Pesticidas, mudanças no uso da terra e monocultura são algumas das ameaças; abelhas contribuem para a segurança alimentar e são essenciais para conservação da biodiversidade; maioria das cerca de 30 mil espécies de abelhas são polinizadores.

As abelhas e outros polinizadores, como borboletas, morcegos e beija-flores, estão cada vez mais ameaçados pelas atividades humanas. Os polinizadores permitem que muitas plantas, incluindo culturas alimentares, se reproduzam. Eles contribuem diretamente para a segurança alimentar, são essenciais para a conservação da biodiversidade e também servem como sentinelas para riscos ambientais emergentes, sinalizando a saúde dos ecossistemas locais.

Ameaças ===  A maioria das 25 mil a 30 mil espécies de abelhas são polinizadores efetivos e juntamente com mariposas, moscas, vespas, besouros e borboletas compõem a maioria das espécies polinizadoras.

Insetos invasivos, pesticidas, mudanças no uso da terra e práticas de monocultivo podem reduzir os nutrientes disponíveis e ameaçar as colônias de abelhas.

Para aumentar a consciência sobre a importância dos polinizadores, as ameaças que enfrentam e sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, a Organização das Nações Unidas (ONU) designou 20 de maio como o Dia Mundial da Abelha.

A data coincide com o aniversário de Anton Jansa, pioneiro em técnicas modernas de apicultura que no século 18, que na Eslovenia evidenciou a capacidade de trabalho das abelhas.

Implicações === Hoje sabe-se que abelhas, borboletas e outros polinizadores têm impacto em áreas como alimentos consumidos, como frutas e vegetais, dependem diretamente de polinizadores e garantem a diversidade alimentar.

Segundo a ONU, eles não apenas ajudam a garantir a abundância de frutas, nozes e sementes, mas também sua variedade e qualidade, o que é crucial para a nutrição humana. Além da alimentação, os polinizadores também contribuem diretamente para medicamentos, biocombustíveis, fibras como algodão, linho e materiais de construção.

A polinização é um processo fundamental para os ecossistemas terrestres, para a produção de alimentos e para a subsistência humana. O processo  liga diretamente os ecossistemas selvagens aos sistemas de produção agrícola.

Diversidade === A maioria das 25 mil a 30 mil espécies de abelhas são polinizadores efetivos e juntamente com mariposas, moscas, vespas, besouros e borboletas compõem a maioria das espécies polinizadoras.

Há também polinizadores de vertebrados, incluindo morcegos, mamíferos não-voadores, como várias espécies de macacos, roedores, lêmures, esquilos, e aves beija-flores, pássaros, e algumas espécies de papagaios.

A compreensão atual da polinização mostra que, embora existam relações específicas entre as plantas e seus polinizadores, a abundância e a diversidade de polinizadores garante que o processo seja saudável.

Mudanças climáticas ===  Um conjunto diversificado de polinizadores, com diferentes características e respostas às condições ambientais, também é uma das melhores maneiras de minimizar os riscos devido à mudança climática.

A sua diversidade garante que há polinizadores eficazes não apenas para as condições atuais, mas também para as condições futuras. Como resultado da biodiversidade, a resiliência pode, portanto, ser construída em agroecossistemas.

No entanto, os polinizadores enfrentam os principais desafios atuais, que incluem a agricultura intensiva, os pesticidas e a mudança climática. << Com apoio de informações/fonte: ONU News >>


        Nossa amiga abelha e o planeta Terra

por Joyce Capelli (*)

Estamos lançando, no Instituto Melhores Dias, um manual sobre abelhas nativas do Brasil. Queremos conscientizar alunos de escolas públicas beneficiados por nossos programas sobre a importância destes insetos para a vida no planeta.

As abelhas são o principal agente polinizador na natureza. Respondem por dois terços de tudo relativo à flora que chega às nossas mesas.

