Uma menina de apenas um ano e quatro meses morreu depois de ser picada por um escorpião, na cidade de Aparecida, interior de São Paulo, em 08/01/2019.  Casos como esse têm aumentado no Brasil ano a ano. Dados do Ministério da Saúde apontam que em 2017 foram registrados 125 mil casos de acidentes com escorpiões. No ano passado, o número saltou para 144 mil. A maioria dos casos aconteceram entre os meses de dezembro e março. << Números do Ministério da Saúde sobre as  picadas por escorpiões no Estado de São Paulo mostram uma grande evolução: 2012: 9.166 = 2013: 11.322 = 2014: 12.394 = 2015: 15.202 = 2016: 17.363 = 2017: 21.237 >>

De acordo com o biólogo Giuseppe Puorto, membro do CRBio-01 – Conselho Regional de Biologia – 1ª Região (SP, MT, MS), o problema é comum nas regiões urbanas especialmente no verão. “Cerca de 40% das ocorrências registradas em todo o país são nesse período. Por isso, a atenção deve ser redobrada nessa época do ano”, reforça o Biólogo. Ele explica que os escorpiões se alimentam de baratas, que são insetos domésticos e que nessa época do ano se proliferam, já que as condições climáticas são favoráveis para sua reprodução. “Eles invadem as casas atrás das baratas, mas acabam também buscando onde se alojar”, completa.

Segundo o especialista, nas grandes cidades a espécie mais perigosa é o escorpião amarelo (Tityus serrulatus), que se reproduz por partenogênese (ou seja, a fêmea se reproduz sozinha). E que a melhor maneira de evitar a visita desses aracnídeos é justamente manter os lugares limpos, livres de entulhos. “No quintal de casa evite o acúmulo de telhas ou de tijolos, por exemplo. Eles podem se esconder entre as frestas. E se perto de casa tiver algum terreno baldio, peça para que a prefeitura providencie a limpeza do local”, orienta o Biólogo.

Se for picado, o biólogo recomenda que procure um serviço de atendimento médico o mais rápido possível. “A pessoa deve ser levada para o local mais próximo que tiver”, avisa. Geralmente, primeiro é aplicado um medicamento para aliviar a dor provocada pela picada do escorpião. E depois, se for o caso, é aplicado o soro antiescorpiônico. “O medicamento neutraliza as toxinas do veneno circulante no corpo”, esclarece Puorto. A aplicação é geralmente indicada para crianças e idosos, considerados maior grupo de risco. <<Com apoio de informações/fonte: Ex-Libris Comunicação Integrada >>

Casos em São Paulo ===  A Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo, informou a pedido do DiárioZonaNorte que, em 2017, foram notificados 218 casos de acidentes envolvendo escorpiões na capital paulista.  Em 2018, foram 298 ocorrências e outras cinco notificações até 15 de janeiro de 2019. Não houve registro de óbitos nestes períodos.

O município desenvolve ações por meio do Programa de Controle de Escorpiões, que incluem inspeções mediante solicitações e notificações de acidentes, monitoramento das áreas de ocorrência de espécies de importância médica (denominadas de áreas escorpiônicas), adoção de controle populacional por meio de recolhimento e de medidas de manejo ambiental, conforme preconizado no Manual de Controle de Escorpiões do Ministério da Saúde (2009) — ver abaixo os links —, uma vez que não há um veneno eficiente para controle destes animais.

Segundo o Ministério da Saúde, compete ao município o registro, a captura, a apreensão e a eliminação de animais que representem risco à saúde, cabendo ao estado a supervisão, o acompanhamento e a orientação dessas ações. A pasta também indica a realização de atividades continuadas de educação ambiental.  Há casos registrados em toda a cidade, incluindo a Zona Norte (Nordeste e Noroeste), mas as regiões com maior número de registros são Pirituba, Cangaíba, Rio Pequeno e Brasilândia. O crescimento de solicitações geralmente está associado com o aumento de temperatura e chuvas, nos meses da primavera e verão, que também é o período de reprodução destes animais.

Os munícipes, bem como entidades públicas e privadas, podem fazer sua solicitação através do telefone 156 ou pelo portal da Prefeitura: https://sp156.prefeitura.sp.gov.br/portal/.

