2019: o ano fatídico!

por Gilberto Natalini (*)

Estamos num novo ano.

Com o Brasil patinando na imensa “crise civilizatória” criada pelos governos anteriores, assume o novo governo eleito em Outubro.

Parcela majoritária do povo brasileiro depositou seu voto e suas esperanças nesse governo.

Assim como fez antes elegendo, o Collor, o Fernando Henrique, o Lula e a Dilma, cada um do seu jeito causando frustrações enormes na população.

No Brasil é assim: vivemos dos espasmos políticos, dos fetiches ideológicos, do sonho de um salvador, um pai da pátria.

Como isso não existe o brasileiro descobre, logo após a eleição que foi vitima de um “estelionato eleitoral”. Vítima de seu próprio despreparo, de sua emoção pouco consistente.

Hoje não é diferente.

Os problemas do Brasil são gigantes.

Nós somos um grande país. Aqui tudo é grande.

Assim nossa desigualdade social é uma das maiores e mais cruéis do mundo.

Com um povo tido como cordial, nos transformamos num dos países mais violentos do mundo, com 63 mil assassinatos por ano, recordes de violência contra a mulher, idosos e crianças.

O crime organizado hoje faz parte do cenário nacional, com “salves” assustadores, robusta contabilidade, presença em todo país, em instituições públicas e privadas e ações espetaculares de guerrilha urbana.

Temos perdido nosso parque industrial para as commodities do agronegócio.

Estamos num atraso cientifico-tecnológico por ausência de uma politica pública decente para o setor, em que pese as ilhas de heroísmo da pesquisa no Brasil.

Com uma infantaria de 12 milhões de desempregados e um orçamento anual que é carcomido pelo pagamento de juros e serviços da dívida pública, nossa economia, dita a 8ª do mundo, hibernou.

O Sistema Público de Saúde, o SUS, está sendo asfixiado por covarde desfinanciamento e uma má gestão, já há vários anos.

A população vai ficando desassistida e surgiram os famosos “planos populares de saúde”, financiados com dinheiro estrangeiro, que mais enganam do que atendem.

Nossa educação é sofrível. Os resultados práticos estão aí na legião de analfabetos funcionais, que mal conseguem ler e escrever. Até mesmo os universitários.

Para coroar tudo isso, estamos ainda em plena pandemia de corrupção que infectou o Brasil, desde o Palácio do Planalto, passando por Prefeituras, Parlamentos, Empresas, Associações, Sindicados, Igrejas e alcançando as ruas.

A corrupção tornou-se uma prática de vida institucionalizada no País.

A reação veio com a Lava-Jato e assemelhados, que teve o apoio de parcela importante da população, mas que luta contra forças poderosas para fazer seu trabalho de saneamento.

Esse é o Brasil que Jair Bolsonaro vai administrar a partir de agora.

O que será do Brasil?

Uma pergunta para a qual nem eu, nem nenhum brasileiro de bom senso tem a resposta.

Só nos resta torcer para o Brasil sair dessa?

Creio que podemos e devemos fazer muito mais.

É momento de os brasileiros de bom senso e comprometidos com a moralidade pública, o desenvolvimento econômico e social sustentável, com a preservação do nosso meio ambiente e de nossa democracia, se unirem cada vez mais.

Estarem presentes em cada passo da vida nacional, fiscalizar os poderes públicos, propor e cobrar uma agenda que possa tirar o Brasil dessa agonia.

Aqui, essa união, tem que ser suprapartidária, interracial, interreligiosa, inter-torcidas.

Nem de “direita” nem de “esquerda”, que hoje são conceitos superados e usados falsamente.

Tem que ser uma união pelo Brasil, pelo seu povo, em particular os mais desfavorecidos.

Tem que ser uma frente pela moralidade, na vida pública e privada.

Tem que ser uma jornada pela retomada do desenvolvimento econômico, com um grande adendo: com respeito ao meio ambiente.

Tem que ser um pacto pelo fortalecimento de nossa democracia.

Essas são as tarefas para 2019. Que venha o bendito Ano Novo!


(*) Gilberto Natalini –  médico, ambientalista e vereador (PV/SP)


Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte e nem de sua direção.

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