por Aguinaldo Gabarrão (*)

Os encontros e desencontros que a vida promove nos relacionamentos, podem influenciar ou mesmo determinar o encaminhamento de pessoas e fatos no futuro? O filme A Vida em Si, não ousa responder essa questão, mas pelo menos nos faz parar alguns instantes para pensar sobre essas possibilidades.

O casal Will e Abby (Oscar Isaac e Olivia Wilde) vive um intenso relacionamento que reverbera em diferentes décadas, de Nova York até a Espanha. E outras pessoas, algumas estranhas ao casal, acabam de alguma forma, se conectando a vida deles, através de um evento marcante.

Vidas se cruzam ===  O diretor e roteirista Dan Fogelman preocupou-se em contar uma história simples, que poderia pertencer a qualquer pessoa. Introduz em cada vida que ele procura focar, aspectos que aproximam os personagens uns dos outros, mesmo distantes no tempo.

O acaso, outro elemento presente, parece flertar vez ou outra com o destino. Um acontecimento imprevisível causará o desdobramento de outras situações e, assim, sucessivamente. Mas o imponderável não determina a forma como as personagens irão reagir, na medida em que suas vidas se cruzam nessa teia sutil dos relacionamentos.

A lógica cruel dos acontecimentos ===  O roteiro brinca desde o início do filme com a linearidade da história. Há um narrador (Samuel L. Jackson), que participa no início do filme, comenta situações e as mesmas cenas são recontadas sob outros ângulos. O que parece sem sentido, logo mais se justificará pelas atitudes da personagem Will. E, a lógica cruel dos acontecimentos, não poderá ser maquiada ou mesmo modificada por nenhum artifício mental ou literário.

O mesmo recurso é utilizado outras vezes, como forma de reforçar, didaticamente, essa relação de causa e efeito, apesar do distanciamento entre passado e presente. O diretor, mais de uma vez, utiliza também elipses temporais, que aceleram a narrativa e a sensação do tempo que escapa ao controle, tal a sua “velocidade”.

A mais cosmopolita das cidades === O bom elenco, que conta também com Annette Bening (Os Imorais, Nova Iorque Sitiada) e Antonio Banderas (Ata-me, A Pele que Habito), reserva em suas interpretações bons momentos.

E, Nova York, a mais cosmopolita das cidades, é o cenário para histórias que se conectam à Espanha e conduz a trama para a sua conclusão, sob o som de Love Sick, música de Bob Dylan, que inspirou o diretor no roteiro.

A Vida em Si, é um filme tocante, mesmo não sendo a conclusão de sua história a mais original ou inusitada que se poderia esperar.

Assista ao trailer do filme:

FICHA TÉCNICA
A VIDA EM SI (Título original: Life Itself) ===  Distribuição: Paris Filmes

Direção e Roteiro: Dan Fogelman / Direção de Fotografia: Brett Pawlak / Designer de Produção: Gerald Sullivan / Direção de Arte: Clara Gomez del Moral, Julia Heymans / Decoração de Set: Monica Alberte, Ron Von Blomberg / Figurino: Melissa Toth / Montagem: Julie Monroe /Trilha  Sonora: Federico Jusid / Produção: Glen Basner, Marty Bowen, Bem Browning, Alison Cohen, Wyck Godfrey, Adrián Guerra, Erika Hampson, Michael Jackman, Isaac Klausner, Milan Popelka, Aaron Ryder / Estúdio: FilmNation, Entertainment, Nostromo Pictures, Temple Hill Entertainment

Elenco: Oscar Isaac, Olivia Wilde, Mandy Patinkin, Olivia Cooke, Laia Costa, Annette Bening, Sergio Peris-Mencheta, Samuel Lee Jackson, Antonio Banderas, Jean Smart

Gênero: drama / Duração: 1 hora e 57 minutos / Imagens: colorido
Classificação indicativa: 16 anos / País: EUA / Ano de Produção: 2018
Lançamento: 6 de dezembro


(*) Aguinaldo Gabarrão, ator. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações. Adora cinema. Atua também no segmento corporativo por meio de cursos, treinamentos e palestras com as técnicas do teatro.


Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção


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