Como agir caso de picada === A orientação básica é procurar rapidamente atendimento médico (UBS, AMA, Pronto Socorro ou Hospital) de preferência nas primeiras três horas, além de:

  • Lavar o local com água e sabão;
  • Não usar garrote, não cortar ou perfurar ao redor da lesão e não colocar folhas, pó de café, etc;
  • Compressa morna (compressas frias pioram a dor);
  • Retirar sapato, anel, pulseira ou fitas que funcione como torniquete;
  • Deixar o paciente deitado, hidratado, calmo, imóvel e com o local da picada elevado;
  • Procurar atendimento médico, no local mais próximo, o mais rápido possível;
  • Se possível levar animal para identificação 

Os cuidados com animais ===  Veterinários chamam atenção para cuidados com animais soltos em quintais e locais de aparição de escorpiões. Alertam também para os passeios com cães pelas ruas, que podem ser picados em locais de mato, objetos nas calçadas ou até mesmo de construção. O acompanhante do cão deve ter a maior vigilância durante os passeios. Dependendo do tipo de escorpião e da quantidade de veneno, pode matar o cão ou gato. Segundo especialistas, há casos que é possível visualizar o ferrão que ficará na pele do cão ou gato. Caso contrário, o dono do animal deve prestar atenção nas reações do animal. O sintomas diretos: tremores, espasmos musculares, arritmias cardíacas, convulsões. É normal que o local atingido comece a inchar e mudar de cor, ficando vermelho, por exemplo.  Na dúvida, levá-lo imediatamente à uma Clínica Veterinária.

Para quem quer saber mais === O Ministério da Saúde preparou dois manuais de orientações sobre o assunto em profundo trabalho de pesquisas em 70 páginas. O “Manual de Controle de Escorpiões” (editado em 2009)  está em PDF e pode ser acessado através do link aqui

E um segundo volume de 112 páginas (2001 com revisão atualizada),  a Vigilância Epidemológica do Ministério da Saúde classificou os animais peçonhentos (incluindo os escorpiões em um dos capítulos) com o título “Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos ” – que pode ser acessado no link aqui. Teve o importante apoio da Coordenação de Vigilância das Doenças Transmitidas por Vetores e Antropozoonoses, do Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi) e da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA).  Neste volume informações importantes sobre serpentes, aranhas, abelhas, vespas, formigas. lagartas e mariposas – entre outros – com seus efeitos, venenos, reações na saúde e cuidados médicos.

Leia mais aqui na reportagem anterior do DiárioZonaNorte.


As emergências  === Em caso de acidente, procurar imediatamente à unidade de saúde mais próxima — hospital, Pronto Socorro, UBS-Unidade Básica de Saúde e AMA, que poderão dar encaminhamento e/ou orientações. Pode-se solicitar orientações no Centro de Controle de Zoonoses, que está localizada em Santana ( Rua Santa Eulália, 86 – ao lado do Campo de Marte) pelo telefone  11-3397.8900.    A referência no município de São Paulo no atendimento de acidentes com animais peçonhentos é o Hospital Vital Brasil/Instituto Butantã localizado na Av. Vital Brasil, 1500, no Butantã, fone (11) 2627.9528 / 9529 / 9530 e 3723.6969 – E-mail: hospital@butantan.gov.br

Assistência médica gratuita –  Orientação telefônica 24 horas por dia === O Hospital Vital Brazil (HVB), especializado no atendimento a pacientes picados por animais peçonhentos, iniciou suas atividades em novembro de 1945. Com uma experiência acumulada de mais de seis décadas dedicadas ao atendimento, ao ensino e à pesquisa, atestada pelos seus mais de 100 mil prontuários, é reconhecido como uma das mais importantes referências na área de envenenamentos por animais peçonhentos. Funcionando ininterruptamente, 24 horas por dia, 7 dias por semana, o HVB mantém um serviço de pronto-atendimento e dispõe de 10 leitos para observação ou internação. Está situado dentro do Instituto Butantan, ao lado do heliponto.​    << Com apoio de informações/fonte: Secretaria Municipal de Saúde / Secom-PMSP / Ministério da Saúde>>

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