Curiosamente, pouquíssimo se fala sobre as abelhas melipolinárias – as nativas brasileiras, que não têm ferrão, mas que produzem excelente mel, com menor teor de açúcar em relação ao das Apis – abelhas europeias e africanas.

O mel das nossas abelhas nativas também tem grande valor medicinal, possui elevada atividade antibacteriana e é usado como coadjuvante no tratamento de doenças pulmonares, resfriado, gripe, fraqueza e infecções de olhos. Já a cera, utilizada quente, apresenta ótimos resultados contra inflamações dos músculos, nervos e articulações.

Nossas abelhinhas nativas do Brasil são importantíssimas. Além de tudo isso acima, ajudam o pulmão do mundo (nossas florestas) a expelir ar puro para o planeta todo.

Mas elas não foram bem vistas pelos jesuítas que vieram catequizar os índios brasileiros durante o período Colonial. A cor da cera (cerume) delas varia de amarelo bem claro até uma cor quase negra, não resultando em velas totalmente brancas. Por isso, os jesuítas preferiram mandar trazer abelhas de Portugal para confeccionar suas velas.

Essa mania do ser humano de intervir na natureza vai muito além das abelhas – que sofrem preocupante risco de extinção em todo o globo, pois a raça humana depende delas para comer e respirar.

Há muito mais em risco: segundo relatório divulgado na segunda semana de maio pela Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistema (IPBES) da Organização das Nações Unidas (ONU), um milhão de espécies de animais e plantas estão ameaçadas de extinção.

O estudo contou com 145 cientistas de 50 países e é considerado o mais completo relatório sobre perdas do meio ambiente. Foram revisadas mais de 15 mil pesquisas científicas e fontes governamentais.

Os cientistas destacam cinco principais causas de mudanças de grande impacto na natureza nas últimas décadas: perda de habitat natural, exploração de fontes naturais, mudanças climáticas, poluição e espécies invasoras.
Com tudo isso, a vida na Terra está ficando menor e mais desgastada. Desde o século 16, Pelo menos 680 espécies de vertebrados foram levadas à extinção.

Apocalipse humano – Este desastre ambiental é resultado direto da atividade humana. Três quartos do ambiente terrestre e cerca de 66% do ambiente marinho foram significativamente alterados por ações humanas. Veja o que o relatório diz:

Desde 1980, as emissões de gás carbônico dobraram, levando a um aumento das temperaturas do mundo em pelo menos 0,7 ºC, e a poluição plástica piorou em dez vezes. Entre 100 e 300 milhões de pessoas correm risco de ser vitimadas por enchentes e furacões devido à perda de habitats e proteção da costa. Desde 1992, as áreas urbanas dobraram.

Um terço das áreas terrestres e 75% do uso de água limpa é para plantação e criação de animais para alimentação. A derrubada de madeira aumentou 45% e aproximadamente 60 bilhões de toneladas de recursos renováveis e não renováveis são extraídos globalmente a cada ano.

Até US$ 577 bilhões em safras globais anuais estão em risco de perda de polinizadores como as nossas amigas abelhinhas. Além de muitos outros males identificados no relatório.

Estas tendências negativas impedirão em 80% o progresso das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, relacionadas a pobreza, fome, saúde, água, cidades, clima, oceanos e terra.

Enfim, será que há um caminho para reverter esse caos? Nós do Instituto Melhores Dias acreditamos que sim, por meio da conscientização e da educação das crianças. Por isso, em todas as nossas ações, lutamos para fazer a nossa parte.

Dessa vez, é o lançamento do manual “Nossa Amiga Abelha”. Ajude você também. Mude seus hábitos que agridem o planeta. Desperdice menos água, energia e alimentos. Pense e aja de forma sustentável e colabore com educação de nossas crianças. Cobre uma postura de preservação do governo. O planeta é o nosso lar e a natureza é sempre implacável com quem a agride.

(*) Joyce Capelli — É diretora executiva e presidente do Instituto Melhores Dias — www.melhoresdias.org.br 


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