Em setembro de 2014 foi realizado o último “Revelando São Paulo” na Vila Guilherme, no Parque de Vila Guilherme/Trote e MartCenter. Neste local, foram cinco edições (2010 a 2014) que teve uma audiência de quase 2 milhões de pessoas. De repente, sem apoio local, teve que cessar suas atividades. Em recurso desesperador, no ano seguinte (2015), conseguiu montar uma edição extra do Revelando São Paulo, em proporções menores, na cidade de Valinhos – próximo a Campinas. Mas não voltou à Vila Guilherme e foi o único na cidade do interior, sem grande resultado. No ano passado, ainda manteve o Revelando São Paulo em Atibaia, Iguape e o derradeiro em São José dos Campos.

O ANÚNCIO OFICIAL === Depois deste tempo em silêncio, o Secretário-adjunto do Estado da Cultura Romildo Campello (PV) divulga, na internet, um vídeo de 2 minutos e 40 segundos, onde anuncia a volta do Revelando São Paulo. Falando em nome do Secretário José Luiz Penna (PV), o secretário-adjunto afirmou que é um reconhecimento ao evento com “uma reconquista importantíssima à cultura do estado de São Paulo”, que terá o idealizador Toninho Macedo como curador e a Associação Paulista Amigos da Arte – APAA — que venceu em 2016 o chamamento público  para administrar um novo Revelando São Paulo – na organização e gerenciamento do evento. Ele antecipou que “será até o final do ano”.

A VOLTA EM NOVEMBRO === Mas fontes ouvidas pelo DiárioZonaNorte, informaram que acontecerá em novembro na cidade de São José dos Campos, no Parque Municipal Roberto Burle Marx, onde está instalado o Museu do Folclore administrado pela Fundação Cassiano Ricardo (antiga fazenda do ex-senador Severo Gomes e de sua Tecelagem Parahyba) e comporta também a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente – onde já houve outras edições do Revelando São Paulo.

SÃO PAULO AINDA É DÚVIDA === Quanto ao retorno na cidade de São Paulo, há estudos para retomada no Parque Vila Guilherme-Trote (PVGT), que é necessário acertos de utilização junto à Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) – que já recebeu o aval do Secretário Gilberto Natalini – e condições de acomodação para os expositores que chegam de 180 municípios do interior paulista. O espaço MartCenter, que é particular, enfrenta ainda problemas administrativos é provável que não possa mais ser alugado e utilizado no evento. Neste local, além dos estandes de culinária, artesanato e sociais que tomavam os pavilhões – até com o Verdejando da Rede Globo – o terreno ao lado, com era o local do Shopping Mart Center, com as lojas de mezanino, e também os galpões de serviços de transportes, serviam de alojamentos, refeitório e banheiros/chuveiros para os expositores e outros participantes (indígenas, ciganos e outros).

AS ALTERNATIVAS === A população da Zona Norte pede a volta do Revelando São Paulo, mas há esses empecilhos de espaço e alojamentos. Segundo outras fontes ouvidas por este veículo, estuda-se outras alternativas próximas ao PVGT e um substituto do MartCenter. Outras alternativas seriam fora da Zona Norte: o retorno ao Parque da Água Branca, onde já passou o evento e que agora tornou-se um espaço pequeno; ou na Chácara do Jockey e até no Parque Municipal do Tietê – que estaria mais próximo da Zona Norte e com mais meios de transporte (Metrô e linhas de ônibus), ao lado da Marginal e com maior facilidade de locais para alojamentos.

O INTERIOR PREOCUPADO === No interior de São Paulo, há uma grande expectativa dos expositores para o retorno. Em Jundiaí e Várzea Paulista, o deputado estadual Júnior Aprillanti (PSB) foi abordado várias vezes para que respondesse sobre o Revelando São Paulo. O deputado encaminhou no dia 10 de agosto um requerimento de informação à Secretaria Estadual de Cultura. E foi surpreendido ao tomar conhecimento do pronunciamento do Secretário-adjunto Romildo Campello. “As pessoas estão preocupadas porque o Revelando São Paulo era uma projeção para eles, um rendimento extra, e divulgava também a cidade. E ficou um grande silêncio, sem informação, nada oficial e muitas informações desencontradas”, comentou o deputado.

Histórico == O Programa Revelando São Paulo foi criado em 1996 pela Abaçaí Cultura e Arte, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo. Sempre voltado para a Cultura Tradicional do Estado de São Paulo (Patrimônio Imaterial) é um articulador e promotor de ações e políticas culturais em todo o Estado, envolvendo pesquisas, relações institucionais, contatos com as mais diversas comunidades, diálogos e parcerias com os dirigentes culturais dos municípios e instituições privadas de natureza cultural e/ou educacional.

Por meio de suas pesquisas e parceiros, este programa revela a importância da cultura imaterial, de saberes e fazeres de várias comunidades e pessoas da região, procurando contribuir com a sua manutenção e extroversão, envolvendo as diversas instâncias dos poderes públicos municipais e estadual, para que se garanta as condições necessárias à sua continuidade.

O programa Revelando São Paulo também prestigia, apoia e incentivou pessoas, grupos e instituições que, mesmo sem fazer parte historicamente de determinadas manifestações culturais, procuram com seu trabalho e pesquisa, mantê-las e difundi-las, seja fielmente ou por meio de releituras sérias.

O FESTIVAL === O Festival da Cultura Paulista Tradicional é fruto do Revelando São Paulo. Contando com mais de 50 edições realizadas em 18 anos, é uma importante etapa nesse processo ao promover os encontros das mais diversas manifestações culturais de todo o estado de São Paulo, objetivando a troca de experiências, a articulação entre comunidades, a extroversão dos saberes e fazeres para um público ainda maior, seja na capital ou em outras centralidades urbanas onde ocorre o Festival. Sempre com o propósito de revelar e valorizar.

Em cada edição do Festival participaram mais de 300 grupos de cultura tradicional, como batuques, folias, jongos, congos, grupos folclóricos de comunidades de imigrantes, cururus, comunidades indígenas, trança fitas, bandas e fanfarras, irmandades religiosas, quilombolas, violeiros e orquestras de violas, ciganos, fandangos, além da rica culinária paulista e também seu rico artesanato, em mais de 180 estandes.

Até o ano passado, foram promovidas quatro edições do Festival: Entre Serras e Águas ( em Atibaia ), Vale do Ribeira ( em Iguape), Vale do Paraíba (em São José dos Campos) e da Capital (em São Paulo e no ano passado substituída por Valinhos). Nas edições, foram mais de 160 municípios participantes, de todas as regiões do estado de São Paulo; 68 municípios com estandes de culinária; 105 municípios com estandes de artesanato e 800 pessoas trabalhando diariamente no artesanato e culinária. As comunidades Indígenas foram de 11 etnias, 30 aldeias (mais de 100 participantes) e mais as comunidades ciganas de 7 municípios. Mais de 9.000 integrantes de grupos de cultura tradicional (aproximadamente 230 grupos).

ObraFácil

1 COMENTÁRIO

  1. A cultura do interior tem que ser mostrada para os moradores da capital, principalmente aos que não tem chance de conhecer o interior. Por isso Revelando São Paulo precisa vir para a capital.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, entre com seu comentário
Por favor, entre com seu nome agora