria foi recebido pelo presidente Jair Bolsonaro e ao fim do encontro anunciou que  “o projeto do Parque Campo de Marte está assinado e homologado”  e que pediu a Bolsonaro o encerramento das atividades do Campo de Marte, que  “está em local que não permite mais os pousos e decolagens, tendo ocasionado alguns acidentes com mortes afetando os moradores”. Por outro lado, ainda lembrou que as “pistas do Campo de Marte” serão conservadas e poderão virar espaços poliesportivos. A declaração pegou a comunidade aeronáutica de surpresa, dada a importância do Campo de Marte.

Marte é o quinto maior aeroporto do Brasil === Pergunte para qualquer paulistano sobre aeroportos e de imediato você vai ouvir Guarulhos, Congonhas e Viracopos.  Quem passa pelas Avenidas Santos Dumont ou  Olavo Fontoura, não imagina que está diante do quinto aeroporto do Brasil, mesmo sem receber linhas comercias regulares e voltado exclusivamente para aviação executiva e militar. Em movimento operacional, fica atrás apenas de Congonhas, Guarulhos e Brasília.

Pois é, a maioria dos paulistanos é incapaz de avaliar o que o Campo de Marte representa para a cidade. Tem uma localização privilegiada. Fica na Zona Norte da capital paulista, próximo ao Terminal Rodoviário Tietê, da Estação Carandiru do Metrô e da Marginal do Tietê, via de acesso às rodovias estaduais e interestaduais.

Lembra que no início da matéria informamos que o Campo de Marte conecta a cidade de São Paulo a mais de mil cidades brasileiras? Pois é, a aviação comercial voa a 142 destinos.

Muitas operações === Em 2018 foram realizadas no Campo de Marte 72.376 operações de pousos e decolagens, envolvendo cerca de 119 mil passageiros  com uma média mensal de 6.032 movimentos. Mais da metade dessas operações foram realizadas por helicópteros.

“O foco principal da audiência publica foi a potencialização do Campo de Marte para assumir cada vez seu viés de aeroporto metropolitano, evitando seu fechamento. Sua principal característica para receber voos regionais sendo o elo de São Paulo com outras tantas cidades e poder continuar sendo o berço da aviação”, afirmou Jorge Bittar (sócio fundador da Helimarte e presidente da Associação Brasileira de empresas de Taxi Aéreo e de Manutenção – ABTAER).

A Estrutura === O Campo de Marte tem uma área aproximada de 2,1 milhões de m² (quase dois parques do Ibirapuera) e é um aeroporto compartilhado, ou seja, uma parte da área física 1,13 milhão de m² é administrada pelo Comando da Aeronáutica, por meio do Parque de Materiais Aeronáuticos de São Paulo (PAMA-SP), do Núcleo do Hospital da Força Aérea de São Paulo (NUhFASP), do Centro de Logística da Aeronáutica (CELOG), da Subdiretoria de Abastecimento (SDAB) e da Prefeitura da Aeronáutica (PASP), além dos prédios residenciais de uso dos servidores da Aeronáutica baseados no local.

Já a Infraero administra desde 1979, uma área total de cerca de 975 mil m², que conta com 23 hangares com salas de embarque próprias para a aviação executiva e 34 concessionários, além da pista de 1.600 metros, com recuo de 450 metros e um heliponto. O pátio de aeronaves possui 12.420 m², o que possibilita 22 posições de estacionamento.

Quase um século de serviços ===  O Campo de Marte passou a operar como aeródromo a partir de 1920 (completou 99  anos em julho), com a instalação da Escola de Pilotos da Força Pública de São Paulo. Entre 1925 e 1930 os aviões da Força Pública de São Paulo baseados em Marte, abriram dezenas de rotas aéreas, condicionando a instalação de vários aeródromos pelo interior de São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Goiás.

São Paulo contra Getúlio Vargas ===  Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, o aeroporto foi bombardeado por Forças Getulistas, pois ali se formavam os pilotos da Força Militar (Estadual) que se opunha a Getúlio Vargas.   

VASP e o PAMA  === No ano de 1933 recebeu a VASP – Viação Aérea do Estado de São Paulo, voltada aos serviços de transporte de passageiros e mala postal. Só alguns anos depois, a empresa seria estatizada.  Em 1936, foi iniciada a instalação das oficinas de manutenção de motores e aviões, que deram origem ao Parque de Material Aeronáutico (PAMA), após a criação do Ministério da Aeronáutica.

Formação de pilotos civis ===  O Campo de Marte abrigou diversas escolas de aviação particulares, sendo a mais importante de todas, o Aeroclube de São Paulo, fundada em 1931, como órgão de utilidade pública que acabou por transformar-se no maior centro de formação de pilotos civis da América Latina.  Também estão hangarados no aeroporto o Serviço Aerotático das Polícias Civil e Militar. Na continuidade do Campo de Marte, no mesmo local, planeja-se outros benefícios como escola de mecânica de aviação e outras de aperfeiçoamento na área de aviação, bem como o Museu da Aviação que poderá ser deslocado do interior.

Lobby das Construtoras ===  Desde a gestão Fernando Haddad, a Prefeitura tenta interferir no Campo de Marte. A intenção na época, era deixar apenas  pousos e decolagens de helicópteros, aumentando o gabarito de construção da área e ampliando a possibilidade de grandes empreendimentos na região, proporcionando crescimento e novos investimentos da iniciativa privada na Zona Norte. Na época, a expectativa do prefeito era de ter de volta entre 200 a 500 mil m². da área.

Os preços altos dos imóveis === Reinaldo Theocharis Papaiordanou (presidente da Sociedade de Melhores Amigos da Aeronáutica – SOMAERO) lembrou durante a Audiência Pública que hoje, a  Zona Norte é uma das poucas áreas com condições de absorver grandes empreendimentos imobiliários, por sua grande oferta de terrenos. Com a privatização do Anhembi e a eventual desativação do Campo de Marte,  os preços dos imóveis devem disparar na região.  Hoje,  o valor do metro quadrado no entorno do Campo de Marte  gira em torno de R$ 7.500,00 a R$ 9.500,00.

Novos aeroportos ainda no papel ===  Muito se falou de novos aeroportos em São Paulo. O detalhe é que esses projetos não saíram do papel e só dois são oficiais (com seus projetos protocolados na Secretaria de Aviação Civil). Um em Embu-Guaçu (com o pomposo nome de Aeródromo Privado Rodoanel), perto do trecho sul do Rodoanel. O outro projeto, é o Catarina Aeroporto Executivo em São Roque (70 km da capital), empreendimento da construtora JHSF, que está sendo investigada pela Polícia Federal – na Operação Acrônimo – por suspeita de ter pago propina para conseguir liberação de financiamento do BNDES para o projeto.   Hoje, a capacidade dos aeroportos de São Paulo está esgotada e não haveria como acomodar as operações realizadas no Campo de Marte.

LABACE 2020 ==   O Campo de Marte deve receber a LABACE 2020 – o maior evento da aviação de negócios da América Latina.  “O setor espera que o país encontre o caminho do crescimento econômico porque a aviação de negócios, ou aviação executiva, depende do cenário econômico para crescer”, disse Flavio Pires (presidente da Associação Brasileira da Aviação Geral -ABAG). Ainda, de acordo com ele,  “A aviação de negócios leva o empreendedor, o investidor, o fazendeiro onde a aviação comercial não chega e isso é fundamental para o desenvolvimento econômico”.


 

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